Nimue Ninfae (nimue_chan) wrote in thecrfaq_br,

Rituais

Como se cria um espaço sagrado?

A maioria dos Reconstrucionistas Celtas sente que esses espaços não são feitos, são encontrados. Sendo uma religião conectada com a terra e os espíritos da natureza, nós procuramos lugares selvagens que pareçam poderosos para nós, então, nos comunicamos com os espíritos desse lugar para estabelecermos uma relação produtiva baseada em hospitalidade e respeito mútuo. Nesses casos, através de nossas repetidas oferendas e reverências, e Às vezes através da construção de santuários, o lugar se torna cada vez mais sagrado.

Como outros tipos de Pagãos, nós também tentamos fazer mais espaços neutros sagrados, ou achar o sagrado em lugares improváveis e partir daí.A maioria dos RCs tem santuários em casa, dedicados a várias Deidades, ancestrais e outros espíritos. Quando iniciamos um ritual – seja uma simples oferenda com orações ou um ritual em grupo mais elaborado – muitos RCs primeiramente irão se purificar e purificar o local. Isso é freqüentemente chamado de glanadh (purificação ou limpeza) ou saining (benção), e pode ser feito com fumaça de ervas sagradas como zimbro, com água ou fogo, ou simplesmente com a energia dos ritualistas.

Proteção do espaço, quando necessária, é geralmente obtida através do auxílio de alguma Deidade e espírito, e do uso de alguns itens tradicionais como árvores sagradas, chamas e ervas. Isso é particularmente verdade para aqueles que trabalham seguindo preceitos insulares. Se limites de alguma espécie forem desejados, a maioria dos Reconstrucionistas Celtas preferirá escolher limites naturais como um rio ou um arvoredo, ou meditar no conceito de margem e centro, ou na Nona Onda do oceano que é o limite entre esse mundo e o Outro Mundo. Alguns RCs, especialmente aqueles que seguem o modelo Gaulês, gostam de criar um limite físico de algum tipo ao redor de seu espaço ritualístico, tais como uma fossa ou uma parede, ou talvez uma fronteira temporária de energia. Talvez a maioria dos RCs não crie limite nenhum, e veja a energia do ritual como suficientemente contida e presente, sem necessidade de uma contenção já que o objetivo não é expulsar os espíritos, mas criar uma relação com eles. Nos casos onde espíritos não são pacíficos ou auxiliares, e onde uma aliança não pode ser feita, rituais e oferendas são realizados para criar um trato de não interferência com eles.


Que dias sagrados vocês celebram? Vocês não celebram a Roda óctupla anual?

Pessoas que seguem os caminhos Celtas insulares geralmente celebram Samhain (Oíche Shamhna), Imbolc (Lá Fhéile Bríde), Bealtaine (Lá Bealtaine) and Lúnasa (Lá Lúnasa) , ainda que muitos deles chamem esse festivais por outros nomes, dependendo da Cultura Celta com a qual trabalhem. Outros dias sagrados individuais podem ser adicionados, dependendo de que Deidades ou Espíritos são importantes para seus celebrantes. Por exemplo, seguidores de Manannan mac Lir devem celebrar Seu dia sagrado próximo ao Solstício de verão, que é tradicionalmente a época em que o povo da ilha de Man paga o aluguel da ilha a Ele. RCs escoceses devem celebrar Latha na Cailleach em 25 de março, Equinócio de primavera, a data em que Brighd finalmente triunfa sobre Cailleach e inicia Seu reino durante toda a parte quente do ano.

O RC como um todo não segue a Roda óctupla do ano. RCs Gauleses seguem o calendário de Coligny o máximo que podem, mas mais uma vez o calendário não oferece um ciclo óctuplo de dias sagrados.

No Oiche Shamhna, nosso Ano Novo, nós prestamos nosso respeito aos nossos Ancestrais. Lá Fhéile Bríde marca o primeiro desabrochar da primavera, e é um dos festivais de Brighid. Lá Bealtaine é um festival de fertilidade quando o espinheiro floresce e os campos são plantados e semeados. Lá Lunasa é o primeiro festival de colheita marcado por jogos atléticos em honra da mãe adotiva de Lugh, Tailltiu, e as tempestades são vistas como a presença de Lugh nos ritos.

RCs podem celebrar os dias sagrados nas datas do calendário ou seguindo o calendário lunar que posicione o festival próximo à lua cheia de cada estação. Talvez a maioria dos RCs escolha a data da celebração baseada nas mudanças de tempo locais e na paisagem (primeiro gelo, calor e primavera, florescer dos espinheiros, e o amadurecer das amoras pretas e mirtilos e outros fenômenos). E uma tradição moderna, porém uma tradição importante seguida por muitos é celebrar a data No Dia Em Que Todos Podem Fazê-lo (normalmente no fim de semana mais próximo ao fenômeno).


Que tipos de rituais vocês têm?

Como qualquer outro caminho espiritual, nós temos rituais para as passagens da vida. Nós celebramos casamentos, abençoamos crianças, fazemos cerimônias de enterros e de passagem para a vida adulta. Nós ainda temos ritos sazonais que normalmente envolvem festejos e oferendas, e são celebrados em diferentes pontos do ano. Para o pessoal dos caminhos Gaélicos esses rituais são Samhain (Oíche Shamhna), Imbolc (Lá Fhéile Bríde), Bealtaine (Lá Bealtaine) and Lúnasa (Lá Lúnasa), ou o equivalente bretão para os caminhos insulares.

Uma prática reconstrucionista comum é se familiarizar com a terra que você vive, sua vida selvagem e ciclos sazonais naturais, e sincronizar seus festivais sazonais com essas mudanças que acontecem no local em que você vive.Os RCs no Hemisfério Sul vão observar mudanças diferentes dos RCs do Hemisfério Norte, e isso deve ser levado em consideração quando se planeja ritos sazonais.

Nós temos rituais baseados na cultura que são comunitários e principalmente celebrados na Natureza, e rituais menores e mais místicos ou extáticos.

Alguns indivíduos ou grupos podem ter rituais especializados, por devoções periódicas a diferentes Deidades. Baseados nas ordens históricas de mulheres mantenedoras de chamas existem grupos que mantém a chama sagrada de Brighid, cuidando de seu fogo em seus altares pessoais por um de cada vinte dias até que o fogo seja passado pessoalmente ou intencionalmente a outro devoto no rodízio. No vigésimo dia, é dito que a própria Brighid cuida da chama pessoalmente.

Alguns grupos ou ordens podem ter ritos de iniciação, como iniciações de guerreiro, ou ritos de visão divinatória como parte do treinamento ou rito de iniciação de filí (poetas) ou faithé (divinadores), onde vigílias em lugares selvagens ou sagrados possam ser realizadas por alguns dias seguidos.

Divinação pode ser parte de um ritual para muitas pessoas, e a divinação é quase sempre feita depois das oferendas, para determinar se a oferenda foi considerada aceitável pelas Deidades ou espíritos. O Ogham é comumente usado para isso, como também podemos ler presságios nos sinais ao nosso redor na Natureza, observando as nuvens, por exemplo.

Existem também rituais divinatórios e de transe como o tarbhfeis (festa do touro), ou o tigh´n alluis (cabana de transpiração gaélica), ritos que grupos e indivíduos diferentes procuram reconstruir através dos detalhes nos contos, manuscritos e folclore.


Você tem que ser um sacerdote ou uma sacerdotisa para fazer um ritual?

Não. Qualquer pessoa pode erguer um altar para as deidades, seus ancestrais, e os espíritos do local que habitem sua região. Qualquer pessoa pode depositar oferendas de libação aos Deuses e espíritos, ou fazer oferendas de comida biodegradável na base de uma árvore, no fogo, ou em qualquer outro lugar que pareça sagrado a eles e conectado aos espíritos do local.

Rituais maiores e públicos normalmente funcionam melhor com os que já tem experiência, mas qualquer um pode realizar rituais pessoais diários para mostrar seu respeito pelo sagrado e para se conectar com ele.


O que vocês fazem no Samhain?

Se você vive num lugar onde faz frio no outono, o Samhain (Oiche Shamhna) deve acontecer próximo à época da primeira geada.(A data do calendário é 31 de outubro, mas a maioria dos RCs a considera mais uma data aproximada que uma data exata, e ajustam a data para caber em seu clima regional). Na América do Norte, abóboras amadurecem e as frutinhas do espinheiro estão vermelhas e ficando macias. O festival em si é em honra aos mortos e para chorarmos os mortos que fizeram sua passagem recentemente. Devido à sua associação com os mortos, e ao Oíche Sahmhna sendo o tempo de Sua união com Dagda, muitos RCs depositam oferendas especiais à Morrighan nesse festival.

É apropriado fazer uma limpeza em casa com zimbro – uma tradição de Ano Novo nas highlands escocesas – e montar um altar ou santuário para os ancestrais. Na noite de Oíche Shamhna, muitos de nós fazemos uma festa com nossos amigos e família onde convidamos os honoráveis mortos para virem festejar conosco. Um lugar de honra é deixado à mesa ou no altar, onde a primeira porção do banquete e copos cheios de bebida são colocados para os mortos. Essa porção de comida não é comida jamais, mas é colocada do lado de fora quando a festa acaba. Velas são acesas para os mortos, e seus nomes são pronunciados. Relatos sobre suas vidas são compartilhados e brindes podem ser feitos em seus nomes.

É tradicional em muitas comunidades escocesas e irlandesas os adolescentes realizarem uma festa de fogueira no Oíche Shamhna, muitas das crianças mais novas podem ter festas mais supervisionadas ou particulares no trick-or-treating (doce ou travessura), que tem suas raízes em alguns costumes gaélicos ultrapassados. Um bom número de formas tradicionais de divinação sobreviveu nos jogos infantis, e esses são normalmente parte das festas de Oíche Shamhna. Um desses jogos é a tradição gaélica de divinação pela casca de maçã, onde a maçã é descascada numa única tira que é jogada por cima do ombro de uma pessoa com toda cerimônia; supõe-se que a casca forme a primeira inicial do nome de seu futuro cônjuge, ou a primeira letra da resposta para certa pergunta. Outro jogo divinatório envolve dar o nome de duas pessoas a duas castanhas e então colocá-las no fogo. Presságios são lidos através do modo como elas tostam ou pulam, e se elas permanecem unidas ou se separam.

Como parte de um ciclo agropecuário, o gado é trazido das montanhas nessa época e conduzido entre duas fogueiras para purificação e proteção para o inverno. Animais excedentes são abatidos e um sacrifício é realizado, com a carne sendo preparada para o estoque de inverno. Nos dias de hoje essas coisas raramente são necessárias a menos que você viva em zonas rurais e cultive seus próprios animais para consumo, mas esse pode ser um tempo propício para o abate e o sacrifício com oferendas de uma porção para as Deidades, ancestrais e espíritos do mesmo modo que você põe comida para si mesmo e para sua família.

Após essa época, as frutinhas dos arbustos são tradicionalmente consideradas propriedades dos espíritos e impróprias para o consumo humano. As últimas sementes que não foram plantadas são deixadas nos campos para os Espíritos.


O que vocês fazem no Imbolc?

Se você vive num clima onde o inverno é uma época de neve e geada, o Imbolc (Lá Fhéile Bríde) é normalmente visto como o tempo do primeiro degelo. Geralmente, uma época entre o final de janeiro e final de fevereiro, há um tempo em que a temperatura aumenta e o clima fica brevemente como o de primavera. Ainda que possa haver neve no chão, o primeiro desabrochar da primavera pode ser sentido.

Nos climas mais quentes, como em grande parte da Irlanda mesmo, o festival é marcado pela primeira aparição da folhagem verde ou pela chegada das flores de primavera como a prímula, açafrão e dente-de-leão, que são sagradas para Brighid. A lenda escocesa diz que, no dia de Brighid, as cobras emergirão do chão. Só faz sentido quando Lá Fhéile Brighid é celebradocomo o verdadeiro início da primavera mas, dado o clima na maior parte da Escócia, talvez a referência seja mais simbólica da conexão de Brighid com as serpentes, e a sabedoria, a cura e a imortalidade que elas simbolizam. Essa tradição de olhar a emergência da hibernação animal para predizer o tempo foi americanizada como o Groundhog Day.

Uma rima escocesa sobre o Imbolc diz:

Candlemas Day, gin ye be fair,
The half o’ winter’s to come and mair,
Candlemas Day, gin ye be foul,
The half o’ winter’s gane at Yule.

Outra versão é:

Gin Candlemas be fair and clear,
There’ll be twa winters in the year

(McNeill, F. Marian, The Silver Bough, Vol. Two. p. 30)

Uma lenda diz que Lá Fhéile Bríde é o dia em que a Cailleach reúne sua lenha para o resto do inverno.Se Ela precisar de muita lenha para o longo inverno que virá, Ela deixará o dia claro e ensolarado. Ela pode, por vezes ser vista como Lá Fhéile Bríde, na forma de um grande pássaro (normalmente um grou ou garça) carregando galhinhos em seu bico. Ver a Cailleach é normalmente um presságio de uma feroz tempestade de neve de inverno se aproximando.

Contudo, se Ela tiver decidido encurtar o inverno esse ano, não haverá razão para apanhar lenha; Ela poderá dormir o dia inteiro e fazer o clima em Lá Fhéile Bríde tão horrível quanto Ela queira.

Ainda se debate o quanto o clima em Lá Fhéile Bríde realmente determina o clima para o resto da estação. Alguns RCs secretamente acreditam que presságios de um inverno curto são um esperado prêmio de consolação pelo terrível clima no dia do festival. Alguns acham que uma neve suave no Dia de Bríde seja um bom presságio, tal qual é a chuva fina no Lá Lúnasa.

Outras formas de divinação também são praticadas em Lá Fhéile Bríde. Na Escócia, as crianças seguem corvos no dia do festival. A direção na qual os corvos seguem é dita como a direção na qual o futuro cônjuge reside, ou onde a futura casa de alguém fica.

Tradicionalmente, acredita-se que Brighid percorra a terra na véspera do Lá Fhéile Bríde, e muitos deixarão peças de roupas ou ferramentas de trabalho do lado de fora das portas na esperança de que Brighid irá abençoá-los para eles conforme Ela passe. Pela manhã, o chão é observado na procura por suas pegadas.

Muitos reconstrucionistas celebram Lá Fhéile Bríde dando boas vindas à Brighid em suas casas, baseados nos rituais registrados na Irlanda e Escócia por autores como Alexander Carmichael, F.Marian McNeill e Kevin Danaher.Uma das atividades favoritas, especialmente para aqueles que tem crianças, é confeccionar uma Cruz de Brighid de junco, palha, lã e madeiras sagradas como sorveira ou salgueiro, que então são abençoadas e penduradas na casa para proverem proteção para o ano seguinte. Na Escócia, Imbolc é um feriado bem para moças, com meninas vestidas de branco, ou com cores festivas de primavera, carregando uma efígie de Brighid por suas comunidades. Essa procissão vai parando em várias casas para descanso e talvez para oferecerem uma canção ou dança. Se o tempo estiver quente, às vezes os adolescentes fazem uma festa com fogueira nessa noite, enquanto os adultos celebram dentro de casa.

Como Brighid é uma Deusa dos poços sagrados, alguns RCs concentrarão seu ritual de Lá Fhéile Bríde nos pedidos de bênçãos na fonte de água local, fazendo peregrinação ao Seu poço ou reservatório, e em fazer oferendas à Brighid. Essas oferendas podem incluir comida e bebida, assim como músicas e poesias. Sacerdotisas e sacerdotes de Brighid normalmente usam essa época para um intenso trabalho de transe com Ela, e para adivinharem Seus desejos para o Ano Novo.

Lá Fhéile Bríde é um momento muito apropriado para se dedicar à escrita ou composição de poesias em geral, especialmente poesias de louvor para Brighid e outras liturgias. Enquanto a maioria dos outros festivais envolve viagens e festejos com grandes grupos de amigos e família, Lá Fhéile Bríde é o festival com mais ênfase no lar e na família, e atividades calmas com as pessoas da casa ou comunidade local.


O que vocês fazem no Bealtaine?

Num clima com invernos frios, esse festival acontece quando a primavera se torna verão.(A data do calendário é 1º de maio, ainda que a maioria dos CRs ajustem-na para caberem em seu próprio clima).RCs que tem espinheiros em sua localidade normalmente usam seus brotos para marcar o início da metade cara do ano.Devido ao Beltaine (Lá Bealtaine) ser tão ligado ao Samhain (Oíche Shamhna), muitas das atividades tradicionais que começaram então devem ser terminadas nessa época. É, por exemplo, o fim tradicional da temporada dos contadores de história que se inicia no Oíche Shamhna. Como Oíche Shamhna, essa é também uma época quando o mundo espiritual é visto como estando particularmente a nosso alcance.

Como esse dia é considerado como o início do verão na Escócia e Irlanda, as atividades tradicionais de verão começam nessa época. Na comunidades pecuárias, o gado e outros rebanhos são transportados dos estábulos e currais para os pastos de verão nas colinas, e são conduzidos entre duas fogueiras para se purificarem para o verão vindouro. Muitos RCs ainda celebram esse costume passando a si mesmos e a seus animais de estimação, e rebanhos, se por acaso tiverem, entre duas fogueiras nesse dia sagrado – o fogo em questão pode estar na forma de velas, tochas ou fogueiras.

Antes de sair para o festival, é tradicional apagar todos os fogos da casa e limpar a lareira. Em algumas casas esse é o único dia do ano em que se permite extinguir completamente o fogo. Os fogos do festival são então acessos tradicionalmente pela fricção (um tine-éigean ou fogo de fricção), e então são cuidados durante o festival e durante toda a noite seguinte. Isso acorre em áreas como Arran na Escócia e em muitas colinas sagradas na Irlanda.

Fogos dessas fogueiras são levados para casa para reacenderem a lareira de cada família. Hoje, fogueiras comunitárias podem ser construídas e vigílias acontecem na véspera de Lá Bealtaine antes que pessoas e animais passem por elas no cair da noite, e velas acessas nesses fogos são levadas para casa para boa sorte e proteção. Então fogueiras ainda são consideradas como fonte de proteção, boa sorte e fertilidade, de modo que uma pessoa jamais deve dar fogo que venha de sua lareira a outra pessoa nesse dia, pois a sorte da casa pode ir embora com ele. Essa é a única exceção à tradicional hospitalidade que é altamente priorizada durante todo o resto do ano.

Alguns RCs também mantêm o hábito de apagar e reacender o fogo da casa desligando a chama piloto em seus fogões e fornos antes de irem para o festival e depois de retornarem reacendem a chama piloto com a chama do fogo do festival. (Se você faz isso certifique-se de que você também fechou a linha de gás para certificar-se de que o fogo renovado não é uma explosão!). Um jeito prático de carregar pra casa os fogos do Lá Bealtaine é em uma jarra para velas, em lampiões estilo camping ou outros receptáculos para fogos.

Como o florescer dos espinheiros marca os adventos em Lá Bealtaine, é considerado de má sorte cortar qualquer parte de um espinheiro ou trazer qualquer parte deles para casa exceto em Lá Bealtaine por medo de ofender os Sidhe. Altares sazonais são freqüentemente decorados com os brotos de espinheiros nesse dia, para alguns é o único dia do ano em que não é considerado má sorte cortar a árvore.

Poços sagrados são freqüentemente visitados em Lá Bealtaine. Veneração a poços é um costume que ainda sobrevive nos territórios Celtas, e que acredita-se ter sobrevivido desde os tempos pré-cristãos. Muitos desses poços nas terras Celtas tem (ou um dia tiveram) espinheiros crescendo a seu lado.O poço é tradicionalmente alcançado antes do pôr do sol e circulado três vezes ao nascer do Sol, enquanto preces por saúde, prosperidade e cura são proferidas.Depois dessas preces serem feitas, tiras de roupas (normalmente uma tira da roupa da pessoa que fez a prece) são amarradas aos galhos das árvores, ou uma moeda de prata lançada dentro do poço, para atrair os bons pedidos.

Tradicionalmente na Escócia, um bannock de Lá Bealtaine era feito com aveia, ovo e leite misturados com a mão e intocados por metal. Um pedaço desse bannock era escurecido com fuligem e quem recebesse esse pedaço teria que passar três vezes pela fogueira para descarregar qualquer má sorte que possa recair sobre a comunidade. As primeiras verduras podem ser acrescentadas como parte da refeição ritual, para celebrar o seu retorno, o que deve ter sido muito mais importante na época em que verduras frescas simplesmente não eram disponíveis no inverno.Alguns RCs escolhem não comer pão ou outros alimentos de massa em memória dos grãos que eram raros nessa época do ano.

Cruzes de hastes iguais feitas de sorveira eram feitas e amarradas nos currais para protegê-los dos Sidhe e de outros espíritos que estavam pelas redondezas nessa época, uma vez que a passagem entre os mundos é mais fácil em Lá Bealtaine, assim como no Óiche Shamhna. Água de poços sagrados era e ainda é aspergida nas pessoas e nos animais para abençoá-los.

No amanhecer do Lá Bealtaine, moças devem juntar orvalho e lavar seus rostos com ele para receber beleza e juventude.Acreditava-se que a primeira água retirada de um poço nesse dia tinha o poder adicional de trazer a saúde e manter a juventude.

Diferentemente da maioria das comunidades neo-pagãs, os RCs não celebram Lá Bealtaine com paus-de-fitas (maypoles). Essa tradição não é celta, mas sim importada para as áreas urbanas de Gales, Escócia e Irlanda numa data razoavelmente posterior da Inglaterra e jamais alcançou as áreas rurais. Uma tradição praticada na Escócia e Irlanda que inclusive atingiu Newfoundlands é a decoração do arbusto de maio, e muitas vezes competições fervorosas acontecem para ver quem produz o mais festivo deles. Essa é uma maneira de celebrar o verdejar das folhagens e o sinal que a vida retorna a terra.
Esse costume parece ter sobrevivido de modo alterado em partes da diáspora irlandesa e escocesa, mais notavelmente no nordeste dos Estados Unidos, na tradição de decorar árvores com “ovos de páscoa” dependurados e outros símbolos vernais no início da primavera.


O que vocês fazem no Lúnasa?

Nos Estados Unidos, alguns RCs celebram a estação dos frutos como Lúnasa (Lá Lúnasa) ou rito de Tailtiu, por volta do começo ao meio de agosto (dependendo do clima em cada ano) quando os frutos finalmente estão maduros.No noroeste do Pacífico, o festival e marcado pelo amadurecimento das amoras pretas, enquanto no nordeste a fruta do festival é o mirtilo.

O dia ou final de semana escolhido é gasto na colheita de frutos selvagens e então há um banquete em que cada prato contém um tipo de fruta. Vinagre de mirtilos na cobertura da salada, molho de mirtilos no salmão ou galinha do prato principal, e tortas de frutas ou muffins para sobremesa. Oferenda de mirtilos são dadas as Deidades e espíritos da terra. Geléia de mirtilos e recheios de torta são feitos e guardados, vinagre de mirtilos é iniciado, e muitas vezes vinho de mirtilos também. Isso se aplica perfeitamente nas tradições de Lá Lúnasa da Irlanda e Escócia, onde esse trabalho com as frutas é parte do festival sazonal. É uma grande atividade comunitária que pode envolver toda uma extensa família da criança mais jovem aos anciãos, como também qualquer interessado e vizinhos. O hábito expressa a conexão regional com a terra como um ponto focal no calendário.

Lá Lunasa/Tailtiu é também a estação dos furacões em algumas áreas. Alguns RCs da costa leste dos Estados Unidos incluem oferendas de primeiros frutos, comida favorita e poesias a Cailleachan (Velhas da Tempestade) ou Lugh, pedindo à Eles para por favor pouparem suas casas, plantações e pessoas amadas das tempestades de fim de verão. Uma chuva leve no dia do festival é tradicionalmente vista como a presença de Lugh e um bom presságio. Do mesmo modo que um vento suave, ou ventanias que anunciam sua presença sem prejudicar ninguém, são vistos como a presença das ferozes Cailleachan. Outros RCs sentem que nenhum vento durante todo o festival é um presságio melhor, significando que as Cailleachan estão ocupadas em outro lugar e preocupadas demais em acidentalmente destruir o plantio maduro.

Dentre os antigos celtas, esse era o tempo das grandes reuniões, quando a população rural podia viajar para se encontrar com vizinhos distantes para negociar e celebrar. Esse hábito sobreviveu em algumas famílias que mantém a tradição de reunir a família em agosto, ou usam esse tempo para viagens distantes para verem seus parentes. Contudo, dado os entraves do cotidiano do trabalho moderno, especialmente entre aqueles que já não são rurais, as reuniões tem sido transferidas para o feriado de verão mais conveniente, como o feriado 4 de julho nos Estados Unidos.

Outra tradição praticada pelos antigos Celtas nesse festival inclui corridas de cavalo, especialmente corridas em que os cavalos devem nadar parte da distância percorrida. É também o tempo em que os cordeiros são separados de suas mães para o desmame, um costume que foi suprimido em muitas (mas não em todas) a áreas sob o Cristianismo devido as suas associações pagãs e substituído por outros métodos de desmame. Outro costume comum está relacionado à contratação de casamentos “temporários”, que podiam ser dissolvidos à vontade até o Lá Bealtaine seguinte. O festival como um todo era uma época de significativa competitividade sexual entre as mulheres (e possivelmente homens), com muitas artimanhas registradas (como uma em que uma mulher pagou a um palhaço para arrancar publicamente a peruca de uma rival na Feira de Tailtiu). Entre os RCs, Lá Lúnasa inicia a estação preferida para casamentos, que vai até o próximo Oíche Shamhna.


Fala-se muito sobre essas “práticas”, mas você pode descrevê-las com mais detalhes?

No RC, práticas espirituais variam dentre os diferentes grupos e indivíduos, mas o fio comum é que elas se baseiam na Tradição Celta e em nossas melhores interpretações de como nós podemos aplicar métodos tradicionais de rituais, meditação, preces e divinações e outros atos devocionais em nossas atitudes diárias.

Pessoas diferentes tomam caminhos diferentes na estrada rumo ao desenvolvimento espiritual.As práticas espirituais de alguns RCs são muito focadas no contemplativo e no místico, enquanto outras envolvem um caminho mais baseado em atividades exteriores. Alguns preferem trabalhar na maioria das vezes sozinhos, enquanto outros se encontram nas celebrações comunitárias.Muitos empenham-se em descobrir ou desenvolver um caminho pessoal que equilibre essas abordagens.

Seguidores do caminho do guerreiro muitas vezes encontram na prática de artes marciais uma meditação para eles, e devotam uma parte de seu espaço de treino a um altar para as Deidades de combate e armamentos. Alguns podem estudar a arte da ferraria ou da feitura de arcos e flechas como parte de sua devoção. Para alguns, o trabalho com cavalos também se inclui aí, e seus contato com os animais é parte de suas práticas espirituais. Trabalhar com cães de caça pode também ser parte da prática de algumas pessoas, especialmente se eles se identificam com os Excluídos/Fianna. Muitos no caminho do guerreiro podem também buscar o trabalho ou voluntariado com a lei, fogo e resgate, serviços de emergência médica, busca e resgate e similares como uma expressão de sua espiritualidade.

Para aqueles que seguem o caminho do curandeiro, o cultivo e preparação de ervas curativas é parte da prática espiritual.Orações e oferendas são feitas no plantio e colheita, e a atenção no plantio de ervas é em si um ato de culto e meditação.Se as ervas crescem em campos ou em vasos de plantas, a conexão com a terra e os espíritos da Natureza oferece um caminho satisfatório de devoção com as Deidades Curadoras, especialmente Deusas como Brig e Airmid.

RCs em geral são encorajados a estar ao ar livre e em contato com o mundo natural. Aqueles de nós que vivem em cidades vão muitas vezes ao campo ou saem por caminhadas diurnas para meditar em lugares selvagens. Nós achamos que tal prática recarrega nossas fontes emocionais e espirituais, levando-nos a um profundo contato com as Deidades através do fogo, vigílias e orações que são feitas. Peregrinações até o mar são comuns para aqueles que vivem no interior, especialmente se há uma conexão com Deuses como Manannan Mac Lír ou Fand, e oferendas de comida, flores e bebidas são muitas vezes colocadas na água ou derramadas no mar para Eles.

Os fíli (poetas) da Irlanda postularam uma estrutura energética do corpo que consiste em três “caldeirões” internos.Esses caldeirões eram Coire Goiriath – O Caldeirão do Calor, Coire Érnai – O Caldeirão da Movimento, e Coire Sophis - O Caldeirão da Sabedoria. Muitos dos que estão trabalhando com o filidecht moderno na tradição RC escocesa ou irlandesaencontram aí um útil modelo de meditação e trabalho de cura.Maiores informações sobre a perspectiva RC desse material podem ser encontradas no artigo de Erynn Rowan Laurie O Caldeirão de Poesia.(n.t. em adiantado processo de tradução por Lornnah Carmel). Ele inclui uma tradução preliminar do texto, comentário, e idéias de exercícios de respiração como também pensamentos sobre o caminho do RC Filidecht. Uma edição do texto em irlandês e uma tradução posterior mais completa em inglês feita por Laurie também estão disponíveis.

Muitos de nós fazemos um trabalho divinatório, usualmente com o ogham, um alfabeto irlandês primitivo. Divinações e presságios fazem constantemente parte de um ritual maior e da dádiva de oferendas, aí podemos ter alguma noção da opinião das Deidades, ancestrais e espíritos da Natureza com relação ao trabalho que realizamos. O estudo do ogham e outros métodos de augúrio formam e informam muitas de nossas abordagens. Sonhos e o cultivo de visões também são importantes na prática pessoal de muitos daqueles que estão nos caminhos mais místicos do RC.

Quase todo mundo em seu dia-a-dia pode se “ritualizar” e se cercar com o sagrado. A preparação de uma refeição pode ser uma tarefa sagrada. Limpar a casa pode ser apropriado tanto como meditação como para limpeza espiritual- um ato de glanadh (purificação). Dar boas vindas a um convidado com comida e bebida é praticar o ato sagrado da hospitalidade, e isso é um exemplo concreto da virtude em ação. Estudar a história e tradições é um ato devocional às Deidades de sabedoria, eloqüência e conhecimento, como Ogma e Brighid.

Práticas espirituais não se limitam a atividades separadas das tarefas do dia-a-dia. A vida é uma prática espiritual.

Veja também Como se cria um espaço sagrado?, Como faço para começar?


As oferendas parecem ser uma parte realmente importante de todos esses rituais. Como eu faço uma oferenda?

Oferendas são uma parte muito importante da prática RC.Elas são feitas em todos os rituais maiores como também são freqüentemente feitas em rituais menores e privados.Algumas pessoas fazem oferendas diárias ou semanais para os espíritos de casa, ancestrais ou Deidades, como parte de sua prática devocional.

Fazer oferendas é uma coisa simples para quem vê de fora. Parece que é simplesmente um ato de colocar comida e bebida no altar, ou deixar essas coisas num local externo que você considere sagrado ou conectado às Deidades, ancestrais ou espíritos da terra. Na verdade, é uma coisa mais complicada e envolve tanto intenção quanto energia. Oferendas não são apenas comida e bebida, mas podem ser também trabalhos criativos que você fez, ou poesias, músicas e outras artes. Às vezes, velas ou incenso são acesos como parte da oferenda. Comida e bebida, porém, são os itens mais utilizados, e são mais consistentemente disponíveis a qualquer pessoa em qualquer região.

Tradicionalmente as oferendas de comida incluem leite, manteiga, hidromel ou cerveja, pães ou bolos, aveia, avelãs, bagas de sorveira, maçãs, e outros itens freqüentemente mencionados nos contos e na sabedoria popular. Carne também pode ser parte de uma oferenda, e salmão é freqüentemente dado como oferenda por aqueles que buscam sabedoria.Água também é uma oferenda comum, particularmente se for água de alguma fonte sagrada ou poço que foi coletada ritualmente durante uma peregrinação a um poço sagrado. Quando ofertamos aos espíritos locais, alguns praticantes de RC na América do Norte incluem oferendas de tabaco, milho, sálvia ou outras comidas nativas, dependendo dos gostos e desgostos tradicionais desses espíritos e o que eles parecem requerer de nós.

Quando preparamos uma oferenda, é bom oferecer orações às Deidades e espíritos a quem você está ofertando. Isso o ajudará a concentrar-se em sua atenção nEles e na intenção sagrada da criação de uma oferenda. Um glanadh ou limpeza da pessoas e dos itens envolvidos na oferenda por muitas vezes faz parte da preparação da oferenda.Comida e bebida podem ser colocados em recipientes usados pela primeira vez ou usados apenas para fazer oferendas. Não há necessidade de ser algo caro ou ornamentado, mas deve ser algo que você considere belo e funcional.Para oferendas no fogo, a comida e a bebida serão colocados nas chamas, mas esses recipientes devem ser preservados, a não ser que você ponhas as oferendas em recipientes de madeira que você julgue fazer parte da oferenda ou sacrifício.Oferendas feitas ao ar livre não devem ser deixadas em pratos ou potes.Oferendas líquidas são comumente despejadas enquanto orações são feitas. Oferendas ao ar livre devem ser dadas à terra ou colocadas na água com cuidado, tal qual oferendas feitas dentro de casa são postas em altares com cuidado. Oferendas nunca devem ser simplesmente colocadas no chão como lixo.

A oferenda de bebidas alcóolicas é controversa.É claro na sabedoria celta que muitas Deidades e espíritos apreciam oferendas de hidromel e ale (n.t. um tipo de específico de cerveja).Porém, alguns de nós que moramos nas Américas estamos conscientes do fato de que muitos nativos sentem que é um tabu colocar álcool na terra, pois ele é venenoso.Um compromisso daqueles que escolheram ofertar álcool é o de só oferta-lo quando puder ser lançado às chamas e consumido pelo fogo.
A oferenda atual deve ser acompanhada por orações ou poesia dedicadas às Deidades ou espíritos.As palavras não precisam ser rebuscadas, mas devem ser de coração.Algumas pessoas gostam de ofertar fazendo suas preces em gaélico ou na língua de sua Deidades, enquanto outros fazem as orações em sua própria língua nativa.Para alguns, é importante fazer a oferenda com palavras tradicionais ou uma fórmula verbal semelhante toda vez, e eles compõem orações para oferenda que são usadas toda vez que uma oferenda é feita.Outros acham mais apropriado fazer cada oferenda com palavras inspiradas no momento e que estejam mais de acordo com o propósito de cada oferenda individual.

A atenção de cada um presente durante a oferenda deve estar fixas na tarefa em mãos, sem conversas paralelas acontecendo.As oferendas são uma parte vital de nossos contratos sociais e espirituais com as Deidades, os Ancestrais e espíritos.Fazer uma oferenda é estender a hospitalidade à essas entidades, é abrir-nos para uma comunicação com eles e que deve sempre se feita com reverência e respeito.Oferendas podem ser feitas em agradecimento por serviços que as Deidades e espíritos tenham feito, ou como uma parte regular de suas práticas diárias ou semanais.Podem ser feitas como parte de um ritual maior, ou como pedido especial de assistência e favor em tempos de necessidade.Quando fazemos uma oferenda como parte de um pedido, lembre-se também de oferecer em agradecimento quando o pedido for atendido.

Oferendas dentro de casa em seu altar podem ser deixadas por pernoite ou algumas horas, mas devem ser deixadas do lado de fora ou dadas para a terra quando possível.Oferendas às Deidades e espíritos não devem ser comidos, por conseguinte.RCs geralmente acreditam que o toradh (“substância”) das comidas e bebidas ritualisticamente oferecidas foram consumidas pelos espíritos, e que consumir aquilo que foi dado aos Deuses e espíritos é substancialmente perigoso aos vivos.Isso foi também parte das crenças escocesas e irlandesas primitivas e, com isso, as oferendas deixadas do lado de fora eram observadas para verificar se os gatos e cães da família não as pegariam.Se você tem uma lareira, forno à lenha, ou outro lugar para acender um fogo, também é bem aceitável queimar as oferendas assim que removidas do altar.

Nos casos onde as oferendas são feitas em grandes rituais públicos em centros urbanos, pode não ser pratico colocar as oferendas do lado de fora em seguida, por questões de saúde e segurança.Deixar as oferendas em um beco atrás de um edifício alimentaria ratos e não deixaria seus vizinhos felizes.Em casos assim, comida e bebida podem ser temporariamente mantidas em recipientes e mais tarde colocadas em um parque ou numa fonte, ou- com o devido reconhecimento e orações- pode ser dispostas em um depósito de lixo. Essa opção, contudo, á a última escolha e deve ser feita somente quando não há chance de se colocar a oferenda em lugares naturais.Tenha isso em mente quando planejar um ritual urbano ou dentro de casa, a maioria dos RCs se certificarão de que um passeio até o parque ao lado, ao menos pelos oficializadores, está incorporado ao ritual.

Após as oferendas serem feitas, muitos RCs fazem a divinação para verem se as oferendas foram aceitas.Essa prática envolve o presságio dos arredores, ou o sorteio de um ogham fiodh para sabermos a resposta das Deidades e espíritos.Se o presságio ou divinação forem desfavoráveis, é sábio considerar a realização de novas oferendas concentrando-se novamente em suas intenções.Nesse caso, a oferenda é o momento não apenas de conversar com as Deidades e espíritos, mas também de ouvir suas mensagens para nós.
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