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Sobre Druidas e Druidismo

Você é um druida?

A maioria dos praticantes de Reconstrucionismo Celta tendem a esquivar-se do termo “druida” a não ser que eles estejam servindo ativamente como sacerdotes ou sacerdotisas a uma comunidade. A palavra implica um enorme grau de conhecimento e estudo que a maioria das pessoas não têm ainda e, francamente, algumas pessoas não estão interessadas em serem sacerdotes ou sacerdotisas. Existem muitos RCs que se sentem muito mais confortáveis no papel de chefes de família, artesãos ou guerreiros, ou alguma combinação desses papéis.

Aqueles de nós que usam a palavra “druida” para se descreverem, normalmente o fazem após uma grande busca interior, muitos anos de estudo e prática, e depois de outros anciãos da comunidade reconhecerem isso. Nunca é um título tirado do nada apenas por “nos sentirmos assim”. RCs não está incluído e nem é uma forma de “druidismo” ou “neo-druidismo” ainda que um certo número de RCs considerem-se num caminho druídico, e trabalhem com o objetivo de merecerem esse título. O merecimento desse título (draoí em irlandês) normalmente vem somente após muitos anos de substancial contribuição à comunidade local e comunidades on-line.

Qualquer um que se apresente como druida a um grupo CR, ou indivíduo que reivindique esse título, deve ser questionado sobre seus conhecimentos e experiências ao invés de ser aceito só pelo que diz ser.

Isso não significa um insulto, é que nós simplesmente temos esse título na mais alta conta e acreditamos que só pessoas qualificadas devam utilizá-lo. Qualquer pessoa pode se intitular druida, mas poucos podem genuinamente usar o título.

Além do mais, tais questionamentos de conhecimento são atestados na literatura como tendo realmente ocorrido entre os druidas, então se houver problemas com isso, culpe os Celtas.


Todos os druidas são homens?

Não, os contos e comentários clássicos são claros quanto à existência de druidas de ambos os sexos. RCs não discriminam gênero ou identidade sexual, e de fato muitos dos fundadores do Reconstrucionismo são gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais. O feminismo é uma parte importante na vida de muitos RCs. Qualquer pessoa que escolha dedicar sua vida a estudar e servir à comunidade e que tenha atendido sinceramente o chamado dos Deuses pode eventualmente se tornar um druida. (n.t.: Essa afirmação difere a opinião de Miranda Green no livro The World of The Druids e é uma questão muito polêmica entre os estudiosos dos celtas.)


Se eles não escreviam, como você sabe no que acreditavam?

Isso depende do que você quer dizer com “eles”. É possível que os druidas tivessem restrições de escrever alguma coisa que fosse considerada sagrada. Contudo, alguns dos Povos Celtas deixaram registros de suas crenças e práticas, e algumas dessas tradições sobreviveram, de forma modificada, até os dias de hoje.

Observadores dentre os gregos e romanos deixaram muitos relatos e comentários a respeito dos Povos Celtas na ancestral literatura clássica. Porém é importante ter sempre em mente que esses observadores externos tinham suas pautas políticas ou religiosas. Desses comentários, nós sabemos que alguns dos Povos Celtas acreditavam em uma forma de reencarnação ou imortalidade da alma. Nós temos relatos deles fazendo juramentos pela terra, mar e céu. Os preceitos éticos Gauleses foram registrados. Nós sabemos os nomes das deidades que estavam nas inscrições nos altares assim como detalhes da algumas crenças célticas sobre magia vindo de inscrições incidentais em artefatos como tabuinhas de feitiço, que têm sido encontradas tanto nos continentes quanto nas ilhas. O calendário de Coligny preserva a visão Gaulesa do tempo, dias sagrados e quais são os dias de sorte e azar para atividades.

Com a chegada do cristianismo, nós percebemos traços do paganismo ancestral escondidos nos textos Penitenciais. Eles estão repletos de proibições contra o culto a árvores e várias atitudes mágicas e ritualísticas que devem ter sido comuns entre os povos celtas pré-cristãos; de outro modo, não haveria necessidade de proibí-los. Certos aspectos do paganismo também se infiltraram no Cristianismo Celta primitivo, e muita coisa relacionada ao papel do druida foi continuada pelos fili (poetas) da Irlanda. Nós também temos textos de leis irlandesas referentes aos papéis e status dos druidas e fili que podem ser bem reveladores se os estudarmos cuidadosamente.

Os textos legais da Irlanda também preservam informações sobre o paganismo celta através de seu comprometimento com os precedentes legais – no início, casos míticos que se tornaram a base de decisões judiciais posteriores. Os textos legais preservam muitos contos dos tempos pagãos e confiavam em decisões legais pagãs como base para seus julgamentos. Um texto monástico preserva um feitiço de cura com apelos a Diancecht, o deus irlandês da cura e Goibhniu, um deus ferreiro. Adicionalmente, Santa Brighid carrega muitos atributos da ancestral Deusa Bride e sua vida sugere algumas coisas pertencentes às crenças dos antigos pagãos (coisas que são confirmadas por estudos trans-culturais).

Devido à natureza oral das culturas celtas, algumas coisas eram preservadas nas tradições dos contadores de história e em suas músicas. A Carmina Gadelica, compilada no final do século 19 e início do século 20 por Alexander Carmichael, preserva uma boa noção de conhecimento e magia da Escócia. Ainda que muito do material seja católico, existem camadas de material pagão primitivo dentre os escritos, e esses apêndices incluem crenças sobre augúrios e presságios tal como curas e sortilégios.

Peregrinações populares a sítios sagrados freqüentemente incluem fontes, cavernas e montanhas que eram sagradas antes da chegada do Cristianismo. Decorar poços com flores e a prática de amarrar tiras de pano nas árvores como um apelo à cura ou à sorte são crenças sobreviventes do pré-Cristianismo celta. Ainda que não tenhamos o suficiente para fazer um sistema completo de crenças pagãs com os fragmentos que sobreviveram, existe um grande desafio para nós trabalharmos. Com a soma da evidência arqueológica e de estudos lingüísticos, e a ajuda de estudos comparativos de religião e mitologia tal como a de antropologia cultural e estudos Indo-Europeus, os RCs trabalham para restaurar o que foi perdido e trazer as coisas em direção as novas gerações.


Os Druidas não eram os xamãs celtas?

Os druidas preenchiam muitas funções nas sociedades Célticas, algumas delas envolvendo misticismo, mediações espirituais e outros tipos de interação com o Outro Mundo. Mais freqüentemente, os “druidas” eram professores, legisladores, historiadores, e políticos. Apenas alguns druidas eram oficiais espirituais ou líderes ritualísticos.

Os praticantes do Reconstrucionismo Celta não se referem a eles como xamãs por várias razões.

Por favor veja a seção Vocês praticam xamanismo Celta? para maiores informações.


Os celtas realmente chamavam seus sacerdotes de “Druidas”?

Sim e não. Eles chamavam seus sacerdotes, sacerdotisas e outras pessoas que ocupavam papéis de oficiais religiosos de vários títulos diferentes, nas línguas e nos dialetos falados em seu tempo e regiões. “Druida” é uma palavra traduzida para o inglês oriunda da palavra irlandesa draoí e seu equivalente em várias culturas Celtas.

Mas os druidas eram também grande parte da classe intelectual nas sociedades Celtas. “Druidas” incluíam doutores, legisladores, o equivalente a professores e outras elites educacionais não religiosas, de ambos os sexos. Essa é parte da razão pela qual RCs são relutantes em assumirem o título de druidas para eles mesmos sem um específico entendimento do que ele significa em relação à comunidade a que servem.


Vocês separam as pessoas em Bardos, Ovates e Druidas?

Normalmente não. Essas distinções são mais freqüentemente usadas para indicar graus de progresso em organizações neo- druídicas como a Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas (ou OBOD). Os grupos neo-druídicos que normalmente usam esse sistema de graus são geralmente baseados em suposições como o “Ressurgimento Druídico” do século 18, que tendem a ter um enfoque muito diferente do que estamos fazendo com o Reconstrucionismo Celta. Os grupos neo-druídicos, especialmente os mais antigos, nem sempre possuem uma orientação Celta, nem a maioria deles prioriza estudos acadêmicos.

Quando lidamos com títulos como bardo, ovate e druida, nós temos que nos lembrar que o contexto é importante. Enquanto na Gales medieval ser chamado de bardo era um sinal de respeito, na Irlanda um bardo era um poeta não-treinado, e geralmente tido como inferior ao fili. Gaélicos Escoceses modernos usam o nome bardo para se referirem a qualquer poeta de hoje em dia, e a palavra não necessariamente tem a conotação musical que tem na mente da maioria dos pagãos modernos. Ovate é uma palavra bretã que se refere, na maioria das vezes, a uma variedade de profetas. Está relacionada a vate, uma palavra usada por César pra descrever alguns membros da classe que ele considerava “druidas”, e também é relacionada à palavra fáidh do irlandês moderno que significa profeta, sábio. No irlandês moderno, ollamh é um título usado por um mestre de uma arte, ou professor universitário. Originalmente, era usada para se referir ao mestre de uma arte, mas especialmente a um mestre poeta ou file. Esses assuntos a respeito do uso do título “druida” foram abordados em muitas outras questões nesse FAQ. Conforme tais considerações, não há atualmente nenhum grupo RC que divida seus membros em bardos, ovates ou druidas.


Posso ser um Druida mesmo se eu não for Irlandês/Galês/etc?

Qualquer pessoas que tenha um chamado sincero para servir às Deidades Celtas e à comunidade Reconstrucionista pode estudar para se tornar um druida. Nós não discriminamos de maneira alguma indivíduos baseando-nos em sua nacionalidade, etnia ou origem racial. As Deidades nos chamam de acordo com seu desejo e não é da nossa conta dizer que Deuses ou Deusas você pode seguir baseado na cor da sua pele ou no percentual do seu sangue que vem das terras Celtas, ou de qualquer outro lugar. Qualquer pessoa que discriminar baseada nessas coisas não estará praticando Reconstrucionismo Celta, ainda que diga o contrário.


Os druidas não eram adoradores do Sol, como os wiccanos são da Lua?

Não.Esse conceito incorreto parece ter se originado no século 17 pelos antiquários que primeiramente criaram as ordens Neo -druídicas baseados nos conceitos maçônicos. Esses revivalistas românticos não estavam olhando para a história Celta nem para sua teologia ou cosmologia, e ao invés disso escolheram acreditar que todos os Deuses tinham natureza solar, e que os druidas praticavam uma forma de monoteísmo que pressagiava o Cristianismo. Celtólogos atuais provaram que esses modelos são falsos, mas com tantas pessoas lendo os livros escritos nessa época, esses conceitos incorretos ultrapassados encontram seu caminho em meio à comunidade ocultista e ainda são repetidos por aqueles que realmente não estudam a História dos celtas.

A religião Celta valoriza a beleza e o poder da Natureza, e celebra as mudanças sazonais e o equilíbrio inconstante de escuridão e luz. Mas embora existam deidades que são descritas como brilhantes e radiantes e que estão conectadas às mudanças sazonais do ano, não há Deus Celta do Sol. Muitos escritores ocultistas e neo-pagãos tem reivindicado que Lugh é o deus Sol, contudo a tradição atualmente O mostra conectado a relâmpagos, tempestades e chuva. Ogma é chamado de “Face de Sol” no que se refere a Sua brilhante sabedoria e força, não à afinidade solar.Todas as palavras para Sol nas línguas celtas são femininas, e mesmo nos casos das Deusas que têm distintos atributos solares – como Áine e Grian (Cujo nome literalmente significa “Sol” ) -- descrevê-las unicamente como Deusas Solares seria limitá-las e induzir ao erro.

A religião dos Antigos Celtas não era sobre um culto ao Sol e nem o Reconstrucionismo é assim.


Uma mulher druida é uma dríade, certo?

Não.Uma dríade é um espírito das árvores Grego. Não tem nada a ver com os druidas.

Esse conceito errado, como muitos outros, parece ter se iniciado na fantasia dos revivalistas românticos dos séculos 18 e 19 que não estavam interessados em veracidade cultural ou histórica. Isso foi repetido por alguns escritores modernos como Bárbara Walker que postulou, puramente devido à acidental semelhança das palavras, um culto grego “druida” inteiramente feminino. Apesar das outras virtudes que os trabalhos desses autores possam ter, rigor etimológico obviamente não é um deles.
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