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Nimue Ninfae
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Conceitos Errôneos

Por que vocês são racistas?

O RC é firmemente anti-racismo. Isso foi unanimemente aceito pelos representantes das sub-tradições RC estabelecidas, líderes RC e outros membros antigos da comunidade, incluindo os fundadores da tradição. O RC foi fundado, em grande parte, porque alguns de nós estávamos fartos da apropriação cultural galopante na comunidade Neopagã, e desejávamos nos devotar a algo que fosse nosso, e que honrasse o caminho de nossos ancestrais ou culturas no processo. Não há nenhuma necessidade de usurpar quaisquer outros ancestrais ou culturas no processo. Não há nenhuma necessidade étnica ou cultural para alguém praticar o RC - nós não acreditamos que "sangue" tenha alguma relação com espiritualidade ou com quem pode ser chamado para algum caminho em particular. E como a identidade Celta é uma questão de língua e cultura, "sangue" realmente não tem nada a ver com se um indivíduo ou tradição é Celta. Não importa de onde seus ancestrais são, ou quais os seus antecedentes étnicos, você é bem vindo para praticar o RC conosco.

Veja também: O que vocês querem dizer por “Celta”?, O que faz seus ancestrais melhores que meus ancestrais?, Você não tem de ser Irlandês/Escocês/Galês para ser um Reconstrucionista Celta? e Qual é a base ética do RC?

Também The CR Essay e CAORANN (n.t.: em inglês).


O que faz seus ancestrais melhores que meus ancestrais?

Nada, e ninguém que está realmente praticando RC acredita que os Celtas antigos eram inerentemente "melhores" que quaisquer outros. Embora muitas pessoas de herança Celta sejam atraídas ao RC, e respeitar nossos ancestrais seja importante para nós, nenhuma etnicidade ou nacionalidade em particular é um requisito. Um número significativo de pessoas no RC não têm nenhum ancestral físico nas terras Celtas, embora eles participem das culturas Celtas viventes e considerem os Celtas como sendo seus ancestrais espirituais. Nós seguimos Deidades Celtas e exploramos as tradições Celtas porque somos atraídos por elas e ao que elas têm a dizer sobre a condição e espiritualidade humanas. Pessoas praticando ou aprovando racismo não são aceitas como parte do RC mais do que membros da KKK são aceitos como parte das denominações das principais correntes liberais Cristãs. Nós trabalhamos duro para desmascarar pessoas usando o RC, ou alguma ligação com a cultura Celta, como uma desculpa para racismo, e condená-los por seus preconceitos e atos de discrminação.

Veja também : O que é isso de reverência aos Ancestrais e Espíritos da Terra?


Não foi assim que meu/minha (insira membro da família aqui) me ensinou a honrar (insira figura de escolha aqui)!

Como vai acontecer em qualquer cultura vivente, alguns dos contos existem em versões diferentes. Similarmente, práticas folclóricas, e o significado e uso de vários objetos mágicos, podem variar um pouco de região para região. De qualquer modo, como em tudo, as tradições orais Celtas foram extraordinariamente conservadoras. Nós temos versões de contos registradas na virada do século que pouco variam, no todo, do mesmo conto em manuscritos antigos. Dada essa consistência inerente, quando alguém surge na comunidade e apresenta um grupo bizarro de associações mitológicas e diz que elas são válidas porque ele aprendeu daquela forma com sua família, é compreensível que essas afirmações sejam recebidas com ceticismo.

Normalmente, quando um significado variante é válido, alguma evidência de apoio, bem como outros contos e folclore da região, podem ser encontrados. Mas em casos onde esse tipo de asserção difere radicalmente de tudo que é conhecido da região do qual se diz que ela veio, sim, é normalmente um caso de alguém forjando ou tendo sido ensinado por alguém que forjou.


Vocês não apenas lêem livros e discutem mais do que praticam uma espiritualidade real?

A maioria de nós é de pessoas muito espiritualizadas em nossas vidas privadas. Nós temos altares em nossas casas e fazemos trabalhos devocionais pessoais e familiares. Alguns de nós praticam divinação ou cura, realizam serviços rituais dentro de nossas comunidades. Ler não significa que não sejamos espiritualizados. De fato, para a maioria de nós, a leitura que fazemos aumenta a nossa espiritualidade e nos ajuda a entender o que nos é ensinado por outras pessoas e o que vem a nós através de meios mais místicos como visões, meditações ou sonhos. Livros de referência, escritos por aqueles que devotaram suas vidas ao estudo das palavras e tradições dos ancestrais, nos ajudam a distinguir o que é tradicionalmente Celta do que é nossa própria voz interior. Ambos podem ser válidos, mas nossa voz interior pode não ser totalmente precisa sobre o que é Celta, o que é comunicação com o Divino e o que é apenas nossa imaginação. Quando acreditamos que estamos recebendo informação de uma Deidade ou espírito, nós vamos aos acadêmicos para comparar notas e ver o que é Celta e o que não é.

A comunidade RC é diversificada. Nem todos são acadêmicos experientes e nem todos são inclinados a um trabalho místico aprofundado. De qualquer maneira, nós acreditamos que ambos, erudição e espiritualidade experimental extática, são necessários no caminho RC. A presença de, e o equilíbrio entre, esses aspectos é crucial. Sem ambos, não é RC. Mas as pessoas vão tender a se mover em direção ao que é mais confortável e desejável a elas. Às vezes, o equilíbrio tem de ser encontrado na comunidade, onde os místicos e acadêmicos podem trabalhar juntos para informar as práticas uns dos outros. Nesse caminho, nós podemos co-criar uma tradição vibrante que honre nossas experiências pessoais bem como as de nossos ancestrais, que é extática ainda que também seja enraizada na terra e na história e cultura viva dos povos Celtas.


Então, vocês são como Neopagãos ecléticos ou algo assim?

Não. O RC não é eclético.

Devido a uma frase desajeitada em um “antigo documento RC”, um comentário sobre o valor de comparações trans-culturais foi mal interpretado como apoiando o ecletismo. O conceito errôneo então se espalhou em alguns pontos da internet para mais tarde nos ser repetido de volta como fato. Foi surpreendente ouvir isso, para dizer o mínimo, quando estamos acostumados a sermos acusados de ser “tão” culturalmente focados, de ter um critério acadêmico tão alto e de não sermos abertos o suficiente à inovação pessoal para os gostos de muitos Neopagãos. O RC realmente começou como uma alternativa às tradições Neopagãs ecléticas , e embora nos permitamos alguma inovação quando há lacunas na tradição, sempre que possível essa inovação é baseada em precedentes históricos sólidos.

Para mais sobre isso ver Vocês pegam emprestado de outras culturas para “preencher as lacunas”?, O RC inclui sincretismos?, Posso ser RC e ainda venerar Divindades não-Celtas? e Qual a diferença entre RC e Neopaganismo Celta?


Eu pensei que isso fosse uma religião, não uma cultura.

Talvez você tenha tido essa impressão porque religião tende a ser o tópico mais comum nas listas de discussão RC. Não há necessidade de trabalhar para reconstruir as partes não-Pagãs da cultura Celta. Como dito “em outro ponto”, as culturas Celtas ainda estão vivas e crescendo, e participação nelas é uma parte importante do RC. Então nós voltaremos nossos esforços para onde eles são necessários: recuperar, reparar e reviver as tradições politeístas que não sobreviveram intactas.

Veja também Isso é uma religião, ou uma cultura?


Eu pensei que vocês fossem apenas um movimento político.

Isso depende de como você define “política”. A maioria dos RCs diria, ao invés, que nós somos muito preocupados com ética.

Alguns vêem o desejo de preservar as línguas Celtas como uma postura muito política. Alguns de nós também estão ou estiveram envolvidos em algumas das disputas políticas nas nações Celtas, bem como em movimentos políticos na diáspora que eram relacionados à essas disputas.

Como alguns Neo-nazistas e outros grupos racistas vêm tentando usurpar e mal-representar a cultura Celta, se tornou mais necessário afirmar nossa posição anti-racista. Similarmente, como a maioria dos acadêmicos Celtas no passado se focaram nas facetas mais patriarcais da história Celta, e severamente negaram o papel de mulheres e membros GLBT, muitos RC sentem que é necessário retificar esse preconceito com nossa pesquisa, bem como afirmar uma posição pró-feminista e pró-gay. Em adição a simplesmente honrar “todos” os ancestrais, também é certo que mulheres e membros GLBT saibam que são bem vindos, não apenas no movimento, mas em papéis de liderança também. É parecido com a pratica de algumas Igrejas Cristãs de notar que eles são “uma congregação acolhedora”. Algumas pessoas que não partilham desses valores tentam rejeitá-los como “práticas partidárias”. Mas rejeitar preocupações com racismo, sexismo e homofobia, como se não fossem importantes é, em si, uma posição política – uma que mostra uma preconceito político diferente, mas um preconceito ainda assim.

Ver também Qual é a base ética do RC?, Você é um druida? e Vocês dizem que o RC é a favor dos gays e lésbicas, mas isso é tradicional?


Vocês são Pan-Celtas?

Não. Indivíduos e grupos escolhem uma cultura Celta particular no qual baseiam sua pratica espiritual.
De qualquer modo, a maioria de nós também estuda uma variedade de culturas Celtas, bem como culturas relacionadas que interagiram com os Celtas ou tiveram cosmologia e práticas similares, quando essa visão ampla pode ser valiosa em nos ajudar a decidir como reconstruir as áreas que estão incompletas.

Ver também Vocês pegam emprestado de outras culturas para “preencher as lacunas”?


Todos os que incorporam algum grau de Pesquisa Celta são RC?

Não. Várias tradições, da Wicca ao Neo-Druidismo ao Neopaganismo Eclético, sempre incluíram um pouco de material Celta autntico, mas ele sempre foi (e ainda é) misturado com material de muitas outras culturas também. Muitos grupos Proto- RC começaram como alguma variedade de Wiccans Celtas, ou Pagãos Ecléticos com inclinações Celtas, que então começaram a fazer pesquisas sérias e a lentamente incorporar mais e mais quantidade de material autêntico em suas práticas existentes.

O que distingue o Proto- RC (um nome que só pode ser aplicado em retrospecto) do que veio antes foi o crescente desejo de autenticidade e a decisão de começar a experiência de trocar os elementos não-Celtas – mesmo se eles eram familiares e confortáveis- por cosmologias e estruturas rituais Celtas.

Por volta de 1991, a frase “Reconstrucionismo Celta” foi criada para descrever a nova abordagem. Nesse ponto, havia algumas pessoas usando estruturas rituais e cosmologias Celtas, e um número significativo de pessoas que haviam transformado suas práticas o suficiente para não mais se assemelharem à Wicca ou ao Paganismo genérico. Com a criação da Internet, nós estávamos então próximos a muitos outros fazendo um trabalho similar, e o “RC” começou a ser adotado por esse grupo maior como o nome para o que eles faziam. O Reconstrucionismo Celta é agora reconhecido tanto como um método quanto um termo agrupador para um grupo diverso de sub-tradições que, a despeito de terem algum grau de unicidade, ainda partilham desse princípio central de priorizar a autenticidade.

A transição de outras formas de paganismo para o Proto- RC e então para o RC atual não foi necessariamente fácil, nem uma onde cada fase e passo eram claros. Ela envolveu tempos de incerteza, de enfrentar o vazio deixado por abandonar abordagens estrangeiras. E atravessando a remodelagem neural, ela realmente tomou vida dentro de uma nova cosmologia e uma nova estrutura ritual, uma nova abordagem.Ela envolveu sofrer riscos e gastar tempo nas brumas. Aqueles que nunca fizeram essa transição, que simplesmente incorporam um pouco de material autêntico em uma estrutura não-Celta, não são RC.


Como algum de vocês diz ter começado o RC?

O RC começou porque muitas pessoas sentiam a necessidade dele. Em vários estágios, houveram pessoas-chave que colocaram uma idéia para funcionar ou deram inspiração de outra forma. Pode ser dito que sem esses pensadores, acadêmicos, ritualistas e liturgistas, o RC não teria acontecido. Mas é justo e verdadeiro que sem todas as pessoas que eventualmente se agarraram à idéia e trouxeram seu próprio trabalho à mesa, nós não estaríamos onde estamos hoje. Parte do trabalho tradicional do poeta ou contador de histórias Celta é lembrar a história da comunidade, e os nomes daqueles cujo trabalho merece ser lembrado.


Eu quero me chamar RC e vocês não podem me impedir.

Obviamente, as palavras individuais “Celta” e “Reconstrucionista” existiam muito tempo antes de alguém pensar em combiná- las como uma frase e aplicá-la a uma tradição Pagã particular. Mas como o RC cresceu como movimento e comunidade, muitas pessoas começaram a usar o termo para descrever uma abordagem similar e, como eles desenvolveram, tradições similares.

Então, sim, ele veio a se referir a uma coisa especifica : uma comunidade de pessoas, e a cultura, crenças e práticas que essas pessoas partilham. Isso significa se chamar de RC sem partilhar dos princípios e tradições centrais do RC, e se alguém não é parte da comunidade RC, isso é impreciso, inapropriado e um tanto incompreensível. Não faz mais sentido do que se dizer um Hindu, se você é realmente um Metodista.

Atualmente, os fundadores da tradição estão surpresos por alguns não-RCs quererem se chamar de RC. Uma das razões pela qual escolhemos o nome foi porque ele é chato e nós pensamos que ninguém ia querer roubá-lo.

Veja também Todos que incorporam algum grau de Pesquisa Celta são RC?


Agora que eu sou um Celta, eu tenho de escolher um tartan para meu grupo usar?

Se tornar envolvido com a comunidade RC não o faz automaticamente “um Celta”. Nem todas as pessoas envolvidas nas comunidades Celtas usam tartan. Os mais antigos modelos de tartan são específicos de clãs ancestrais individuais. E só são realmente relevantes nas variedades Gaélicas do RC. Parece totalmente inapropriado simplesmente escolher um tartan familiar e o usar a menos que você seja nascido, adotado ou casado com essa família.

Existem alguns tartans não-familiares da Escócia, Irlanda e da diáspora, e aqueles que não são membros de um clã familiar são bem vindos, em alguns casos, a usar um desses. Esses incluem tartans nacionais ou de distritos e tartans desenvolvidos para grupos, ocasiões e ocupações particulares. Deve se notar também que esses tartans modernos podem ser registrados por alguém com um design e dinheiro suficiente. Há tartans “oficiais” para os EUA, Canadá, Austrália e outras nações, bem como os tartans corporativos japoneses- todos criados e registrados nos séculos XX e XXI.

Além do respeito pelas culturas vivas e históricas, se você deseja usar tartan, você deve se familiarizar com a história e costume que o cercam. Como em outros assuntos Celtas, se você se mostrar em um evento usando tartan espera-se que você saiba o que ele significa e seja capaz de explicar porque o está usando. Por exemplo, muitas pessoas que vendem tartans lhe dirão que qualquer um pode usar o tartan militar Black Watch, pois ele não é um tartan de uma família ou região particular.; de qualquer forma, você vai desejar se familiarizar com a historia desse regimento (atualmente Britânico) e decidir se você apóia suas políticas militares e ações passadas antes de decidir se alinhar publicamente com ele. Similarmente, muitos sentem que os tartans de distritos só devem ser usados por aqueles com conhecimento significante sobre, e conexão histórica com, esse distrito em particular.

Usar a faixa tartan de um jeito significa que você é um membro regular de um certo clã; usar de outro jeito, que você se casou fora de seu clã original, mas ainda deseja usar o tartan de sua família de nascimento ou adotiva; ainda de outro jeito indica que você é o chefe do clã – algo muito sério e provável de ser contestado (ou ironizado) se você não é chefe legitimo do clã.

O tartan não é realmente antigo. Embora os antigos Celtas provavelmente usassem roupas pintadas em xadrez e listras e pintadas com as cores providenciadas por sua flora e fauna local, os designs codificados modernos provavelmente só datam do século XVI no máximo, e muitos designs são de origem muito mais recente (como os muitos tartans que só foram criados nos séculos XIX, XX e XXI) . De qualquer modo, os tartans são parte de algumas culturas Celtas há gerações agora, e aqueles de nós que participam das culturas vivas às vezes os usam ou os incluem em altares que honram ancestrais particulares.


Vocês se pintam com tintura de anil?

Não, não realmente, E nossos ancestrais provavelmente não, também. Enquanto é possível que a tintura de anil fosse um dos pigmentos usados para pinturas corporais temporárias, ela realmente não funciona bem como pintura corporal, e falha miseravelmente como pigmento de tatuagem (Para mais sobre isso ver O Problema do Pigmento, por Kim ní Dhoireann) . Tatuagens parecem ser comuns entre RCs, particularmente tatuagens de design tradicional Celta. Outros, especialmente aqueles que não podem se tatuar por alguma razão, parecem gostar de pinturas corporais ocasionais por razões decorativas ou espirituais, mas novamente, isso é uma preferência pessoal, não necessariamente parte da religião.


Porque alguém tentaria trazer de volta a Idade do Ferro?

Nós não queremos. Nós todos gostamos muito de encanamento interno, aquecimento central, medicina moderna, óculos e computadores. É nos ideais espirituais e filosóficos da sociedade da Idade do Ferro que estamos interessados, não em recriá-la até o ultimo parasita e casa redonda. Mesmo aqueles que mais buscam isso, do tipo campônio, estão mais do que felizes de explorar a tecnologia sustentável moderna ao invés de voltar ao modo como nossos ancestrais cultivavam. Há muito que podemos aprender da sociedade da Idade do Ferro, mas o que o RC tenta fazer é entender como a religião Celta se pareceria agora se ela não tivesse sido interrompida desde então, não levar a sociedade de volta àquele ponto da história.


Como você pode praticar uma religião e ainda acreditar na ciência?

Religião e ciência não têm de estar em conflito. Nós tomamos a mitologia e historias de criação como metáforas mais do que como fontes de fatos científicos e históricos. A mitologia tem grande verdade espiritual e psicológica onde a ciência muitas vezes apresenta verdades físicas empíricas. Dito isso, novas teorias são desenvolvidas em diferentes campos da ciência o tempo todo, e a ciência ainda tem de explicar todos os fenômenos do universo.

Todas as verdades psico-espirituais e verdades físicas são necessárias para um entendimento do universo em que vivemos. Porque o RC não tem um investimento na verdade literal de nossas mitologias, nós podemos apreciar suas verdades espirituais sm experimentar a dissonância de ter escolhido uma verdade espiritual sobe uma verdade empírica ou vice-versa.


Quem pode me iniciar em sua tradição super-hiper-secreta retirada das antigas brumas do tempo? Vocês são os "filhos ocultos da Deusa", certo?

Uma das teorias mais irritantes com que nós nos defrontamos é a crença de que a Wicca era o conhecimento secreto que os Celtas eram proibidos de escrever e que qualquer coisa lembrada pela cultura viva geral não-Ocultista era apenas para “pessoas ordinárias” que não eram iniciadas nas tradições secretas. Ela é às vezes referida como a teoria dos “filhos ocultos da Deusa”.

Essa teoria cai em face do fato histórico. Gerald Gardner criou a Wicca na primeira metade do século XX. É verdade que pegou de fontes antigas, mas muito pouco do que ele usou era de fontes Celtas. A Wicca deve mais ao Hinduismo e aos Maçons do que às religiões Celtas. De fato, as estruturas e expectativas básicas da Wicca, e do Paganismo Genérico baseado na Wicca, conflitam com a cosmologia Celta.

Embora haja traços de crenças ou técnicas ocultistas que influenciaram o RC, essa influência tende a ser limitada, e essas crenças ou técnicas são apenas usadas como marcadores de que tipo de coisas estamos tentando encontrar nas tradições antigas e viventes dos Celtas. Alguns dos místicos entre nós usam técnicas que nem sempre são encontradas nas correntes principais das culturas Celtas vivas, mas se elas são usadas, é com cuidado e sem nenhuma inclusão de crenças não-Celtas (Isso é discutido em mais detalhes em “Vocês emprestam de outras culturas para ‘preencher as lacunas’?)

Enquanto os Wiccans continuarem a insistir que tradições não-Celtas são realmente Celtas, elas podem levar a um tipo de imperialismo cultural – com crenças e praticas Wiccans sendo adotadas por pessoas bem intencionadas e apresentadas como Celtas, enquanto as reais tradições Celtas caem na obscuridade. Mesmo residentes nas nações Celtas e na diáspora não estão imunes a isso, e esse imperialismo cultural não-intencional tem às vezes resultado na desinformação Wiccan sendo apresentada mesmo em eventos culturais Celtas como “o caminho real”.

Qualquer tradição “secreta” que diverge com a cosmologia, cultura, línguas, tradições Celtas etc. conhecidas deve ser tratada com ceticismo.

Mais sobre isso pode ser encontrado na resposta de Não foi assim que meu/minha (insira membro da família aqui) me ensinou a honrar (insira figura de escolha aqui)! e em Por que os RCs odeiam a Wicca e os Wiccans?


Vocês usam o Calendário das Árvores Celtas e a Astrologia Celta?

Não. Nenhum desses realmente tem algo a ver com algum dos antigos povos Celtas. O Calendário das Árvores “Celta” é a criação de Robert Graves em seu “trabalho de imaginação poética” de 1946, A Deusa Branca, e a criação da assim chamada “Astrologia Celta” é ainda mais recente (e baseada no calendário das árvores fabricado por Graves).

Enquanto árvores sagradas são parte dos mitos e folclore Celtas, e muitos RCs incorporam as mais antigas tradições das árvores como parte de seu trabalho, elas são de um sistema diferente de qualquer uma das fabricações recentes acima mencionadas. Similarmente, há antigos manuscritos que apontam para possibilidades de uma antiga visão Celta de astronomia e astrologia, mas não há nada como o que foi popularizado como “astrologia das árvores” e a informação é ainda mais obscura porque muito pouco deles foi publicado em Inglês.

Para uma boa discussão do alegado Calendário das Árvores e um desmascarar da Astrologia das Árvores que dele nasceu, veja o artigo de Peter Berresford Ellis “A Fabricação da Astrologia Celta”. Outro artigo de Ellis, “Antiga Astrologia Irlandesa: Um Argumento Histórico” discute o que é conhecido sobre a possível existência de um sistema astrológico pré-Cristão, que usava nomes e conceitos nativos (nenhum deles de árvores) para os planetas e constelações.


Há Oghams na América também?

Não. Embora Barry Fell e alguns de seus seguidores da Sociedade Epigráfica e outros grupos tenham dito essas coisas, particularmente no livro de !976 de Fell, América B.C., não há evidência física de que algum povo Celta tenha chegado à América do Norte antes da chegada de Colombo. Pode ser conclusivamente provado que o povo Nórdico chegou ao Canadá pré- Colombiano, pois eles deixaram evidências físicas de sua habitação em Newfoundland – artefatos, estruturas e relatos escritos preservados em outros paises sobre suas colônias. Em contraste, não há evidência física de que os Irlandeses ou Escoceses tenham chegado à América do Norte em tempos pré-Colombianos, e as immrama, relatos de viagens da antiga literatura Irlandesa, são muito mais facilmente lidas como aventuras ao Outro Mundo do que como relatos de desembarques reais na América do Norte. Se os Irlandeses ou Escoceses tivessem chegado anteriormente a Colombo, nós esperaríamos encontrar restos de potes, pingentes, armas, alças e uma grande variedade de outros itens físicos deixados para trás em pilhas de lixo, quebrados em campos de batalha, ou nos escombros de habitações. Nenhuma dessas coisas existe.

Embora haja algumas estruturas, especialmente no Nordeste dos EUA, que são construídas em um estilo “colméia” comum às culturas Celtas, não há absolutamente nenhuma evidência de que elas sejam pré-Colombianas. Como o povo das Primeiras Nações dessa região diz que as estruturas não parecem com nada de suas culturas, pode ser razoavelmente assumido que essas estruturas de pedra forma provavelmente construídas por imigrantes Irlandeses ou Escoceses, que vieram nas ondas normais de imigração posterior desses paises. Nenhuma dessas estruturas tem algo que lembre o Ogham entalhado nela.

Os métodos de “pesquisa” de Fell são profundamente falhos e suas conclusões não são nada mais que ficção. Para uma discussão aprofundada e desmascarante dessas afirmações, incluindo uma análise de como ele chegou a suas “traduções” de seus alegados Ogham, esse artigo é extremamente útil, junto com os links no fim dessa página. Deve-se notar que Fell não é um acadêmico Celta e não sabe quase nada sobre línguas, arqueologia ou história Celtas. Ele era um professor de Biologia Marinha - uma disciplina totalmente inútil para traçar linguagens e inscrições, ou em lidar com sítios arqueológicos. O fato de alguém ter um diploma em um campo não é garantia de que ele realmente saiba do que está falando em outro.
O aspecto mais perturbador nas afirmações de Fell é a suposição subliminar essencialmente racista que as tribos das Primeiras Nações eram incapazes de fazer seus próprios petróglifos, observar o fato universal do fenômeno solar dos solstícios e equinócios, ou de construir alguma estrutura que pudesse lembrar vagamente as pedras eretas Européias ou outras culturas megalíticas. É quase o mesmo que afirmar que os antigos Egípcios eram incapazes de construir as pirâmides por si mesmos e concluir que, portanto, alienígenas o fizeram. Seres humanos são extremamente inventivos e capazes, independendo de suas origens. Vamos lhes dar o crédito onde é devido e deixar a ficção cientifica e fantasia para os romances.


Quanto aos Quatro Tesouros e Quatro Cidades, eles se referem à direções cardeais?

Não, os textos das Invasões da Irlanda são claros em dizer que as quatro cidades das Tuatha De Danann são localizadas “no Norte do Mundo” ou talvez no céu. Não havia correlação dos Quatro Tesouros com as quatro direções cardeais ou os quatro “elementos” Clássicos até o século XIX, quando William Butler Yeats e outros tentaram adaptar a mitologia Irlandesa a um sistema no estilo da Golden Dawn chamado O Castelo dos Heróis.

Deve-se notar também que os Quatro Tesouros só são realmente relevantes no Paganismo Reconstrucionista Irlandês, uma vez que não são encontrados no todo no Galês, Gaulês e outras mitologias Celtas.


Vocês, RCs na América do Norte, roubam elementos culturais dos Nativos Americanos/as Primeiras Nações?

Essa é uma questão bastante desconcertante, quando uma das principais razões pela qual começamos o RC foi para evitar o tipo de roubo cultural que víamos (e ainda vemos) ocorrendo no “Xamanismo Celta” e grupos Neopagãos Ecléticos.

Nossos ancestrais Celtas tinham suas próprias crenças e práticas culturais e religiosas, e nós ainda temos as culturas Celtas vivas que, embora não completamente politeístas, ainda são vitais em termos de cultura e comunidade. Nós estamos interessados em reconstruir o que o nosso próprio povo perdeu, não em roubar de outros.

O problema do roubo cultural é sério, no entanto, e é crescente nas comunidades Neopagãs. É em grande parte devido às questões de roubo cultural que muitos de nós não se identificam mais como parte da comunidade Neopagã. O RC como um todo está comprometido com o respeito às culturas dos povos das Primeiras Nações, bem como suas próprias definições, fronteiras e padrões. Muitos de nós apóiam ativamente a “Declaração de Guerra Lakota”, bem como fazemos o que podemos para ajudar os “grupos das Primeiras Nações” que trabalham para desmascarar “Xamãs Plásticos” e outras fraudes e exploradores da espiritualidade Nativa Americana. Nós também trabalhamos em nossas próprias comunidades para educar pessoas sobre questões de soberania cultural e integridade cultural vs roubo cultural.

Ao pesquisar as Antigas culturas e religiões Celtas, é verdade que encontramos algumas práticas que são similares a algumas das práticas de algumas das culturas das Primeiras Nações. De qualquer modo, isso não significa que essas práticas sejam idênticas, universais ou de alguma forma intercambiáveis. Muitas culturas, ao redor do mundo, têm alguns métodos de buscar inspiração, de alcançar a comunhão com o Divino. Muitas culturas têm uma historia de heráldica ou outras formas de se identificar e conectar com o simbolismo do mundo natural. Práticas extáticas não são sempre equivalentes de “xamanismo” , e nenhuma cultura é a única árbitra dos estados extáticos. De qualquer modo, culturas individuais, especialmente as tradicionais e os líderes dessas culturas, têm suas tradições, e têm o direito de protegê-las daqueles que não são parte dessa cultura ou comunidade. Há um perigo em aceitar as similaridades que há nelas, como alguns que desejam criar um tipo de “Xamanismo Celta” eclético muitas vezes se agarraram a essas pequenas similaridades e as usaram como desculpa para o tipo de abuso que nós, no RC estamos tentando duramente evitar. É por isso que fazemos nosso melhor para manter uma distinção entre nossa abordagem e a dos ecléticos e “pseudo-xamâs”.

Veja também Vocês praticam o Xamanismo Celta?, A quem eu pago para ser iniciado no Xamanismo Celta?, Vocês pegam emprestado de outras culturas para "preencher as lacunas"?, O RC inclui sincretismos?, Posso ser RC e ainda venerar Divindades não-Celtas? e Por que vocês são racistas?


Então o RC não é apenas roubo cultural das culturas celtas?

Roubo cultural envolve remover pedaços de uma cultura e usá-los fora de contexto em uma matriz cultural estrangeira. Constantemente, a cultura estrangeira vai ter tentado eliminar a cultura sendo roubada, e esse roubo de tradições religiosas é uma continuação dessa destruição e imperialismo. Em contraste, o RC exige especificamente que a matriz cultural Celta seja a estrutura na qual nós funcionamos como tradição e comunidade.

Já que não podemos responder por cada coisa que tenha sido feita por todos os indivíduos que já tenham se afirmado um RC, nós esperamos que tenha ficado claro neste documento que preservação e respeito pelas culturas Celtas vivas é uma parte essencial no RC. Qualquer um que esteja simplesmente roubando pedaços de cultura Celta e inserido-os em um formato não-Celta não é RC, não importa o que eles possam dizer, não importa se eles se vestem com capas de veludo com apliques de knotwork e tartan. O RC se concentra fortemente em participar e corresponder às culturas Celtas, não simplesmente tomando delas. Muitos RCs apóiam artes e artistas Célticos, grupos de estudo de línguas, causas políticas, e trabalhos de caridade. Nós insistimos em uma relação respeitosa e generosa com as culturas Celtas, e não uma pilhagem das mesmas.

Sendo parte de qualquer diáspora étnica pode ser uma coisa dificil. Muitos de nós nos sentimos sem raízes em um momento ou outro, e esse foi o sentimento que fez com que muitos Americanos em particular propensos ao roubo cultural. Se alguém foi criado com nenhum senso de identidade cultural em particular, pode ser difícil para eles entenderem as questões de soberania cultural e integridade cultural. Uma das missões do RC é ajudar as pessoas a entenderem essas questões para que elas não se comportem de forma ofensiva.

O RC começou como uma alternativa ao roubo cultural que é desenfreado nas comunidades Neopagãs. Antes do RC, e ainda nas comunidades Neopagãs e Newage, todo tipo de práticas e crenças não-Celtas têm sido erroneamente apresentadas como Celtas. Mas nós estávamos procurando por algo autenticamente Celta, que honrasse nossos ancestrais sem desonrar os de mais ninguém, e que respeitasse e honrasse as tradições vivas.

Para aqueles de nós que fundaram o RC, enraizarmo-nos nos caminhos dos nossos ancestrais foi uma das razões principais para que iniciássemos essa jornada. Para alguns essa foi a razão principal. Apesar da comunidade RC estar acolhendo pessoas de todas as raízes étnicas e raciais e agora incluir membros de todo o mundo, incluindo pessoas nas nações Celtas modernas, foi iniciado pelos membros Americanos da diáspora Celta, muitos dos quais cresceram em amplas comunidades Irlandesa- ou Escocesa-Americanas. Entre os RCs que não foram criados nas nações Celtas, alguns viveram em nações Celtas na idade adulta, foram à escola e/ou possuem boas relações com amigos ou membros familiares nesses países. Quando os ancestrais dos Celtas da diáspora desceram dos navios ou aviões, eles não abandonaram imediatamente sua cultura, seus valores, ou seus modos de vida. Alguns deles viveram em guetos Irlandeses (em cidades como Nova York, Boston ou Chicago) e comunidades rurais Gaélicas (como os territórios Gaélicos em Nova Scotia e Peoria) conde algumas das suas tradições nativas e linguagens foram mantidas. Com a passagem do tempo, alguns de nossos ancestrais e familiares se agarraram às suas heranças, enquanto outros estavam ávidos por serem assimilados ao proverbial caldeirão de misturas.

Aqueles de nós que participam na preservação da linguagem, na preservação e desenvolvimento das formas de arte Célticas, e nas lutas políticas nas nações Celtas estão fazendo o melhor para serem honrosos, para fazermos nossa pequena parte para dar em retorno no mínimo tanto quanto nós pegamos. Se eles já não estiverem, nós encorajamos ativamente a todas as pessoas interessadas em RC a também se tornarem envolvidas em suas comunidades Celtas locais de uma forma respeitosa e sustentável, não como turistas. Nós encorajamos o estudo da(s) língua(s), para aprenderem o máximo possível sobre as culturas envolvidas, para se educarem na história e nas lutas políticas nas nações Celtas e para apoiar essas causas o máximo que puderem.

A comunidade RC é agora feita por uma quantidade de pessoas diversa, algumas das quais são descendentes de imigrantes Celtas recentes, outras cujos ancestrais têm estado na diáspora por um longo tempo, algumas que vivem nas nações Celtas, e ainda outras que não são de ascendência Celta mas foram atraídas para a cultura Celta e desejam fazer uma contribuição séria para a comunidade. O que nós compartilhamos é o fato de estarmos totalmente comprometidos em estabelecer e continuar relacionamentos profundos e fortes com as culturas Celtas como uma dimensão essencial da nossa prática RC. Nós expressamos a hospitalidade e damos boas vindas à diversidade em nossa comunidade dentro do espírito de todos trabalharmos juntos para revitalizar os aspectos politeístas das culturas Celtas. Todas as raízes étnicas e raciais são bem-vindas em nosso meio, mas isso não muda nossas raízes na cultura e religião Celta.

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Porque os RCs odeiam a Wicca e os Wiccans?

Nós não odiamos, mas a Wicca inclui alguns fundamentos que são diferentes daqueles das religiões Celtas nativas. Esses incluem concepções diferentes de divindade, organização cosmológica e muitas outras afirmações sobre o mundo espiritual e métodos de interagir com ele. Alguns Wiccans foram ensinados que sua religião é idêntica à religião Celta antiga, e fazem algumas afirmações que são simplesmente não fundamentadas num contexto Celta; quando corrigidos nesses conceitos errôneos, alguns assumem que isso significa que o RC é oposto à Wicca de alguma forma. Na verdade, essa é uma situação complexa.

Como o RC é sobre foco cultural e coesão cultural, e a Wicca foi compilada de uma combinação eclética de crenças e práticas de uma grande variedade de culturas, também é comum para alguns Wiccans não entender porque nós somos culturalmente focados, e tomar nossa decisão de não ser ecléticos como um julgamento do valor humano inerente de indivíduos que escolhem ser ecléticos. Algumas vezes ressentimentos surgem quando por exemplo, um lado sente que o outro está fazendo algo que é ofensivo em sua tradição. Embora tentemos ter boas relações com aqueles com os quais podemos discordar, às vezes crenças profundamente enraizadas podem tornar difícil aceitar isso de indivíduos cujas práticas nós sentimos que são culturalmente inapropriadas. Deve-se notar que livros sobre “Wicca Celta” são fontes muito pobres para informação e tradição Celtas.
Esses livros geralmente descrevem uma estrutura Wiccan com nomes de Deidades Celtas e conceitos inseridos com pouca consideração pela cultura e contexto originais Celtas. Isso leva a inevitáveis desentendimentos. Os RCs muitas vezes foram frustrados pelos conceitos errôneos desses livros.

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Os RCs acreditam que todas as tradições Celtas devem ser "modernizadas"?

Não, nem todos os RCs acreditam nisso. O RC é uma comunidade diversificada. Nós não concordamos todos o tempo todo.
Por exemplo, há visões diametralmente opostas na comunidade sobre se é aceitável modernizar a muito antiga tradição de mulheres mantenedoras da chama para a Deusa Bride (ou Ordens Brigidinas) para agora incluir homens. Dos RCs que participaram escrevendo as respostas desse FAQ, uma maioria é inflexível ao dizer que essa tradicional forma de culto deva permanecer exclusiva para mulheres, enquanto outros acreditam que a inovação moderna de incluir todos os gêneros é aceitável. Outras questões em debate incluem o lugar dos homens no culto a Bride, e o que dedicantes de Bride podem fazer em situação estruturada além da manutenção da chama.

Um breve exemplo de um debate de modernização é a discussão sobre como muitas tradições Celtas baseadas na terra, como as árvores do Ogham ou dindsenchas devem ser adaptadas a climas radicalmente diferentes na diáspora Celta. Enquanto a tradição Celta contém muitos exemplos da importância de se adaptar à nossa ecologia e espíritos naturais locais, há também a questão de até onde essas adaptações podem chegar antes que a tradição simplesmente não seja mais Celta. Quando um CR está vivendo na Austrália, Arizona ou algum outro lugar com uma ecologia radicalmente diferente das terras onde a cultura Celta originalmente se desenvolveu, alguns RCs acreditam que é mais apropriado adaptar tradições para o lugar em que você se encontra, seja escolhendo árvores nativas de sua biorregião para árvores do Ogham ou movendo as datas dos festivais para coincidir com eventos naturais locais como a “primeira geada”, se aliás houver uma. Outros acreditam que é mais preciso manter as associações originais e seus atributos históricos, mesmo se eles não se adaptarem aos ciclos naturais ou clima do lugar onde o RC vive.

Outra questão que surge é o sincretismo Romano-Celta , e quanto da influência Romana é aceitável nos ramos Romano-Celtas do RC antes que ele se torne mais Romano que Celta. Como em outras questões de “sincretismo e ecletismo”, ela pode ser um problema de culturas de opressão contra culturas nativas, e de como a história é lida através de lentes variadas.
Esses debates são uma parte natural da insistência no que significa ter uma encarnação moderna de uma tradição viva, e não são inesperados. Embora em muitas coisas nos esforcemos por consenso, em alguns pontos é necessário mencionar que há campos divergentes em uma questão e que nenhum campo é visto como falando pelo todo da comunidade CR.


Então todos os RCs cultuam da mesma forma?

Não. Não é realmente possível para todos os RCs terem rituais e dias sagrados idênticos. Não só todos os RCs são pessoas diferentes, mas nossos interesses e nossos Deuses nos levam às diferentes culturas Celtas. O fato é, culturas diferentes dentro da matriz Celta, e culturas diferentes dentro da ainda maior e mais diversa matriz Indo-Européia (IE), fazem coisas de formas diferentes e Deidades diferentes demandam coisas diferentes. Línguas também têm um papel nisso, marcando culturas diferentes e diferentes caminhos de se aproximar do rito e cosmologia.

Isso significa que, embora certas bases das estruturas possam ser similares, haverá também diferenças significativas no modo pelo qual, por exemplo, um RC de foco Escocês faria as coisas, comparado ao modo que um RC Bretão faria o mesmo tipo de ritual. E ambos normalmente seriam bastante diferentes de um ritual Védico ou Hindu, a despeito de todas serem culturas Indo-Européias. De fato, devido às diferenças nas culturas e línguas, elas não fariam rituais para as mesmas coisas ou os mesmos dias sagrados. Eles certamente não o fariam para as mesmas Deidades.

Como resultado, não é sábio ou mesmo útil pegar um formato ritual básico e apenas “anexar” um conjunto de Deidades baseado na cultura que você quer trabalhar hoje. Você tem de ser respeitoso com as culturas que você está trabalhando, e com as próprias Deidades. Alguém que diga que você pode fazer um ritual de “montar e fazer” dentro de um contexto RC não entende o que a reconstrução realmente significa.

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Eu ouvi dizer que vocês são mesquinhos com pessoas que têm perguntas. Por que isso?

Alguns RCs ou comunidades RC podem ter adquirido essa reputação porque nós não somos pacientes com tolos, mentirosos ou pessoas excessivamente crédulas. Todos fomos iniciantes no CR em algum momento. Falta de conhecimento é compreensível e esperada. De qualquer modo, se alguém finge ter um conhecimento ou experiência que obviamente não tem, ele raramente é tolerado por muito tempo.

Muitíssimos RCs têm o lema “Mostre-me”. Se alguém vem com uma explicação nova e recente para práticas Celtas históricas ou pré-históricas, ele deve estar preparado para fornecer alguma prova, seja em registros arqueológicos ou através de pesquisa. Os RCs não aceitam um “Eu digo que é assim, então é assim”. Os RCs normalmente esperam que você cite fontes acadêmicas e apresente um argumento fundamentado para interpretações radicalmente diferentes de alguma pratica, sociedade ou crença Celta antiga.

Embora a inspiração pessoal também seja uma parte importante do RC, quando algo não é apoiado pelo conhecimento, é necessário indicá-lo como “GPN”.

Muitos iniciantes no RC ficam surpreendidos ao ouvir essa questão, pois eles juram que nunca receberam tratamento inamistoso ou áspero de algum RC. Parece que é a atitude com o qual o novato se aproxima da comunidade que determina em grande parte a recepção que receberá.

Perguntas educadas são sempre bem-vindas. É só quando as pessoas são rudes ou exigentes que o pessoal que costuma responder perguntas fica mal-humorado. Mas se não gostássemos de responder perguntas, dificilmente estaríamos escrevendo um FAQ, estaríamos?
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