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Questões intermediárias

O que é a tradição Celta, e onde eu a encontro?

Quando falamos da “tradição Celta” queremos dizer a coleção de manuscritos antigos, o folclore recolhido nas terras Celtas, e as histórias, poemas e canções tradicionais.

Há diferenças quanto ao nível de precisão e autenticidade dos materiais disponíveis. Para sermos um pouco técnicos, o material geralmente é caracterizado como estando numa das seguintes categorias: primária, secundária ou terciária.

Materiais de fontes primárias são os documentos no idioma original, geralmente encontrados em museus, bibliotecas especializadas, e coleções sob curadoria. Estes documentos são referidos como manuscritos, ou MSS para abreviar. Também é material de fontes primárias o folclore registrado com exatidão das fontes ainda vivas, no tempo em que estas práticas ainda eram parte da tradição viva, sem serem filtrados pela interpretação do entrevistador.

Algum viés e erro humano são sempre fatores a se ter em mente, mesmo quanto às fontes primárias. Parte da utilização de qualquer fonte é compreender o contexto no qual a informação foi registrada, e levar em conta qualquer possível viés por parte do registrador, seja um monge Cristão ou a bisavó de alguém. Um dos modos pelos quais buscamos a precisão é comparando todos os diferentes registros da tradição e práticas, e geralmente é dessas comparações que um quadro mais completo e acurado emerge.

Material de fontes secundárias é o material das fontes primárias já traduzido, junto com o que foi escrito pelos que examinaram as fontes primárias na tradução, pesquisaram e tiraram suas conclusões. Esse tipo de trabalho exige habilidade e treinamento na metodologia adequada. Amadores habilidosos podem até ser capazes deste trabalho, mas devido à falta de revisão pelos seus pares, suas conclusões podem não ser válidas.Os RCs geralmente não consideram válidas as pesquisas terciárias. O material terciário não recorre em absoluto às fontes primárias. Ele só vê fontes secundárias de qualidade variável e daí tira suas conclusões. Quanto mais distante se estiver dos documentos primários e das evidências, menos certeza se pode ter das conclusões.

Também existem várias coleções de manuscritos chamados de edições, onde um erudito comparou vários manuscritos alegadamente narrando a mesma história, examinou minuciosamente todas as evidências, e selecionou o que acredita ser a versão mais coerente e provável do original. Devido à natureza editorial deste processo, sempre há alguma incerteza e viés potencial introduzido aí quando isto ocorre, e há muita diferença entre edições de manuscritos produzidas por pesquisadores diferentes. Este processo geralmente só é tentado por pesquisadores eruditos e competentes após muitos anos de estudos, devido ao alto nível de conhecimento fundamental que uma boa compilação requer. Muitos RCs estudam edições diferentes dos manuscritos antigos no esforço de obter uma compreensão mais completa e aprofundada da sua fonte.

Ver as Listas de livros e outros recursos.


É preciso falar uma língua Celta (Gaélico/Galês/etc.) para ser RC? Qual é a importância da língua? Todos vocês são fluentes em alguma língua Celta?

Não é necessário ser fluente numa língua Celta para ser um RC. Nós encorajamos as pessoas a entender palavras particulares nas línguas Celtas que são, Poe assim dizer, o vocabulário técnico do RC, e buscar a imersão tanto quanto possível na língua da cultura que é o seu foco. Os Galeses dizem que “não há país sem língua”, e tendemos a concordar com essa filosofia. A menos que entendamos algo sobre como as diferentes línguas funcionam, não poderemos entender as visões de mundo das pessoas que as falam, e as línguas Celtas apresentam uma visão de mundo diferente do Inglês, Alemão ou Russo.

Para alguns de nós, aprender e falar uma língua é um projeto mais pessoal e profundo. Pode ser importante dizer ao menos algumas palavras numa língua Celta numa oração, especialmente se uma das suas Divindades requer isso de você. Alguns de nós começamos o estudo das línguas Celtas após sonhos ou visões nas quais uma Divindade nos pediu para falar com Eles em Sua língua, ou nos falou nela, e partimos numa busca de entender o que Eles exigiam de nós. Alguns de nós aprendemos canções e poemas nas línguas Celtas como um modo de colaborar com a preservação das culturas com as quais trabalhamos – ou apenas porque é divertido e excitante – do mesmo modo como poderíamos estudar dança Irlandesa ou gaita de foles Escocesa.

Também é importante notar que mesmo que as Divindades possam entender nosso idioma perfeitamente bem, é a língua dos que oprimiram muitos do Seu povo. Pode não ser uma boa idéia falar com as Divindades numa língua que veio junto com o genocídio cultural.

Também é bom entender que alguns conceitos não podem ser traduzidos de modo fácil ou completo de uma língua Celta para a sua, e assim, para uma maior compreensão do conceito, aprender a pensar na nova língua pode ser importante. Se você está começando no RC, ninguém vai forçá-lo a aprender uma liturgia ritual completa numa língua estranha. Embora vários de nós tenhamos o objetivo de nos tornarmos fluentes, a maioria ainda não o é, mesmo estudando as línguas Celtas já por vários anos.


Qual é a diferença entre o caminho do guerreiro e o do poeta? Há outras opções no RC?

As pessoas chegam ao RC por vários motivos. Alguns sentem-se atraídos pelo lado mais místico, enquanto outros se sentem chamados a servir publicamente às Divindades e à comunidade. Alguns seguem as Divindades guerreiras, e outros se interessam pelas Divindades das artes e ofícios. Os que se dedicaram às Divindades criadoras podem estudar metalurgia e joalheria, tecelagem, ou carpintaria.

Há lugar para todos os tipos de pessoas, e para os que se interessarem por mais que um destes caminhos. Historicamente, alguns eram tanto guerreiros como poetas, ou druidas e artesãos. Às vezes a maestria num caminho incluía o estudo de outro, como na exigência para os guerreiros fianna de Finn de serem capazes de memorizar, compor e declamar poemas. As artes do guerreiro requeriam disciplina física similar à dos praticantes das artes marciais da Ásia, e podiam levar uma vida inteira para dominar, como as artes do druida. O que todos nós temos em comum é a dedicação às culturas e Divindades Celtas, o amor pela música, artes, e línguas Celtas. Qualquer cultura viva e equilibrada tem lugar para vários tipos diferentes de pessoas com talentos e habilidades diversas, e essa diversidade é encorajada no RC.

As pessoas podem estudar as artes do guerreiro para auto-defesa, auto-disciplina, ou para se compreenderem mais profundamente. Alguns dos que abraçam o caminho do guerreiro o manifestam em suas vidas pelo seu trabalho como agentes da lei, bombeiros e socorristas, equipes médicas de emergência, serviços de resgate, ou nas Forças Armadas. Os que foram chamados para o caminho do poeta podem se interessar mais por estados de êxtase e por atravessar o mistério das brumas entre os mundos para trazer o conhecimento de volta para sua comunidade. Os que estão no caminho do druida criam rituais e estudam história e os contos para partilhá-los com outros, fornecendo um senso de continuidade na comunidade RC. Aqueles que se dedicam mais aos seus lares e famílias participam por meio da criação de altares pessoais e ao honrar os Ancestrais e os Espíritos da terra do lugar aonde vivem e por dar festas em suas casas nos dias sagrados. E embora a especialização e o foco sejam importantes, especialmente num tempo em que estamos trabalhando para dar substância a algumas destas tradições, muitos se descobrem levados a criar caminhos únicos que combinem aspectos de várias das abordagens descritas.

Ver também Vocês falam um bocado dos Forasteiros e seu papel. O que é isso?


Eu li sobre o treinamento de Cu Chulainn com Scáthach. O que é isso do “Salto do Salmão” ou dos “feitos de espada”? Existe uma Arte Marcial Celta?

Pelo que sabemos, nunca houve uma única forma de arte marcial Celta, mas existiram técnicas de treinamento para atividades marciais.

Vários esportes de tipo marcial ainda existem nas terras Celtas, que são certamente derivados de técnicas de combate dos Celtas antigos. Eles incluem algumas formas de luta de “agarramento” como a “Pescoço-e-Cotovelo” da Irlanda, a Backhold da Escócia, o Gouren da Bretanha e a luta Galesa. O estilo moderno de “Luta-Livre”, que se tornou puro entretenimento, como a combativa luta de submissão Irlandesa, é derivado de lutas do norte de Gales e do Lancashire. Mesmo o esporte menor do “Chute-de-Canela” (também conhecido como “Purring”) surgiu de um tipo de luta de agarramento chamado “Out-Play” (em oposição ao “In-Play”). Há muitos estilos de luta de agarramento por todo o mundo, assim a mera presença de um estilo destes não necessariamente indica antecedentes Célticos. A história deve ser examinada cuidadosamente.

O Boxe deve muito de sua história (mas não tudo) a técnicas de combate com os punhos das terras Celtas, com destaque para a Irlanda. Muitos dos primeiros boxeadores profissionais eram da Irlanda, tanto na Europa quanto, depois, nas Américas.

Além disso, há alguns estilos de luta armada que sobreviveram, ao menos na forma de manuais de instruções. Métodos de esgrima com a espada larga ou a “shillelagh” (bata ou bastão) assim como outras armas, existem tanto na transmissão oral direta quanto em descrições detalhadas em livros.

O “Salto do Salmão” é um dos cleasa (“Feitos” ou “Truques”) que se diz serem conhecidos por Cu Chulainn antes de chegar à ilha de Skye, onde ele buscou treinamento com Scáthach (uma mestra renomada de artes marciais, que tinha sua escola ali). Ele usou o salto em sua, digamos, “prova” de admissão para instrução por ela. É também um dos Feitos mais comumente relatados dos heróis da Irlanda, embora haja outros cleasa igualmente impressionantes. Os cronistas Clássicos, ao relatar as batalhas contra os Gauleses, notaram como os Celtas saltavam sobre os escudos de seus oponentes. O “Salto do Salmão”, ao que parece, era o aprendizado de técnicas de salto em altura e sua prática até que o guerreiro pudesse saltar mais alto que a maioria das pessoas.

O “Feito da Espada” (Faobhar Chleas) é descrito em algum detalhe na história Mesca Ulad (“A Embriaguez dos Homens do Ulster”). Consistia de uma dança executada antes do combate, que envolvia malabarismos com a espada e outros movimentos de impressionar. É provável que outros “Feitos” listados como sendo conhecidos por Cú Chulainn fossem de natureza similar (como o “Feito Corporal”, que pode ter sido uma dança exibindo técnicas de combate desarmado).

Os guerreiros Celtas, ao que parece, não se contentavam simplesmente em aprender como acertar o adversário com suas armas. Eles também se dedicavam a práticas que hoje chamaríamos de “cross-training”, assim como a métodos que eram claramente de natureza mais “mágica”.

Para um artigo mais detalhado sobre o tema ver: Celtic Martial Arts por C. Lee Vermeers.


Mulheres também podem ser guerreiras?

A existência de mulheres guerreiras nas culturas Celtas é assunto de debate. Embora muitos RCs e eruditos acreditem que há evidências disso, devemos notar que essa evidência é circunstancial e questionável no presente momento. Até que o corpo de uma mulher Celta claramente identificada seja encontrado com armas enterradas junto, isso é o melhor com que podemos contar. Se existiram, ou não, guerreiras profissionais entre os ancestrais Celtas, de qualquer modo há lugar para guerreiras no RC, desde que não estamos recriando o passado.

Como os Celtas antigos eram uma cultura guerreira, nossas idéias modernas sobre quem é ou não um guerreiro podem não se aplicar ao modo como os ancestrais Celtas viviam. Esperava-se que as mulheres quisessem e pudessem lutar, especialmente em períodos de crise extrema. Isso é algo conhecido em tempos históricos. Por exemplo, embora não fosse adequado que as mulheres da Escócia do final do século XVIII se tornassem soldadas, quando a necessidade surgiu durante a Limpeza das Terras Altas muitas delas foram para a batalha. Mulheres também aderiram às lutas entre facções Irlandesas, que podiam ir desde escaramuças leves até completas e sangrentas batalhas. Embora não esteja claro até que ponto guerreiras profissionais fossem comuns em qualquer período da história dos Celtas, está claro que as mulheres Celtas estavam preparadas para a luta – seja em defesa própria, seja em prol de seu povo ou seu território.

Houve casos de mulheres Celtas de antigamente que lutaram e conduziram homens à batalha, como afirmaram os Romanos. A mais famosa delas foi Boudicca, rainha dos Iceni da Britânia, que liderou uma rebelião multi-tribal contra os romanos após a morte de seu marido, o estupro de suas filhas e seu próprio flagelamento no primeiro século d.C. Isso foi registrado pelos historiadores Romanos Dio Cassius e Tácito. Comenta-se que não há evidências de que ela tivesse recebido treinamento marcial ou que houvesse mulheres entre seus guerreiros, porém deve-se notar que se a mentalidade de um povo guerreiro não inclui a visão de mulheres como guerreiras capazes, dificilmente os homens seguiriam uma delas em batalha. Ammianus e Diodorus Siculus descreveram as mulheres Gaulesas como sento tão altas quanto os homens e que elas eram melhores combatentes que eles. Tácito, assim como César, comentaram que as mulheres estavam presentes para encorajar os guerreiros, e que freqüentemente elas morriam ou eram feridas, embora nenhum dos dois efetivamente mencione que elas lutaram; Plutarco, por outro lado, notou que elas estavam presentes na retaguarda para matar seus próprios homens se estes recuassem.

Baseados em novas evidências, alguns de nós estamos convencidos de que devemos repensar nossa crença de que os Romanos teriam notado a presença de mulheres no campo de batalha. Talvez as mulheres descritas como “líderes de torcida” fossem notáveis por, a despeito de estar no campo de batalha, não lutarem. É possível que os Romanos não tivessem notado as mulheres que realmente lutaram. Em 2004, foram descobertas tumbas numa fortificação Romana em Cumbria que incluíam várias mulheres queimadas e enterradas com cavalos e armas, indicando que os Romanos tiveram mercenárias (Sármatas?) entre as suas tropas. Não há registro escrito dessas mulheres, assim, se agora temos esta evidência e eles não se deram ao trabalho de mencionar o fato, teriam eles mencionado a presença de guerreiras entre seus inimigos como estranha? No entanto, ainda não temos relatos de tumbas de guerreiras Celtas.

A mitologia apresenta várias referências a Deusas da guerra e carnificina. Em alguns dos contos as Deusas, ou Suas sacerdotisas, estão no campo de batalha incitando os guerreiros, ou participando da batalha sob formas animais. Relatos de Deusas e mulheres tomando das armas e governando por direito de conquista são menos comuns, mas existem, mesmo que sejam muito debatidos. Por exemplo, no Cath Maige Tuired, quando a Morrígan exclama que matará como Sua contribuição à batalha, muitos escolheram interpretar isso como sendo por magia, embora nunca se declare se Ela agirá por meio de armas ou magia. Mais clara é a história de Macha a Vermelha, governante por direito de conquista, tendo derrotado outros pretendentes ao trono (todos homens) em batalha. Medb e Carman lideraram exércitos, como a rainha Boudicca fez na história. A guerreira Scáthach treinou Cu Chulainn, e ele foi desafiado para combater a guerreira vizinha,m Aoife, a quem ele derrotou apenas por meio de trapaça. Fionn Mac Cumhail também foi criado por uma mulher (ou mulheres) que lhe ensinou a lutar. É entre os Forasteiros, os Fianna, que vemos muitos relatos de guerreiras, incluindo Ness que liderou um bando dos Fianna por algum tempo, e Créidne, que após ter sido estuprada pelo pai e dado à luz três filhos, tornou-se Excluída até conquistar para seus filhos o direito de herança. Como frequentemente ocorre, mesmo se as guerreiras não são bem-vindas na cultura-padrão, as mulheres atraídas a esse caminho encontram seus papéis como Excluídas às margens dela.

Essa atitude sobreviveu até certo ponto nos dias de hoje, em que muitas mulheres que descendem dessas ancestrais belicosas foram criadas na atitude de que se for preciso, devem querer e poder lutar. Nesse espírito, as mulheres no RC freqüentemente estudam artes marciais e algumas trabalham em profissões que podem ser consideradas expressões modernas do caminho do guerreiro.

Ver também Qual é a diferença entre o caminho do guerreiro e o do poeta? Há outras opções no RC?


O que é essa tal de GPN que eu sempre leio?

GPN (UPG no original) = Gnose Pessoal Não-Substanciada. Isso é um rótulo usado para identificar informações obtidas por meio de meditação, lampejos intuitivos, visões e outras experiências espirituais. Freqüentemente essa informação pode não ser verificável por fontes primárias ou secundárias mas parece ser utilizável de modo mais pessoal. Os RCs acham extremamente importante chamar de GPN o que não pode ser substanciado pela tradição ou pesquisa, para prevenir mal- entendidos sobre fontes verificáveis e manter a honestidade intelectual. “GPN” e suas variantes são usadas especificamente para descrever crenças obtidas via métodos místicos, não idéias ou conclusões intelectuais obtidas por meio de pesquisa acadêmica.

Variações de GPN são Gnose Pessoal Não-Verificada ou Não-Documentada.

Embora não se saiba exatamente quem usou o termo pela primeira vez, há um consenso que o termo e suas variações surgiram nas comunidades dos Ásatrú por volta dos anos noventa. Esses termos foram gratamente adotados por várias tradições Reconstrucionistas e posteriormente refinados e aplicados em nossas comunidades.

Termos relacionados:

GPC (Gnose Pessoal Compartilhada) – indicando uma visão ou crença mística partilhada por um número de pessoas, de preferência de modo independente uns dos outros e surgindo entre pessoas não-relacionadas de outro modo. Por exemplo, uma visão experimentada coletivamente pelos membros de uma família pode ser mais válida que uma visão obtida por um indivíduo isolado mas, devido à possibilidade de alucinação coletiva, é discutível se essa gnose de um grupo pequeno se qualifica realmente como sendo GPC. Uma visão ocorrida entre pessoas separadas geograficamente e que jamais se tenham encontrado é mais do tipo que consideramos ser GPC.

GC (Gnose Confirmada) – indicando que evidências confirmando um caso de GPN ou GPC foram posteriormente descobertas na tradição. Às vezes isso é chamado também de GPC (Gnose Pessoal Confirmada). Esses casos são altamente valorizados e servem para reforçar a fé individual e coletiva nas Divindades, Espíritos e Ancestrais de quem essa informação proveio. Casos de GC são também importantes por nos permitirem, com o tempo, distinguir a imbas verdadeira de imaginação (imbas é a palavra do Irlandês Antigo para “inspiração”; no Irlandês Moderno se escreve iomas.)

A GPN nunca é um fim em si mesma; é, na verdade, o começo de uma jornada, o começo de um processo de testar a informação por meio da prática espiritual e da pesquisa acadêmica. A GPN só é útil se a comunidade também der valor à humildade e ao ato de conferir os dados, e reconhecer que mesmo o místico mais experiente pode às vezes se iludir ou se enganar. Em uma ou outra ocasião todos nós tivemos que descartar algum sonho ou “visão” legal por ela não combinar com a tradição conhecida, ou se nos ameaçar de conduzir numa direção contrária a nossos valores. Do mesmo modo, embora tenhamos entre nós pessoas com habilidade para mediar as Divindades e Espíritos, ou trazer informação do Outro Mundo, não temos nenhum desejo de dar o perigoso passo de estabelecer alguém como um guru infalível ou a voz da Divindade.

Ao considerar se a GPN ou GPC de alguém merece ser incluída em sua prática espiritual, estas “Leis da GPN” podem servir de guia:

1. Nenhuma GPN deve contradizer fatos conhecidos sobra a cultura, e nenhuma prática baseada apenas numa GPN deve ser considerada senão como uma invenção moderna.

2. Se uma crença ou prática baseada em GPN não contradiz fatos conhecidos, mas não pode ser confirmada pelo mesmo repertório de conhecimento, ela permanece sendo uma invenção moderna.

3. Se uma GPN obedece à lei no. 2 e também preenche uma lacuna da tradição conhecida, provavelmente vale a pena seguir adiante, por experimentação e pesquisa, para ver se ela pode vir a ser uma GPC ou GC.

4. Se uma GPN que obedece à lei no. 2 é recebida por pessoas sem contato real entre si, ela continua sendo moderna mas agora é uma GPC (Compartilhada). Isso quer dizer que o grupo pode estar na pista de algo interessante.

5. Se uma GPN se torna GPC, e esta GPC é incorporada à prática de pessoas de fora do grupo que a recebeu primeiro, ela se torna uma tradição moderna.

6. Não há como uma GPN se transformar em tradição antiga a menos que seja aceita de modo geral e seja mantida mais ou menos intacta por pelo menos 1000 (mil) anos.


O quanto de GPN é aceitável no RC? Como se pode saber?

O RC, como todas as tradições com um lado místico e extático, precisa de checagens e avaliações para permanecer saudável. Os que trabalham com estados de transe, jornadas ou outras formas de interação com as Divindades e Espíritos, precisam de um sistema sólido de apoio ao qual possam recorrer para opiniões, discussão com os pés-no-chão de experiências similares ou partilhadas, e checagens comparando-as com a tradição Celta conhecida ou o conhecimento da cultura.

Embora RCs em todo o mundo tenham às vezes experimentado coisas imprevistas, como Espíritos locais surgindo em formas Célticas, ou Espíritos dizendo serem Divindades Celtas aparecendo em formas incomuns ou com mensagens incomuns, todo místico digno do nome sabe que essas coisas devem ser comparadas com a tradição e a percepção de outros místicos antes que possa tomá-las como algo mais que imaginação. Não é raro que nossas mentes criem projeções de nossas expectativas. Se você se encontrar lidando com uma entidade que lhe ofereceu a sabedoria do Universo, as chances são grandes de ser a sua mente falando com você, e não um Espírito ou Divindade.

É muito importante consultar outros místicos, visionários, videntes e guardiães da tradição sobre a informação recebida via transe ou êxtase. E é por isso que nossas leituras dos textos da tradição são tão importantes – elas nos permitem comparar a informação nova com uma matriz cultural conhecida para ver se ela se encaixa ali. Também é bom ter em mente que só porque os Ancestrais estão mortos, isso não significa que eles são mais sábios do que foram em vida. Sempre teste as respostas e informações obtidas pelo trabalho espiritual com o senso comum e os fatos conhecidos. Sabe-se bem que algumas Divindades são trapaceiras, e mesmo que As respeitemos, não podemos sempre confiar completamente Nelas. É vital examinar tudo o que se aprendeu antes de usá-lo em rituais ou trazê-lo para a comunidade como sendo algo mais que mera GPN

Lembre-se que as intenções dos Espíritos e Divindades não são necessariamente as nossas. Se Elas pedirem algo que você não possa fornecer de modo razoável, diga a Elas e explique o porquê disso. Seja especialmente cuidadoso se você receber mensagens de qualquer tipo que sugiram que você se fira ou machuque outros. Nem todos os habitantes do Outro-Mundo querem o seu bem.

Se abordada de modo cuidadoso, com uma rede firme de apoio e um bom embasamento na tradição e costumes, a GPN pode ser uma parte muito útil da prática RC. Algumas GPNs eventualmente se tornam aceitas no RC geral como práticas tão válidas para o grupo que as adotou como para o indivíduo que as recebeu. Lembre-se que todos nós já tivemos de descartar idéias incríveis de tempos em tempos, por causa de evidências contraditórias na tradição ou porque os fatos apontavam contra elas. Nestes casos, essas revelações podem ser úteis na prática privada, mas não têm lugar no RC como um todo.

Ver também O que é essa tal de GPN que eu sempre leio? e O que é a tradição Celta, e onde eu a encontro?


Referente ao relacionamento com uma Divindade, o quanto se deve estar de acordo com os mitos? E com a história?

Ver O quanto de GPN é aceitável no RC? Como se pode saber? e Não foi assim que meu/minha (insira membro da família aqui) me ensinou a honrar (insira figura de escolha aqui)!


Como se decide quais aspectos da cultura Celta manter e quais descartar?

Desde que o propósito básico do RC é reconstruir o que as religiões Celtas pagãs poderiam ter se tornado na era moderna, precisamos, com o maior respeito pelas tradições antigas e vivas, adaptar práticas espirituais antigas para que caibam nas estruturas legais e éticas da sociedade moderna. Em outras palavras, é mais desonroso quebrar leis justas do país onde vivemos do que abandonar aquelas práticas que agora são ilegais, eticamente inadequadas, ou não-práticas a ponto de serem impossíveis num contexto moderno. Trazer para casa as cabeças cortadas dos inimigos valorosos é uma idéia infeliz para a prática RC moderna.

As estruturas sociais tribais da Idade do Ferro são uma coisa não-prática que deixamos de lado. O RC não tem Reis Supremos, nem Chefes tribais. Não há o bastante de nós para formar verdadeiras nações RC ou tuatha (uma tuath era composta de milhares de pessoas – o tamanho de uma cidade pequena), e estes são termos políticos inadequados para uma comunidade social-espiritual vivendo sob as leis do Estado soberano onde moramos. É também ofensivo para as culturas Celtas vivas tentar redefinir radicalmente o que esses termos e títulos antigos significam, e desde que estamos envolvidos com as culturas, nem nos ocorreria fazer algo tão ofensivo. Embora busquemos os melhores ideais do tribalismo, comunidade e coletivismo, não achamos que temos o direito de reclamar uma região de nosso país como nosso “território” e tentar (ou fingir) governá-la seja lá como for. É nosso desejo, pelo contrário, interagir com os Espíritos da terra, os Ancestrais e as Divindades de modo respeitoso, e coexistir de modo pacífico e construtivo com nossos vizinhos humanos, sem diferença de antecedentes ou de religião.

Encorajamos as pessoas a contemplar o que é bom e útil nas antigas culturas Celtas. Todos nós tentamos cultivar um senso pessoal e comunal de virtudes Celtas como Verdade, Honra, Justiça, Lealdade, Coragem, Comunidade, Hospitalidade, Força, e Gentileza, e implementar estes valores em nossas vidas modernas de modos que funcionem para nós. Para alguns, isso leva ao serviço comunitário de modo pessoal ou profissional. Outros vêem nisso um chamado ao ativismo político em prol da paz e da justiça. Alguns de nós simplesmente acham que esse é um modo de viver que nos ajuda a viver nossas vidas como indivíduos melhores e mais compassivos.


Vocês pegam emprestado de outras culturas para "preencher as lacunas"?

Emprestar? Não. Roubar? Certamente que não. Usar estudos amplos e profundos, especialmente de culturas próximas, para ajudar a criar uma hipótese viável de como os ancestrais Celtas podiam fazer as coisas? Sim, às vezes.

Quando falamos de estudar outras culturas relacionadas para ter idéias sobre como elaborar algumas práticas religiosas Celtas para as quais temos pouquíssima informação, não nos propomos a simplesmente importar rituais, práticas ou crenças de outras tradições. Muitas vezes só vamos até a tradição Galesa ou Gaulesa para obter pistas sobre os Gaélicos. Outros podem olhar os elementos comuns a várias culturas Indo-Européias para indicações sobre o que nos falta, especialmente os Nórdicos, que historicamente interagiram extensamente com os Celtas tanto nas ilhas como no continente. No entanto, muitos RCs se contentam em manter a tradição simples, fixando-se nas práticas que já possuímos, e não tentando elaborar nada.

O RC foi desenvolvido como uma alternativa às “religiões Celtas” que só punham nós entrelaçados em costumes estranhos às culturas Celtas (especialmente a Wicca, o Neopaganismo em geral e o “xamanismo nuclear”) e pilhavam as culturas Celtas em busca alguns bocados exóticos para temperar práticas ecléticas. Assim, um elemento-chave do RC é o evitar deliberadamente misturar nossa prática com as de outras culturas. Se precisarmos “preencher as lacunas” iremos provavelmente usar idéias de outras culturas Celtas, ou pelo menos Indo-Européias, que nos ajudem a desenvolver algo Céltico para preencher o vazio. É crucial entender que ao invés de forçar práticas estranhas numa estrutura Celta, as usamos como ”pistas” – “OK, isto era feito numa cerimônia Nórdica, que se parece muito com esta de um texto Védico, junto com a referência deste texto Irlandês...ah bem, talvez algo parecido existisse entre os Celtas, mas ficaria mais deste modo...”.

No trabalho de reconstrução, é de importância vital que se tenha um fundamento sólido na cultura Celta particular cuja prática estamos reconstruindo. Sem isso, é muito fácil para alguém não só trazer coisas que estão em desarmonia com a cultura Celta, como tentar, sem o saber, criar substitutos desnecessários de coisas que já existem na cultura Celta. Essa é outra área do RC que requer paciência e anos de estudo. Felizmente, à medida que o movimento amadurece, esses anos de estudo estão sendo destilados de modo que os recém-chegados não tenham que reinventar a roda, por assim dizer. Mas eles devem entender que mesmo aqueles de nós que estão fazendo isso já há anos ainda estão testando todas as nossas “rodas” para ver se elas funcionam.

Quando não há pistas suficientes em culturas relacionadas, alguns de nós acham que é correto procurar mais longe, em outras culturas tribais e animísticas, como as tradições Afro-Diaspóricas, para preencher as lacunas da tradição. No entanto, essa é uma área controversa no RC. Indivíduos e sub-tradições RC às vezes têm opiniões divergentes sobre se isso é mesmo adequado, mas mesmo os que são favoráveis à busca em locais distantes concordam que isso é só para encontrar pistas de como fazer a mesma coisa de um modo mais Céltico. É uma busca de “tecnologias” adaptáveis, e não uma substituição de crenças. Um exemplo disso é a abordagem de “intercâmbio cultural” que alguns de nós fazem para aprender como dominar com segurança técnicas de transe extático. Isso começou de modo separado para vários de nós devido ao fato que estes estados de transe estavam ocorrendo algumas vezes em cerimônias Celtas. As Divindades pareciam exigir que alguns de nós executássemos as técnicas de transe, assim foi necessário procurar praticantes experientes em tradições vivas não-relacionadas para nos aconselhar sobre como conduzir essas experiências de modo seguro. Ao invés de negar as Divindades Celtas, queríamos um modo seguro de aprofundar nossa conexão e comunicação com Elas – não só por nós mesmos, mas em serviço à comunidade mais ampla. Mas para os que foram mais afetados pelos estudos trans-culturais, e que estão agora familiarizados com as Divindades das outras culturas, ainda existe o princípio partilhado de que, à medida em que desenvolvemos nossas tradições RC diversas, não devemos importar práticas não-Celtas completas. Queremos criar uma tradição vibrante e profunda, mas não eclética.


O RC inclui sincretismos?

Nessa questão, é crucial distinguir entre sincretismos antigos e recentes, assim como entre sincretismo e ecleticismo.

Sincretismos antigos, que refletem partes estabelecidas das culturas Celtas vivas e suas interações históricas com as culturas próximas, podem ser aceitos na prática RC. No entanto, sincretismos que sejam imposições recentes de idéias de fora não são considerados como sendo RC.

Enquanto sincretismos recentes não sejam aceitos no RC, alguns RCs sentem que os sincretismos históricos, ocorridos pela interação prolongada de culturas politeístas antigas, tornaram-se parte das tradições vivas. Um exemplo típico é a presença de alguns costumes e Divindades dos Nórdicos nas tradições da Escócia, além de outros modos em que ambas as culturas se mesclaram e influenciaram mutuamente. Estes sincretismos politeístas antigos surgidos da interação cultural prolongada são diferentes dos sincretismos da opressão, que foram instituídos para co-optar e eventualmente eclipsar a religião nativa.
O ecleticismo envolve a combinação de crenças e práticas diversas de uma variedade de culturas não-relacionadas. A única “autoridade” que os ecléticos geralmente reconhecem é o seu próprio senso do que “parece que funciona”. O sincretismo é diferente disso. Sincretismo implica numa cultura principal na qual se tem raízes, e que incorpora elementos de uma cultura externa que parecem se harmonizar com o foco cultural principal do sincretizante.

O ecleticismo não é, em absoluto, parte do RC. Os sincretismos recentes não são considerados como RC.

Os únicos sincretismos com os quais os RCs mais experientes parecem concordar são os que são parte antiga e estabelecida das culturas Celtas vivas, causados por polinização cruzada prolongada. Isso inclui a mistura com a cultura Nórdica, alguns elementos do Cristianismo Celta, e as superposições de culturas Celtas relacionadas, como os Gaélicos e os Gauleses.

Há alguns RCs fazendo estudos trans-culturais ou que tem antecedentes de várias abordagens culturais religiosas. No entanto, os RCs concordam que esses estudos são para levar a um maior entendimento das culturas Celtas em seu contexto próprio, e não para confundir ou diluir o foco cultural Celta do RC.


Posso ser RC e ainda venerar Divindades não-Celtas?

Sim, mas com cuidados.

Adorar divindades não-Celtas é considerado como estando fora do âmbito do RC, e não deve ser considerado como parte da prática RC de modo algum. Embora seja aceitável que pessoas envolvidas na comunidade RC tenham práticas não-RC em suas vidas pessoais, deve-se ter firmemente na mente que elas são apenas isto – práticas não-RC. As culturas e ritos das Divindades não-Celtas devem ser mantidas separadas da sua prática RC. Se você venera Divindades de outras culturas, mantenha altares separados para elas, e aborde oferendas e outros ritos no modo daquela cultura em particular.

Se você sente-se chamado por Kali, por exemplo, é recomendável que você A adore num templo Hindu, ou pelo menos do modo tradicional Hindu, ao invés de tentar encaixar Kali na sua prática CR. Ela não é uma Deusa Celta e provavelmente se ressentiria de ser assim tratada. Ela já tem Seus ritos e práticas tradicionais formulados, Suas oferendas favoritas, e Seus dias sagrados. Ignorar isso numa tentativa de enxertá-La na prática RC seria um ato de violência contra o CR e o Hinduísmo.

As únicas ocasiões em que seria aceitável venerar Divindades não-Celtas num formato de rito RC seria nos casos em que interações prolongadas e históricas entre culturas relacionadas criaram um ambiente cultural híbrido que tradicionalmente incluía estas Divindades, como por exemplo, nos casos de algumas comunidades das terras Altas da Escócia e no litoral da Irlanda que adotaram alguns costumes e Divindades dos Nórdicos. Se as culturas forem similares o bastante, e for evidente que ambas se encontraram, fundiram, e criaram uma tradição histórica, pode ser aceitável que se incluam estes sincretismos de longa duração como parte daquela tradição.

Ver O RC inclui sincretismos?


O que é esse tal de Ogham que vocês ficam mencionando sempre?

Ogham (ou, no Irlandês Antigo, ogam), pronunciado “Ô-am”, é a forma mais antiga de escrita Gaélica – um alfabeto e cifra criado sob influência do Latim. Há vinte ogham fedha (letras/glifos), organizados em quatro grupos de cinco. Cada grupo é um aicme. Os primeiros três aicme são de consoantes e o quarto de vogais. Também há um quinto aicme chamado forfedha (letras adicionais) que raramente são vistas, se o são, fora dos manuscritos. Os forfedha são definitivamente de origem posterior ao grupo de letras original. Se foram criações dos monges copistas para tentar harmonizar o ogham com o Latim, ou um desenvolvimento independente de um sistema vivo, é tema de debates. Alguns RCs que usam o ogham como um sistema divinatório incorporaram os forfedha, outros não.

A maioria das inscrições do ogham restantes está em grandes pedras demarcando territórios, e apresenta só um nome na forma genitiva, geralmente com um patronímico ou matronímico, ou o nome do avô do indivíduo. As inscrições parecem ter uma morfologia similar ao Celta Continental, e a língua Irlandesa mudou mais entre o período do ogham e o Irlandês Antigo (mais ou menos três séculos) do que desde então até hoje.

Nas narrativas Irlandesas antigas, o ogham é descrito como sendo inscrito em galhos ou objetos de madeira (como escudos), mas nenhum desses artefatos sobreviveu. Alguns artefatos de osso com letras isoladas, como dados ou ossos com inscrições mágicas, existem ainda. O uso divinatório do ogham parece provável, dada a declaração na Segunda Visão de Adomnan de que uma das artes diabólicas praticadas pelos Irlandeses era a fidíanna, “divinação pela madeira”.

Muitos RCs usam o ogham para divinação, geralmente jogando ou tirando um fíodh (literalmente “graveto”, uma letra do ogham inscrita num pedaço de madeira) de modo similar às runas dos Nórdicos, ou estudando os símbolos para interpretar presságios no mundo à nossa volta. Os RCs que usam o ogham para divinação e meditação estudam os textos antigos e trabalham com a inspiração e o auxílio de outros RCs para aprender mais e desenvolver mais o sistema. Disso resulta que cada letra se torna um ponto numa matriz de associações e correlações simbólicas. Muitos RCs lêem o Livro de Ballymote e a sua seção sobre os alfabetos e cifras do ogham em busca de associações e simbolismos históricos. No entanto, as abordagens particulares da inclusão do ogham num contexto moderno variam, com alguns RCs focalizando mais as associações das árvores a cada letra e seus laços com as forças naturais, outros nas análises lingüísticas dos nomes das letras ou aos versos associados a cada letra e sua conexão poética, e outros às listas dos oghams das aves, fortalezas, cores, cifras ou outros meios historicamente comprovados de interpretar as fedha.

Para um método de trabalhar com o crann ogham (árvores) numa perspectiva RC, ver: Treehuggers: A Methodology for Crann Ogham Work por Raven nic Rhóisin e Kathryn Price NicDhána.


É Samhain, Samhuinn ou Samain? Porque há tantas formas diferentes de se escrever?

Isso pode parecer confuso para o novato, pois estamos às vezes discutindo fontes em Irlandês Antigo, outras vezes fontes Escocesas, outras vezes ainda outras línguas Celtas diferentes. Assim como o Inglês moderno é diferente do Inglês do tempo de Shakespeare, também as línguas Celtas evoluíram com o tempo.

Assim, grafias e pronúncias irão variar de acordo com a língua específica (Irlandês, Escocês, Galês, Gaulês, etc.) e o período no qual o material foi registrado por escrito. Como “Reconstrucionismo Celta” é um termo “guarda-chuva” que engloba muitos indivíduos e grupos, de uma variedade de abordagens e culturas Célticas, não vemos necessidade de uma padronização forçada dessas palavras. Geralmente, usa-se a grafia/pronúncia que faz mais sentido em um dado contexto de uma discussão, ou da língua que se conheça melhor. Por exemplo, ao explicar a nossa tradição para alguém da comunidade Neopagã mais ampla, podemos usar o nome mais comumente compreendido de um Festival ou Divindade, mas quando nos referimos a um manuscrito antigo, provavelmente seremos fiéis à grafia usada no manuscrito em questão.

Para introduzir certa consistência neste FAQ, tendemos a padronizar os termos em Irlandês Moderno. O CR é uma comunidade moderna, assim alguns RCs sentem que devemos usar uma terminologia contemporânea, exceto nos casos onde não exista uma palavra moderna para o conceito que estejamos tentando nomear. Alem do mais, o Irlandês moderno é provavelmente a língua Celta mais amplamente divulgada, e com mais cursos/aulas disponíveis que algumas das outras. Isso não é de modo algum um insulto aos que seguem os caminhos Escoceses, Galeses, Gauleses ou outros, mas é só um modo de tornar este documento mais inteligível para quem não fale nenhuma das línguas Celtas.

Aqui estão alguns exemplos de grafias diferentes para os mesmos termos e conceitos. Quando mais de uma grafia por língua é dada, as variações estão numa ordem da forma mais antiga conhecida do nome para a grafia em uso corrente:


Festivais

Datas aproximadas

Irlandês Antigo

Irlandês Moderno

(Gaeilge)

Gaélico Escocês

(Gàidhlig)

Gaulês

Galês

(Cymraeg)

Começo de Novembro

Samain; Samhain

Oíche Shamhna

Samhuinn; Samhainn; Samhain

Trinouxtion Samonii; Samonios

Calan Gaeaf

Começo de Fevereiro

Imbolc; Imbolg; Oimelc

Lá Fhéile Bríde; Imbolc

Latha Fhèill Brìghde

Ouiamelgtis

Gwyl Ffraed

Começo de Maio

Beltain

Lá Bealtaine

Bealltuinn; Bealltainn

Belotenia

Calan Mai

Começo de Agosto

Lughnasa; Lughnasad; Lughnassadh

Lá Lúnasa

Lùnasdal; Lùnastal

Lugunassatis

Calan Awst




Tudo isso parece um bocado de trabalho. Porque alguém desejaria trabalhar tão duro quando se pode fazer parte de uma religião já estabelecida?

Sim, no atual estágio de desenvolvimento, o RC tende a dar muito trabalho. Não é algo para qualquer um.

Embora estejamos numa situação em que pessoas que não queiram fazer um bocado de pesquisa ou ser pioneiras de experiências místicas possam se juntar a um grupo de RC já existente, e participar dele num nível muito mais informal, a verdade é que os grupos RC em pleno funcionamento e que estejam aceitando novos membros ainda são bem poucos. Assim, se você está sozinho, pode achar difícil, especialmente se você está apenas começando. O RC atual favorece os espíritos pioneiros, por assim dizer.

Uma das principais razões pelas quais começamos este trabalho é que acreditamos que as Divindades e os Ancestrais Celtas estavam, e estão, exigindo isso de nós. Experiências independentes com indivíduos não-relacionados entre si levaram à Gnose Compartilhada de que várias Divindades em particular estão ansiosas para ver o RC acontecer. Assim alguns de nós, dedicados a essas Divindades, nos descobrimos impulsionados a criar uma tradição funcional e autenticamente Céltica para melhor servir a Elas. Alguns de nós também fomos inspirados por nossas experiências com outras culturas vivas e desejamos algo assim completo e vital, não só para nossos Ancestrais e Divindades, mas para nós mesmos. Vai demorar até sermos tão substanciais e definidos como essas tradições que nos inspiraram, mas esse é nosso objetivo.
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