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Nimue Ninfae
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Como o RC é diferente de Wicca, Xamanismo Celta, etc?

Vocês são como a SAC?

Não. Nós não estamos interessados em recriar a Idade do Ferro. Nós não nos chamamos de Lorde ou Lady, ou alegamos ter qualquer título real ou nobre. Nós estamos interessados nas culturas Celtas primitivas pelo que elas podem nos ensinar sobre a natureza espiritual da humanidade, e em aplicar isso nas nossas vidas modernas.

Aqueles que seguem um caminho de guerreiro o fazem pelo mesmo motivo pelo qual pessoas estudam artes marciais do oriente – para desenvolver nossos corpos, mentes e espíritos em uma estrutura filosófica específica.

Similarmente, aqueles que estão reconstruindo o caminho do druida ou file, ou o do RC chefe de família (para citar alguns exemplos) estão encontrando as formas como esses papéis antigos, e suas práticas associadas, vêm preencher nossas atuais necessidades espirituais e emocionais, assim como as necessidades das nossas comunidades. Nós buscamos integrar essas descobertas à vida moderna que é funcional e repleta de religiões, mais do que recriar um contexto da Idade do Ferro.

Mesmo que alguns indivíduos do RC também possam participar de grupos recreativos como A Sociedade do Anacronismo Criativo (SAC) ou de feiras renascentistas, isso é visto como uma parte bem distinta e separada de suas vidas, e não uma parte de sua espiritualidade. RCs não são mais nem menos inclinados a grupos de re-encenação histórica do que qualquer outro segmento da população.


Então vocês são Satanistas?

Não. O RC não possui nenhum conceito de deidade que seja vagamente equivalente a Satã. Uma pessoa não pode adorar o que não é parte da sua religião.

Muitos RCs não vêem os espíritos ou Deuses que possam ser pouco amigáveis para nós como "maus" e sim como uma variedade de "Forasteiros". Talvez esses seres sejam hostis, talvez pouco amigáveis e desconhecidos, mas eles também podem ser espíritos ou Deuses que são amigáveis para outros. Por exemplo, muitos Reconstrucionistas Irlandeses podem considerar os Formorians como adversários a seus Deuses. No entanto, para aqueles que seguem as tradições da Ilha de Tory, Balor, um Formorian proeminente, era reverenciado. Isso não faz dos seguidores da Ilha de Tory um equivalente RC aos "Satanistas", de forma alguma.

Eles são apenas pessoas que vivem em um lugar diferente e possuem alianças diferentes. Similarmente, alguns RCs com uma conexão com o mar fazem oferendas para Domnu, que é primeiramente vista como uma Deusa das profundezas, e que também dá Seu nome à tribo dos Formorians, que às vezes são chamados de Tuatha Dé Domnann. Enquanto os Formorians possam ter conflitos com os Tuatha Dé Danann em lendas específicas, essa inimizade pode ser aplicada apenas a este conflito; isso não faz com que os Formorian sejam inerentemente maus.

Também está claro que há limites ao se generalizar a respeito dos Formorians, ou quaisquer outros seres que tenham, a certo tempo. entrado em conflito com outros seres. Os contos antigos são claros quanto a alguns dos Tuatha Dé Danann serem parte Formorian, ou terem sido criados por pais adotivos Formorian. Como humanos, espíritos e Deuses não estão limitados por sua raça ou criação, e podem mudar com o tempo, especialmente se é de seus interesses formar novas alianças e deixar conflitos antigos de lado.

Também é claro, pelo conhecimento que foi preservado, que muitos Deuses e espíritos podem ser travessos. Mesmo uma Deidade Celta que normalmente é benfazeja pode resolver pregar uma peça em um humano, ou porque crê que essa é a melhor forma de ensinar a esse humano uma lição, ou porque quer testar essa pessoa. Por isso, no RC, é importante lembrar que se espera que sejamos fortes e inteligentes, e não ingênuos.

Só porque um espírito qualquer alega ser uma Deidade, ou mesmo que ele seja uma Deidade, nós não concordamos em fazer coisas que vão contra nossa ética simplesmente porque algum ser que consideremos mais sábio parece sugerir que o façamos.

Veja também Vocês falam um bocado dos Forasteiros e seu papel. O que é isso?


Então vocês são Wiccanos?

Não. Wicca e RC não possuem nenhuma semelhança real entre si. Os rituais não são conduzidos da mesma forma. Nossa visão de mundo é muito diferente, assim como nossa visão de Deidade. Alguns ramos da Wicca se referem a si mesmos como "Celtas", mas em sua maioria tudo o que fizeram foi pegar emprestadas algumas Deidades e nomes de celebrações, nenhuma delas usando qualquer das formas Celtas de adoração, primitivas ou modernas, ou a cosmologia básica que é mostrada nas fontes textuais e sítios arqueológicos.

Veja também Qual é a diferença entre o RC e Neopaganismo Celta?, Porque os RCs odeiam a Wicca e os Wiccans? e Quem pode me iniciar em sua tradição super-hiper-secreta retirada das antigas brumas do tempo? Vocês são os “filhos ocultos da Deusa”, certo?


Se não há uma Regra, vocês não devem ter ética nenhuma.

A Regra da Wicca (“se a ninguém prejudicar, faze o que tu queres” e variantes) é só isso - da Wicca. Ela tem sido largamente aceita por várias tradições Neopagãs ecléticas, mas não é o único modelo para o comportamento ético mesmo dentro da comunidade Pagã como um todo. Certamente ela não é um modelo Celta de comportamento ético em nenhum sentido histórico, e os RCs não aderem a ela além do fato de que é geralmente uma boa idéia minimizar o mal que você causa no mundo. O Cristianismo não segue a Regra, mas possui suas próprias estruturas éticas, como as tem o Hinduismo, o Islamismo, o Budismo, e todas as outras religiões do mundo. A ética RC está baseada nas virtudes ilustradas nos contos, textos de instruções como "As Instruções de Cormac”, as “Tríades da Irlanda”, onde eles indicam situações éticas, e o ideal Gaulês de que “as pessoas deveriam adorar os Deuses, não fazer o mal e exercitar a coragem”.

Veja: Qual é a base ética do RC? e Vocês praticam magia? Caso pratiquem, de que tipo e por que?


Então vocês cultuam a Deusa Tríplice, a Donzela/Mãe/Anciã?

A idéia de que toda, ou ainda que qualquer, Deusa se encaixa em uma estrutura Donzela/Mãe/Anciã não é Celta. Graves inventou isso quando estava escrevendo seu "trabalho de imaginação poética", A Deusa Branca (The White Goddess). Deusas Celtas aparecem na sabedoria tradicional com uma variedade de idades, em uma variedade de diferentes aspectos, de acordo com Seus propósitos. No ponto em que elas possam ser categorizadas de alguma forma, Elas são categorizadas por função, não por idade.

Elas são vistas como indivíduos abrangentes, com Suas próprias preferências, relacionamentos e atividades, da mesma forma que a maioria dos humanos que há por aí. Dito isso, há um número de Deidades Celtas que são conhecidas por possuir três faces. Brighid e A Morrígan são duas das mais conhecidas, mas elas são comumente descritas como três irmãs, e não com idades radicalmente diferentes.


Então vocês não cultuam o Senhor e a Senhora?

Novamente, nós somos politeístas. A idéia de "todas as Deusas são uma Deusa" (ou "todos os Deuses são um Deus) vem de um ocultista do início do século XX, Dion Fortune, e de algumas idéias do Hinduísmo tardio. Não é parte de uma tradição Celta.

Veja Vocês adoram a Deusa?, Quais Divindades vocês adoram?, Então vocês adoram todas as Divindades Celtas? e O que vocês querem dizer com isso de que o RC não é uma religião dualista?


Então vocês acham que Deus é uma mulher? Não é disso que fala todo aquele blábláblá daquela porcaria de bruxaria feminista?

Os ancestrais Celtas cultuavam ambos Deusas e Deuses. Como politeístas, nós cremos que o Divino assume uma variedade de aparências, e pode se manifestar em qualquer gênero.

Os Celtas eram basicamente uma sociedade patriarcal, e isso está refletido na sabedoria popular. No entanto, há razão para se crer que eles davam mais ênfase às Deusas do que as demais culturas Indo-Européias (IE). Por exemplo, foi notado que em outras culturas IE, a linha de procedência da Soberania é do Pai do Céu, enquanto que nas sociedades Celtas parece advir da Deusa da Terra local. Essa não é meramente uma diferença cósmica, e sim uma diferença fundamental na filosofia. Enquanto eles estavam longe de ser igualitários em um sentido moderno, os Celtas Antigos eram mais igualitários do que a maioria dos demais povos de origem IE, com algumas mulheres possuindo bens, lutando e tendo mais direitos do que mulheres em outras culturas da época. Também é possível que algumas sociedades Celtas fossem estruturalmente matriarcais, embora isso fosse provavelmente fora dos padrões.

Devido a essa história patriarcal, muitos RCs acreditam que havia muito foco nos Deuses no passado e que as Deusas haviam sido negligenciadas. Então eles procuram retificar isso em sua prática pessoal. Outros não pensam muito a respeito do gênero e simplesmente se focam nas Deidades de qualquer tipo que os chamem. Qualquer caminho é válido. Às vezes os monges Cristãos escolheram por registrar uma grande quantidade de informações sobre um Deus, e uma Deusa é simplesmente posta de lado como a esposa, a mãe ou a filha daquele Deus. Devido a essa tendência histórica, às vezes há mais trabalho de reconstrução a se fazer em relação às Deusas do que aos Deuses. Esse processo de reconstrução pode envolver a tecelagem de fios disparatados de uma variedade de manuscritos e contos diferentes até que uma imagem mais completa aflore. Em outros casos, como o de Brighid ou de Morrígan, nós temos uma grande quantidade de informação sobre algumas Deusas. Essa pode ser uma das coisas que contribuem para Sua popularidade crescente.


Vocês traçam um círculo e chamam os quadrantes em seus rituais?

Não. Essas idéias vêm da concepção de Magia Cerimonial do fim do século IXX de como delinear e santificar um espaço sagrado, e como tais são baseadas em algumas interpretações muito questionáveis de livros da tradição Medieval e Renascentista, combinadas com idéias de procedência desconhecida (mas que parecem ter derivado das imaginações das pessoa que criaram a tradição da Magia Cerimonial do século IXX). Quando Gardner criou a Wicca, ele incorporou essas idéias dentro do formato ritualístico Wiccano. No entanto, elas não são parte da tradição Celta.

Por outro lado...

Deveria-se notar que recentemente tem havido debates vigorosos a respeito de uma questão similar dentro do RC. Um lado defende a validade de um sistema de atributos direcionais de uma história chamada "O Estabelecimento da Mansão de Tara", na qual quatro ou cinco direções, baseadas nas províncias da Irlanda, são atribuídas a certos conceitos amplos (como "sabedoria" ou "prosperidade"), e as personagens na história estão localizadas de acordo com seus lugares de origem e, por extensão, com seus atributos. No entanto, ninguém tentou sugerir uma associação cosmológica/espacial para outros textos que incluam "assentos marcados" semelhantes, incluindo Fled Bricrenn e Togail Bruidne Da Derga, apesar de Fled Bricrenn possuir trinta e quatro locais de assento, exatamente o mesmo número de assentos compartimentados que foram encontrados na "estrutura de quarenta metros" em Emain Macha.

O outro lado crê que o arranjo "Tara" possui pouco uso para atividades ritualísticas, já que se trata de pouco mais do que lugares marcados na história em questão, e que é mencionado em apenas uma história, e alguém poderia facilmente colocar um sistema de trinta e quatro direções a partir desses exemplos. Eles também acham que não é realista limitar as qualidades associadas com áreas inteiras do país, e ainda menos apropriado transferir essas qualidades "direcionais" para outras terras diversas na migração. Esse lado crê que a cosmologia dos Três Reinos é mais autêntica dos Celtas - é muito mais mencionada na sabedoria popular, e os Celtas antigos faziam seus juramentos pela terra, pelo mar e pelo céu. Partidários do sistema dos Três Reinos também tendem a crer que a recente, limitada popularidade da estrutura das quatro (ou cinco) direções se dá devido ao desejo entre alguns por algo que pareça com a Wicca, ou que vá ter apelo para aqueles mais familiarizados com a Wicca e tradições influenciadas por esta como muitos do NeoPaganismo Eclético. No entanto, já que o RC começou como uma alternativa para as tradições não-Celtas como a Wicca, eles não vêem nenhuma razão para estruturas que supram esse desejo. O lado dos Três Mundos é o mais velho na comunidade RC.

Nós, sem maiores intenções, chamamos atenção para o fato de que há evidência arqueológica de algumas estruturas ritualísticas com quatro postes alinhados com os pontos cardeais em torno de um poste central. Entretanto, outros padrões estruturais também existiram, e a mera existência desse padrão estrutural não automaticamente significa que eles o utilizavam para "invocar" as direções e as qualidades que elas possam ou não representar. Isso pode refletir as cinco árvores sagradas que são vistas em outro lugar da sabedoria popular. Até onde sabemos, eles podem ter considerado aquelas árvores aquilo o que sustentava o mundo. No entanto, a última é uma suposição e dificilmente se qualifica como GPS [Gnose Pessoal Sem-fundamento]. Isso pode também significar que essa é simplesmente uma forma conveniente de construir qualquer estrutura, seja ela para uso sagrado ou profano.

Há evidências de que, entre alguns Celtas, os ventos (gaoithe) eram associados a qualidades ou cores, como visto no Saltair na Rann e em algumas poesias Irlandesas e Escocesas. Entretanto, ventos vindos de muitas direções - geralmente doze ventos e sub-ventos - algumas vezes eram nomeados, e até mesmo os "atributos" dos quatro principais foram baseados na geografia local e padrões sazonais de clima, não de uma forma rígida, universal, nem com uma concepção "astral" das qualidades direcionais. RCs que conhecem os ventos, ou que lêem neles presságios, geralmente seguem essa proposta das localizações e então adaptam as variadas associações tradicionais aos seus ambientes locais.

Marian McNeill inclui uma menção breve a alguém traçando um círculo no chão com um punhal ou um galho, como proteção contra "espíritos maus", e com a declaração "Que a Cruz de Cristo esteja sobre mim!" No entanto, isso foi registrado em tempos relativamente recentes, e não existem formas de dizer se essa era apenas uma prática pós-Cristã, ou baseada em algo mais velho. Nem há nenhuma indicação do quão difundida essa prática pode ter sido, especialmente porque McNeill parece ser a única menção da mesma. Mas mesmo que isso tenha sido baseado em um precedente pré-Cristão, parece claro que era visto apenas como uma forma de proteção emergencial contra o mal, não uma forma padrão de ritual, nem era uma forma de interagir com espíritos benéficos.

Embora as opiniões sobre essas sabedorias populares se diferenciem, todos os RCs concordam que Magia Cerimonial e conceitos Wiccanos de "traçar" um círculo e "chamar quadrantes" e suas justificativas cosmológicas, são completamente alienígenas às práticas de qualquer dos povos Celtas. Já que algumas pessoas que desejam ter ordens específicas ampliadas se aproveitaram dessas pequenas controvérsias como "prova" de que a Wicca derivou-se de tradições Celtas, ou que formas rituais Wiccanas podem ser usadas no RC, elas merecem ser abordadas aqui.

Veja também Por que você não quer que eu branda minha faca para os espíritos? e Como criar um espaço sagrado?


Por que você não quer que eu branda minha faca para os espíritos?

A sabedoria Celta Insular é bem clara quanto ao "ferro frio" ser ofensivo ao Sídhe. Como os Sídhe são diversamente vistos como as Deusas e Deuses, os ancestrais e/ou os espíritos da natureza, é uma má idéia enfurecê-los. A idéia de prender espíritos e tentar comandá-los com facas e espadas é derivada da Magia Cerimonial, e das tradições influenciadas por esta, como a Wicca. Entretanto, o RC é desenvolvido em torno das tradições Celtas como a ativa Fé das Fadas, onde nós estabelecemos relacionamentos de respeito mútuo e hospitalidade com aqueles espíritos que estejam dispostos.

Para algumas idéias de como lidamos com espíritos que possam nos perturbar durante um ritual, veja também Vocês falam um bocado dos Forasteiros e seu papel. O que é isso?


Qual é a diferença entre o RC e Neopaganismo Celta?

Seguindo a definição do dicionário de “Neopagão”, o RC é uma forma de Neopaganismo; isso porque ninguém vivo hoje herdou uma tradição Celta antiga, através de uma linha contínua e inteiramente politeísta ao longo do tempo. Alguns aspectos de nossa prática são, por necessidade, recriações de práticas antigas ou invenções modernas baseadas em precedentes históricos. Por outro lado, há hoje muitas associações comuns com os termos “Neopagão” e “Neopagão Celta” que são diametralmente opostas aos valores e crenças do RC.

Embora alguns que se considerem Neopagãos mostrem respeito pelas culturas que os inspiram, há, infelizmente, muitos outros Neopagãos que produzem os piores exemplos de apropriação cultural e ecleticismo disrespeitoso. Além disso, “Neo-” significa “Não-” em Gaélico Escocês (Gàidhlig). Como o RC é definitivamente uma tradição Politeísta/Pagã, e vários de nós estão envolvidos em comunidades que usam o Gàidhlig, o termo não é confortável em uma comunidade multilingual. Embora o significado literal da palavra “Neopagão” não seja um problema para nós, estar associado com a violenta apropriação cultural e o usual ecleticismo da comunidade Neopagã em geral o é. Por esses motivos, a maioria dos RCs não se identificam como Neopagãos, preferindo termos como “Politeístas”, “Pagãos”, ou outros termos em línguas Celtas.
Portanto, neste documento, quando nos referirmos a Neopaganismo “Celta”, nós não estamos nos referindo a qualquer crença ou prática do RC.

O Neopaganismo "Celta", que geralmente é Neopaganismo eclético com alguns elementos Celtas descontextualizados, fia-se a princípio nos modelos rituais e filosóficos da comunidade Neopagã em geral. Inclui traçar círculos, usar o athame e outros instrumentos da Magia Cerimonial, um modelo de quatro elementos e quatro direções, e freqüentemente abraça a Regra da Wicca como elaboração ética. Dentro desse modelo, Neopagãos podem chamar por Divindades Celtas, embora essas Divindades sejam comumente vistas através das lentes do Neopaganismo eclético - Deusas tríplices que são irmãs na sabedoria popular Celta original são freqüentemente re-interpretadas como trindades tipo Donzela-Mãe-Anciã. Deuses são re-interpretados como solares e Deusas como lunares, quando esse padrão não é verdadeiramente parte da Crença Celta inicial. Deuses corníferos são vistos como Deuses da Caça ao invés de deidades Mercuriais transfuncionais associadas à travessia de fronteiras. A moderna roda do ano de oito pontos é usada ao invés de se focalizar nos festivais sazonais e culturais verdadeiros dos Celtas.

Neopaganismo "Celta" fia-se mais em magia e em feitiços do que é a tendência em RC. Enquanto o Neopaganismo "Celta" comumente emprega linguagem que sugere que os Deuses e Deusas possam ser "usados" ou comandados, e imagens de invocação e demissão, o RC é focado no desenvolvimento de relacionamentos tribais ou familiares recíprocos através da prática de oferendas, hospitalidade e convite. É mais fácil o RC conceber a relação com as Deidades como um processo de oração, apelo, e afeição mútua, do que de invocações e feitiços. Neopaganismo "Celta" comumente rejeita o rótulo de religião, em favor de espiritualidade, enquanto que o RC abraça ambas religião e espiritualidade como formas válidas de abordagem da relação humana com o sagrado.

O Paganismo do RC não abraça os modelos ritualísticos ou a ética da Wicca e do Neopaganismo eclético, procurando os modelos mais antigos, Celtas, ao invés. Nossa cosmologia é diferente, nossa ética vem de uma visão de mundo muito diferente, e nossa abordagem do Divino é diferente também. O RC, em muitos aspectos, tem mais semelhança com as religiões tribais animistas do que com o Neopaganismo eclético moderno. No RC há uma ênfase maior nos ancestrais (de onde quer que eles nos saúdem) e espíritos da terra locais do que no Neopaganismo "Celta". Caminhos de guerreiro são mais abraçados do que rejeitados. Sacrifício em certos contextos é aceito como parte da religião enquanto o Neopaganismo "Celta" esquiva-se dessa idéia.

No Neopaganismo "Celta", os rituais tendem a ser vistos como separados da vida diária, realizados em dias sazonais e em luas cheias ou novas. O RC abraça os pequenos, diários atos de purificação, devoção e concentração como parte de um padrão contínuo de ritualística que se move do erguer-se de manhã até o ir dormir à noite.

Alguns RCs sentem que o Neopaganismo Eclético que incorpora elementos Celtas é uma parte aceitável do continuum Celta, e que essa diversidade deveria ser encorajada. Outros RCs sentem que o eclético Neopaganismo "Celta" nunca deveria ser chamado Celta se está apenas pegando pedaços da cultura Celta fora de contexto, e nesse processo às vezes obscurecendo crenças e práticas Celtas verdadeiras. Muitos acreditam que, ainda que sem intenção, essa representação errada das práticas e crenças ecléticas como Celtas é uma forma de imperialismo cultural.

Veja também Porque os RCs odeiam a Wicca e os Wiccans? e Quem pode me iniciar em sua tradição super-hiper-secreta retirada das antigas brumas do tempo? Vocês são os "filhos ocultos da Deusa", certo?


O Cristianismo Celta é parte do RC?

Reconstrucionistas Celtas são dedicados a reviver a religião antiga Celta. Os Celtas antigos eram politeístas.

Dito isso, com sua veneração de vários seres divinos (santos), e sua reverência para com a natureza e a contemplação, o Cristianismo Celta primitivo não era tão diferente do Paganismo que o precedeu. Enquanto a bisavó de um Cristão Celta primitivo rezou para Bríde, Manannán e Lugh, rezando para santos como Brigid e Miguel, os Cristãos Celtas mantiveram uma quantidade significativa das imagens e rituais sagrados para muitos dos Déithe. Similarmente, um RC moderno poderia pegar os rituais e preces que sua bisavó fez para os santos Celtas e, através da pesquisa nos manuscritos que preservaram os contos antigos, "reestruturar" essas nomeadas práticas Cristãs para o que pode ter sido seu original estado Pagão.

Através desse trabalho, nós somos de certo modo semelhantes ao Cristianismo Celta. Aqueles de nós que participam das culturas Celtas que ainda vivem também interagem com Cristãos regularmente, já que a maioria das pessoas das culturas Celtas que ainda vivem são Cristãos. Embora o Cristianismo enquanto religião não seja parte do RC, RCs e Cristãos Celtas valorizam muitos dos mesmos dias sagrados e lugares de peregrinação. Não é de forma alguma incomum nos encontrarmos ajoelhados ao lado de Cristãos no mesmo poço sagrado. Apesar das preces em particular que rezamos sejam de certa forma diferentes, como a teologia por trás delas, nós ainda somos capazes de ver uns aos outros como caminhantes em caminhos relacionados.

Cristianismo pode não ser nossa religião, mas nós somos capazes de encontrar um chão comum e paz com muitos Cristãos.
Aqueles de nós que participam de culturas Celtas que ainda vivem, ou que pertencem a famílias grandes, extensas, já experimentaram eventos que combinam elementos Pagãos e Cristãos. Um velório Irlandês, por exemplo, pode ter um ponto onde um Católico rezará o rosário, então um agnóstico fará um brinde, e então o Pagão contará uma história dos ancestrais que se foram antes e agora recebem o falecido no Outro Mundo. O Pagão também pode garantir que parte da comida está posta de lado como oferenda aos mortos, e que alguns dos "brindes" são entornados em libação para os espíritos. Obviamente, essas coisas funcionam melhor quando todos os envolvidos toleram uma variedade de abordagens religiosas. Mas, em nossa experiência, contanto que essas práticas estejam situadas firmemente no contexto cultural, é raro que haja algum conflito entre as abordagens.

Veja também: Isso é uma religião ou uma cultura?


Vocês praticam xamanismo Celta?

Resposta curta: Não.

Resposta longa: Muitos de nós acham o uso do termo "xamanismo" problemático, já que esse é um termo que se refere a um complexo espiritual/religioso específico em uma cultura específica não-Celta (Tungús/Siberiana). A palavra "xamanismo" entrou em uso comum conforme antropólogos notaram algumas semelhanças entre as práticas de alguns povos tradicionais diferentes e sem relação entre si. Eles começaram a usar o termo, livremente, para se referir a essas práticas variadas. Entretanto sempre foi uma generalização muito superficial que não se encaixava com precisão em muitas das culturas descritas. Esse uso circulou e se tornou ainda mais amplo e menos útil, dentro dos glossários Neopagãos e ocultistas (Grande parte devido ao trabalho controverso de Michael Harner).

Chamar qualquer prática mística que lide com os mundos dos espíritos de "xamanismo" é injusto com a cultura que originou o termo, e com aquelas outras culturas que são subseqüentemente amontoadas juntas e homogeneizadas. Isso cria uma espécie de preguiça espiritual, onde práticas específicas da cultura são confundidas com universais, e o que às vezes impede os que buscam de olhar mais profundamente para as práticas verdadeiras da cultura em questão.

Enquanto existem com certeza aspectos místicos em algumas partes da prática RC, e uma forte tradição de trabalho com os espíritos e mundos espirituais, os praticantes RC geralmente sentem aquele "xamanismo" como uma palavra inapropriada e potencialmente ofensiva para descrever o que fazemos. Nós temos palavras perfeitamente úteis para o que fazemos nas línguas Celtas - palavras que de fato descrevem nossas práticas históricas - e nós preferimos nos referir a nós mesmos por esses títulos se e quando nós os merecemos. Alguns desses títulos são Draoi, File, Awenyddion, e outros.


A quem eu pago para ser iniciado no Xamanismo Celta?

Ninguém. Nós não somos Xamãs Celtas, nem realmente acreditamos que existiram "xamãs" Celtas em si, então não podemos oferecer nenhuma iniciação como essa.


Vocês são Tradicionalistas Gaélicos? Qual é a diferença entre Tradicionalismo e Reconstrucionismo?

Se uma tradição precisa ser composta a partir de fragmentos sobreviventes, livros e folclore, é um Reconstrucionismo. Se há uma comunidade de pessoas que já estejam seguindo uma tradição intacta, completa com um sistema inteiro de crença e práticas que possam te ensinar, isso significa que você está se juntando a uma tradição existente. Nos primeiros anos do movimento RC, nós provavelmente tendemos a gravitar em torno de chamarmo-nos reconstrucionistas, não tradicionalistas, por causa do nosso comprometimento com a retidão e a honestidade, e nosso respeito pelas culturas vivas. Enquanto existem manuscritos antigos e livros do folclore do século XIX que descrevessem coisas similares ao que queríamos, não havia nenhuma tradição viva que tenha preservado uma religião Celta completa, politeísta como parte da cultura viva. Havia elementos Católicos com alguns pontos facilmente re-Paganizados. Havia pilhas de livros obscuros. Havia algumas pequenas práticas sobreviventes, crenças e atitudes em algumas das nossas famílias de origem, mas nenhum sistema espiritual completo. Não havia nenhuma comunidade tradicional Celta politeísta para nos integrarmos. Então, começamos o processo de juntar de volta os pedaços - reconstruindo.

Nesse ponto, nunca nos teria ocorrido chamar a nós mesmos de qualquer tipo de "Tradicionalistas" Celtas ou Gaélicos. Essas palavras já tinham significado nas culturas vivas, especialmente nas áreas Gaélicas da Irlanda e da Escócia. Mesmo se nos houvesse ocorrido fazê-lo, adotar esse nome pareceria arrogante, ou no mínimo, inapropriado - especialmente porque a abordagem que nós estávamos propondo era, de certo modo, nova.
As comunidades Neopagãs têm uma história problemática de tradições fabricadas que são passadas como sobreviventes de religiões antigas. Então, até quando começamos a falar sobre como nossas tradições em desenvolvimento baseavam-se em fontes mais antigas, nós precisamos garantir que as pessoas entendessem que nós não estávamos fingindo ser os guardiões secretos dos vastos, antigos, ocultos mistérios Célticos que nós aprendemos aos pés dos nossos fictícios Avós ou Avôs. (Veja também Who can initiate me into your super-duper secret tradition handed down from the early mists of time? You are the “hidden children of the Goddess,” right?)

Então por essa necessidade de honestidade rigorosa, em alguns momentos nós exageramos. Por exemplo, no Ensaio RC, nós dissemos coisas como, "O RC não afirma ser uma Sobrevivência Verdadeira e Autêntica de qualquer tradição Celta. Nós reconhecemos completa e abertamente que nossa prática é um grupo de criações modernas, baseada em e inspirada por crenças Celtas primitivas". Nós provavelmente teríamos ido melhor dizendo "O RC não afirma ser uma Sobrevivência Verdadeira e Autêntica de qualquer tradição Pagã completa dos Celtas pré-Cristãos". Nós nem por um momento quisemos dizer nada como, "Nós inventamos as coisas e as chamamos de Celtas", embora, aparentemente, alguns tenham lido de forma que significasse exatamente isso. Nós quisemos dizer que o modo como estamos fazendo isso, embora baseado na forma dos ancestrais e dos fragmentos sobreviventes em nossas comunidades, não está vindo de uma linha contínua e completa. É antigo, no sentido de que olhamos para fontes antigas e temos alguns pequenos bocados de sobrevivências intactas, mas também é novo. E já que quase todas as pessoas nas culturas Celtas vivas são Cristãs, o que nós estamos fazendo não será idêntico à sua abordagem, também.

Enquanto a cobertura mais ampla do RC inclui pessoas de todas as culturas Celtas, parece que a maioria dos RCs estão reconstruindo formas Gaélicas de politeísmo, ou interessados em participar de grupos que possuem fundamentos nessas áreas. Aqueles de nós fazendo isso também participam das culturas Gaélicas tradicionais mais amplas, via estudo/preservação da língua, e participação das formas tradicionais de arte Gaélica e outras atividades culturais.
Também existem agora grupos de politeístas que chamam a si mesmos de Tradicionalistas Gaélicos (TG). Para distinguí-los dos Gaels Tradicionais nas áreas Gaeltacht/Gàidhealtachd da Irlanda e da Escócia, ou das atividades culturais tradicionais dos Gaélicos mencionadas em outro lugar deste FAQ, alguns observadores Irlandeses e Escoceses do fenômeno sugeriu que esses TG sejam chamados de Tradicionalistas Gaélicos Americanos Modernos (TGAM) - já que a tradição politeísta moderna começou na América, origem similar à do RC, e por volta da mesma época em que o movimento RC estava começando a tomar forma. Outra mudança de nome proposta, por alguns dos mais antigos membros do movimento Americano, é "Tradicionalistas Gaélicos Diaspóricos" (TGD). Usando qualquer um desses nomes ao invés de "TG" ajuda a evitar a confusão com os grupos mais antigos, Irlandeses e Escoceses, bem como algumas das tensões e desentendimentos que surgiram do nome "Tradicionalistas Gaélicos".
Muitos dos que se identificam como TG ou TGD possuem práticas e crenças que são indistinguíveis das do RC, e os nomes diferenciados são só uma questão de preferência pessoal. No entanto, apesar da origem comum dos nossos movimentos, nossa visibilidade crescente na Internet nos últimos anos tem atraído indivíduos que querem usar nossos nomes mas não compartilham dos nossos valores e ética. Existem alguns que recentemente chamaram a si mesmos de TG, mas criaram algo que não se parece de forma alguma com os valores, crenças ou práticas do RC, ou até dos do TG ou TGD iniciais.

No momento, os TGD são uma comunidade amplamente diferente da RC, com um tom e um estilo diferentes. Entretanto existe, e sempre existiu, alguma sobreposição entre as comunidades, assim como cooperação e respeito mútuo entre os fundadores de ambos movimentos. Também houve alguns desacordos bem sérios entre os RC mais antigos e alguns dos TGAMs mais novos, geralmente em torno de violações éticas e desonestidade entre alguns dos recém-chegados. No entanto, esses parecem ter envolvido principalmente elementos marginais do TGAM, pessoas que em vários momentos chamaram a si mesmas de "Druidas", "RC", ou "TG" enquanto na verdade não partilhavam de nenhum dos valores centrais de nenhuma das nossas comunidades.
Felizmente, parece que esses elementos perturbadores agora seguiram em frente experimentando ainda outra identidade, e os membros centrais das comunidades RC, TG e TGD vão continuar a construir solidariedade e estabelecer limites para aqueles cujas crenças e comportamentos são inaceitáveis em nossas comunidades.

Assim como não temos nenhum controle real sobre quem escolhe se auto-identificar como RC, ou sobre o comportamento daqueles que chamam a si mesmos de RC, tampouco os TGs e TGDs podem controlar completamente o uso de seus nomes. O que nós podemos fazer é situar claramente quais são nossos princípios o que é e o que não é comportamento aceitável em nossas comunidades, e tomar posição quando alguém dá um passo para fora das fronteiras do comportamento aceitável.
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