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Ética

Qual é a base ética do RC?

A ética RC é baseada em virtudes tradicionais Celtas as quais devem ser seguidas, adotadas e integradas à vida diária. Esta abordagem é conhecida como ‘sistema ético teórico de virtudes’, porque propõe diversas diretrizes comportamentais positivas; ele sugere tudo o que se deve, ao invés de tudo aquilo que não se deve, fazer.

dos outros, na sabedoria, no conhecimento, na eloqüência, na piedade, na justiça e no dever do forte de apoiar os fracos ao invés de tirar proveito deles. Todos possuem um valor inato e é dada ênfase em tratar os outros com respeito. Como somos humanos, nem sempre vivemos de acordo com nossos ideais; mas sentimos que esta é uma abordagem mais positiva do que enumerar uma lista de coisas proibidas. Para uma análise mais detalhada sobre como o RC aborda a questão da ética, o artigo The Truth Against the World: Ethics and Modern Celtic Paganism oferece uma visão da forma como a ética é tratada no RC hoje.

Alguns RCs aprovam uma série de virtudes semelhantes às Nove Nobre Virtudes do Ásatrú. Um conjunto de virtudes seguido por muitos enfatiza a Verdade, Honra, Justiça, Coragem, Comunidade, Hospitalidade, Força e Cortesia. Outros textos antigos oferecem diretrizes para a liderança e adágios para a sabedoria diária. Tais fontes incluem as ‘Instruções do Rei Cormac’, as Tríades Irlandesas, o Audacht Morainn e muitas outras.

Os guerreiros são honrados na maioria das formas de RC, mas a violência não lhes é a primeira nem a mais inteligente solução à grande maioria dos problemas. Indivíduos dentro do movimento RC podem ser militares ou veteranos, ou podem ser ativistas de paz. Em muitos casos eles são ambos e em muitos outros, eles são parte de um amplo espectro dentro destas últimas categorias. O guerreiro é visto como um protetor legítimo da tribo, ao invés de alguém que se entrega ao primeiro ataque contra aqueles que não causaram mal algum.

O RC é veementemente contra o racismo, sexismo, homofobia e outras formas de discriminação que possam colocar as pessoas em conflito ou disputa.


Vocês sacrificam animais? Caso sim, por quê?

Embora a maioria dos RCs não pratique sacrifícios de animais, alguns o realizam. A maioria dos RCs vive em áreas urbanas, o que torna tal prática impraticável. Muitos não sentem necessidade alguma de sacrificar animais, oferecendo, então, outras coisas aos seus espíritos e Deidades. Exemplos incluem jóias e outros trabalhos finos em metal oferecidos à água, libações, esforços poéticos ou frutas e vegetais. Como você pode ver, existem algumas sobreposições entre os conceitos de oferendas e sacrifício. RCs carnívoros podem reservar um momento para agradecer o espírito do animal que deu sua vida para o nosso alimento, mas a matança de animais para o nosso sustento não faz parte da vida urbana.

O sacrifício nunca é praticado de forma leviana por aqueles que o realizam; ele é feito por razões teológicas, assim como para fornecer alimento. No RC, ninguém é obrigado a participar de ritos de sacrifício se estes o deixam indisposto. Nenhum animal é sacrificado que não seja utilizado como alimento, então não é preciso se preocupar com animais de estimação vizinhos indo parar no altar de sacrifício de alguém. A animais mais comumente ofertados em sacrifício e consumidos são: galinhas, porcos, ovelhas, bois, cabras ou qualquer outra carne que possa ser comprada legalmente em um mercado local.

Os poucos que praticam sacrifício animal vivem em áreas rurais e escolheram plantar e criar um pouco de seu próprio alimento, incluindo a carne. Isto não é feito somente para que possam realizar sacrifícios, e sim por não estarem de acordo com os atuais métodos de criação de gado. Sacrificar é compartilhar a essência vital com as Deidades e espíritos. O sangue, e geralmente uma porção de primeira da carne ou de um dos animais caso seja pequeno, são ofertados a Eles em agradecimento pelas dádivas recebidas. É uma parte natural do processo de vida e morte, assim como quem faz algum trabalho artístico oferece suas habilidades às Deusas e aos Deuses. Embora poucos RCs tenham condições de criar gado hoje em dia, muitos daqueles que têm criações de animais de menor porte mantém o costume de matar os animais não reprodutivos que servirão para alimento em Oíche Shamhna (Véspera de Novembro).

Também deve ser notado que outras religiões como o Judaísmo, Islamismo e tradições de origem africana como a Santeria, possuem práticas as quais são sacrificiais por natureza. Os animais que são abatidos sob as leis do Kosher ou Halal são parte de uma prática protegida pelas leis americanas e a prática de sacrifício animal também foi declarada uma questão legal de liberdade religiosa em US Supreme Court case of the Church of Lukumi Babalao vs. Hialea (Flórida, 1993).

Veja também: Oferendas parecem ter um papel muito importante em todos esses rituais. Como faço oferendas? e Fala-se muito sobre essas “práticas”, mas você pode descrevê-las com mais detalhes?


Os Celtas eram caçadores de cabeças e realizavam sacrifícios humanos. Por que alguém iria querer voltar a praticar isso tudo?

Ninguém quer. Um dos propósitos do RC é redescobrir as coisas de valor nas culturas Celtas antigas, tais como os elementos espirituais que foram perdidos quando o politeísmo foi substituído pelo Cristianismo. Embora possa haver elementos religiosos e culturais os quais desejamos trazer à nossa vida moderna, nós não somos uma sociedade de recriação histórica. Em geral, somos pessoas modernas que seguem a lei e desfrutam de coisas como saneamento básico, calefação, óculos e medicina moderna. O que queremos fazer é trazer aquilo que é de valor e trabalhar com o que é relevante à época em que vivemos.

Veja também: Como se decide quais aspectos da cultura Celta manter e quais descartar?


Vocês dizem que o RC é a favor dos gays e lésbicas, mas isso é tradicional?

Embora não haja nada nos antigos mitos e lendas Celtas promovendo o homossexualismo, existem múltiplos relatos de observadores externos que comentaram sobre a difundida prática homossexual entre os Celtas gauleses. O filósofo grego Possidônio, que viajou pela Gália para investigar a verdade por trás das histórias sobre tribos Celtas, colocou a questão de forma um tanto franca: “Os homens gauleses preferem fazer sexo uns com os outros”. Este comentário é também apoiado por alguns comentaristas Aristotelianos.

Até onde se sabe, os antigos Celtas não possuíam leis ou proibições conhecidas contra o comportamento homossexual. Ao contrário, existem contos e histórias onde o homossexualismo é mencionado de forma um tanto prosaica, assim como vários outros relatos, os quais, embora não contenham menção explícita sobre a orientação sexual de qualquer personagem, celebram fortes laços entre pessoas do mesmo sexo. Tanto relatos gregos quantos romanos mencionam guerreiros Celtas os quais se ofendiam caso suas propostas de sexo homossexual fossem recusadas.

Existe ao menos um conto irlandês, o ‘Niall Frossach’ do Livro de Leinster, onde o sexo lesbiano é especificamente mencionado (como ‘cópula brincalhona’) e em nenhum momento é tratado por alguém como algo extraordinário ou vergonhoso. Os mitos e as histórias contêm referências à Ihas de Mulheres e sociedades de sacerdotisas ‘virgens’; e existe certa quantidade de Deidades as quais não se encaixam perfeitamente em papéis sexuais rígidos. O Deus Marítimo Manannán é o único Deus bem-vindo à Ilha de Mulheres e ele dirige sua carruagem ao longo dos campos de flores púrpuras. Há também uma tradição de poetas de louvor que escreveram sobre os reis a quem eles serviam do modo o qual um amante escreve sobre sua amada. Muitos comentários históricos sobre guerreiros e monges falam de companheiros devotos os quais compartilhavam uma cama e o amor entre estes companheiros é freqüentemente celebrado em canções e poesias.

Embora a maioria dos estudiosos acredite que a “identidade gay” seja uma construção moderna, existindo apenas em reação à opressão, concorda-se também que a homossexualidade e a bissexualidade tenham sempre existido e certamente estiveram presentes na cultura Celta.

Como a idéia do RC é adaptar antigas tradições à vida moderna, mesmo se de repente alguém descobrisse um antigo conto Celta que parecesse retratar a homofobia, seria altamente improvável que algum de nós mudasse nossa opinião pessoal a este respeito. Mesmo se descobríssemos que de fato tenha havido homofobia entre nossos ancestrais, manter esta tradição seria tão vantajoso quanto preservar a escravidão.

Veja também: Eu pensei que vocês fossem apenas um movimento político.


Vocês praticam magia? Caso pratiquem, de que tipo e por que?

Embora a magia propriamente dita não seja particularmente enfatizada no RC, ela é parte da vida de muitos RCs. Em geral, ela é vista como parte integral da vida diária ao invés de um conjunto de técnicas específicas separadas de nossa vida diária e espiritual. Tradicionalmente, a magia era realizada com propósitos benéficos, para trazer a cura e para afastar a má sorte, assim como para destruir rivais ou inimigos. Druidas são descritos realizando magia de batalha e o Deus Lugh realizava magia de maldição chamada de córrguineacht ou magia de grou como parte da grande batalha de Magh Tuiredh.

A ética do RC não proíbe o uso da magia, quer seja positiva ou negativa; embora seja aparente ao olhar para os contos que magia negativa geralmente tinha conseqüências negativas. Nas leis irlandesas sobre os poetas, foi descrito o processo de realização da Glam Dícenn, uma grande maldição. Deixando de lado a impossibilidade de realização desta maldição nos dias de hoje, por vários motivos, observava-se que se esta maldição fosse lançada de forma injusta, ao invés da terra abrir e engolir a pessoa amaldiçoada (junto com sua família e seu gado), ela abriria para engolir o file (poeta) e seus assistentes.

De modo geral, a magia era relativamente simples e quase sempre envolvia o uso de poesia ou canção. Rituais de magias de infusão eram feitos com a colheita de ervas de cura e a magia de cura era acompanhada da entoação de encantamentos. RCs, assim como a maioria dos pagãos modernos, às vezes fazem magia para obter riqueza, boa sorte, para ajudar a encontrar emprego, para proteger seus lares, famílias e propriedades. A magia está tão intimamente interligada com a adoração às Deidades que às vezes é difícil estabelecer a diferença entre o ritual religioso, a prece e atos de magia. Contudo, não existe nada no RC que requeira a crença na eficácia da magia num sentido objetivo, nem existem requisitos para praticá-la.

No RC moderno baseado na cultura gaélica, o ogham é geralmente utilizado como um veículo de magia e adivinhação. Embora a letras do ogham propriamente ditas não datem de épocas pré-Cristãs, muitos acham o ogham uma forma útil de se organizar antigas idéias e associações simbológicas. Além disto, os contos narram druidas usando-o para vários propósitos. Neste espírito, muitos de nós sentimos que é apropriado trabalhar com o ogham como um sistema mágico e adivinhatório moderno. Muitas abordagens são feitas ao material, mas a maioria dos RCs que estudou o ogham dizem tê-lo achado útil.

Quando nós praticamos magia de qualquer espécie, achamos importante manter em mente as virtudes do nosso caminho e trabalhar a magia com propósitos benéficos ao invés de prejudiciais. Embora não sigamos a Wiccan Rede (N.T.: o Conselho dos Sábios Wiccano), temos um conjunto positivo de éticas que guiam nossas ações tanto no âmbito diário como em nossos trabalhos mágicos e espirituais. O trabalho mágico positivo, caso você tenha uma aptidão para a magia, aumenta a reputação; e a reputação é uma parte muito importante de nossa participação na comunidade. No RC, somos julgados tanto pela forma como conduzimos nossas vidas mágicas quanto pelo o que fazemos em comunidade e dentro do contexto espiritual de nossa adoração particular.
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