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Questões Básicas

Você não tem de ser Irlandês/Escocês/Galês para ser um Reconstrucionista Celta?

Não. Você não tem de ser Asiático para ser um Budista, também. Praticar uma religião Celta não significa que vocês têm de ter ancestralidade Celta mais do que praticar uma religião Asiática significa que vocês devem ter ancestralidade Asiática. "Celta" é um grupo lingüístico/cultural, não um baseado em "sangue".

Embora muitas pessoas de herança Celta sejam atraídas para o RC, ser de "descendência Celta" não é um requisito. Nós prestamos respeito a todos os nossos ancestrais e mentores, sejam eles Celtas ou não. Sabendo que humanidade se originou no continente Africano, nós acreditamos que somos todos de um sangue e uma família humana. O RC como um todo é fortemente anti-racista e recebe pessoas de todas as raças, etnias e cores que desejem seguir as Deidades Celtas em um caminho RC.

Os Deuses chamam a quem Eles desejam, e não é nosso papel dizer que Deuses e Deusas você pode seguir baseados na cor de sua pele, olhos ou cabelo, ou a porcentagem de seu sangue, se houver, que vem das Terras Celtas. Qualquer um discriminando baseado nessas coisas não está praticando RC, não importa o que digam afirmando contrário.

De qualquer modo, é importante lembrar que o RC não acontece em um vácuo. Ser RC requer envolvimento na comunidade e cultura - tanto na comunidade RC quanto nas culturas Celtas viventes, seja nas Nações Celtas ou na diáspora.

Veja também O que vocês querem dizer por “Celta”?, Como vocês podem dizer ser uma tradição Celta se não estão imersos na cultura? e Como vocês podem recriar uma cultura que já está morta?


Como vocês podem dizer ser uma tradição Celta se não estão imersos na cultura?

Muito de nós são profundamente envolvidos nas culturas Celtas modernas. Nós participamos no estudo e preservação das línguas, música Celta, e disciplinas físicas como dança ou várias formas de artes marciais Celtas que vêm das tradições viventes ou são reconstruídas a partir dos livros. Alguns RCs estudam receitas tradicionais e outras tradições caseiras como tecelagem ou tingimento tradicional. Alguns de nós estão ou estiveram envolvidos em algumas das disputas políticas nas Nações Celtas. Muitos de nós vivem em casas com outros RCs ou com membros da família que podem não ser estritamente RCs mas participam de outras atividades culturais Celtas, como festivais Irlandeses, seisiuns, e jogos das Highlands. Como não somos revivalistas históricos, ninguém realmente vive na Idade do Ferro da cultura Celta mais, e (como dito em outro ponto) esse não é nosso objetivo. Nós estamos interessados em viver em uma cultura Celta moderna, seja nas terras Celtas ou na diáspora, onde nós participamos nas partes das culturas que nunca morreram e nos dedicar ao nosso trabalho de reconstruir o que foi perdido ou fragmentado. Nossas vidas são cheias com oferendas aos espíritos, canções e poesias em Gaélico ou Galês, e uma existência que é totalmente permeada por nosso contato com os Deuses Celtas, nossos diversos ancestrais e nossos espíritos da natureza local.

De qualquer modo, enquanto o RC cresce, há um certo grau de diversidade e uma variedade de abordagens abrangidas sob a ampla tenda do RC. Há outros membros que fazem todas essas coisas de tempos em tempos, mas não desejam tanta imersão. Nem todos na comunidade RC têm o mesmo grau de foco ou obsessão deleitosa. Há muitos RCs que desfrutam de um estilo de vida urbano, multicultural, que querem ter o RC apenas como sua religião. E enquanto encorajamos tanta participação nas culturas viventes quanto possível, ambos os tipos de RCs, e aqueles em qualquer ponto entre eles, são bem vindos a participar da comunidade RC.


Vocês têm um livro sagrado Celta como a Bíblia? Se não há um texto central, como vocês sabem no que acreditar?

Não há nenhum texto central que nos diga como ser RC. As antigas culturas Celtas eram orais, e os Druidas aparentemente tinham restrições sobre escrever muitas coisas que eles consideravam sagradas. Dito isso, alguns aspectos da crença Celta foram filtrado pelos monastérios onde os primeiros livros em língua Celta foram escritos. Contos eram às vezes alterados levemente para fazê-los se conformar melhor com a ideologia e cosmologia Cristã, e registrados dessa forma para as gerações futuras.

O que nós temos são coleções de contos que provém muito do conhecimento básico. Nós também temos textos legais sobreviventes, textos de sabedoria como As Instruções de Cormac e outras fontes como análises acadêmicas desses materiais. Essas coisas são suplementadas pela arqueologia e outros estudos dos restos físicos das culturas Celtas pré-Cristãs, mostrando as formas de vida diárias, áreas de templos, e os trabalhos dos artesãos. Outra grande fonte para o nosso caminho espiritual vem das tradições folclóricas ainda praticadas em comunidades Celtas vivas, modernas.

Porque não temos uma autoridade central, nós temos muitas formas de aproximar o material e nossas práticas; de qualquer modo, é muito importante pra nós que o que façamos esteja de acordo com o que sabemos das práticas e crenças dos Celtas históricos. Só quando nós não temos uma fonte firme de material sobre essas práticas iremos considerar ir a outras fontes para inspiração e guia para encarnar o RC moderno.

Veja também O que é a tradição Celta, e onde eu a encontro?, e Tudo bem, mas como eu acho esse material?


Se eles não escreviam nada, como vocês sabem no que eles acreditavam?

Isso depende do que você entende por “eles”. É possível que os Druidas tivessem restrições sobre escrever algo que fosse considerado sagrado. De qualquer modo, alguns povos Celtas deixaram registros de suas crenças e práticas, e algumas dessas tradições sobreviveram, de uma forma alterada, até os dias de hoje.

Observadores entre os Gregos e Romanos deixaram muitos registros e comentários relativos aos povos Celtas na antiga literatura Clássica. De qualquer modo, é importante ter em mente que esses observadores externos normalmente tinham suas próprias ordens do dia, fossem políticas ou religiosas. Desses relatos, nós sabemos que alguns povos Celtas acreditavam em alguma forma de reencarnação ou imortalidade da alma. Nós temos relatos deles proferindo juramentos pela terra, mar e céu. Preceitos éticos Gauleses foram registrados. Nós também conhecemos os nomes de Deidades pelas inscrições em altares, bem como detalhes de algumas crenças dos povos Celtas sobre magia de inscrições adicionais de artefatos como tabuletas de feitiços que foram encontradas tanto no Continente quanto nas Ilhas. O Calendário de Coligny preserva uma visão Gaulesa do tempo, dias sagrados e o que constitui um dia fortuito e infortuito para atividades.

Com a chegada do Cristianismo, nós vemos traços das antigas crenças Pagãs no que era proibido nos textos Penitenciais. Eles são cheios de proibições contra a adoração de árvores e vários atos mágicos e rituais que devem ter sido comuns entre os povos Celtas pré-Cristãos, ou de outra forma não haveria necessidade de proibi-los. Certos aspectos do Paganismo também se infiltraram na antiga Cristandade Celta, e muito do papel dos Druidas foi continuado pelos filí (poetas) na Irlanda. Nós também temos textos legais da Irlanda relativos aos papéis e status dos druidas e filí, que podem ser bastante reveladores se estudados cuidadosamente.

Os textos legais da Irlanda também preservam informações sobre o Paganismo Celta por sua confiança como precedente legal – casos antigos, míticos, se tornaram a base das decisões judiciais posteriores. Os textos legais preservam muitos contos dos tempos Pagãos e confiam nas decisões legais Pagãs como uma base para julgamentos posteriores. Um texto monástico preserva um feitiço de cura com apelos a Dian Cécht, o Deus Irlandês da cura, e Goibhniu, um Deus ferreiro. Adicionalmente, Santa Brígida carregou muitos dos atributos da antiga Deusa Bride e as histórias de sua vida sugerem algumas coisas que os antigos pagãos acreditavam sobre Ela (coisas que podem ser confirmadas por estudos trans-culturais).

Porque as culturas Celtas eram orais, algumas coisas foram preservadas nas tradições de contagem de histórias e canções. A Carmina Gadelica, compilada no fim do século XIX e inicio do XX, por Alexander Carmichael, preserva muito da tradição e mágica da Escócia. Embora muito do material seja Católico, há antigas camadas de material Pagão sob ele, e os apêndices incluem crenças sobre augúrios e profecias, bem como cura e feitiçaria.
Moldes populares de peregrinação a sítios sagrados muitas vezes incluem nascentes sagradas, cavernas e montanhas que eram sagradas antes da chegada do Cristianismo. Ornamentação de poços e a prática de atar fitas de roupas em arvores como um apelo por cura ou sorte são muito provavelmente sobrevivências da crença Celta pré-Cristã.

Embora não tenhamos o suficiente para fazer um sistema completo e perfeito de crença Pagã a partir dos fragmentos que sobreviveram, há muito para trabalharmos. Com a adição das evidências arqueológicas e estudos lingüísticos, e a ajuda de estudos comparativos de religião e mitologia, bem como antropologia cultural e estudos Indo-Europeus, o RC trabalha para restaurar o que foi perdido e levar as coisas adiante para as novas gerações.


Como vocês seleciona em quais autores acreditar?

Há duas abordagens. Uma é encontrar pessoas versadas, experientes e conhecedoras para recomendar livros a você. Para que isso funcione, eles devem ser pessoas em quem você confia para fazer julgamentos corretos entre boa e má pesquisa. O povo RC muitas vezes debate a validade e precisão da informação apresentada em livros. Normalmente, um eventual julgamento consensual surge sobre o autor ou livro.

A segunda abordagem é um difícil, mas muito pessoalmente recompensadora, um processo de aprendizado para desenvolver o julgamento discernente você mesmo. Isso envolve pensamento crítico e habilidade de discernir a diferença entre fantasia e realidade, pesquisa de atributos sólidos e doce ilusão. É útil ir à bibliografia de qualquer livro que você esteja olhando. Veja quem escreve os livros de referência do autor. Se a maioria dos livros na bibliografia são publicados por editoras de Ocultismo ou Pagãs, as chances são de que seja melhor procurar por uma fonte diferente. Todavia, se um livro ou artigo é publicado por uma editora acadêmica – afiliada a uma universidade ou outra instituição acadêmica – é mais provável que você encontre informação útil e precisa.

Um ponto crucial ao avaliar algum livro é se o autor está escrevendo dentro de seu próprio campo de experiência. Por exemplo, alguém com um avançado grau em arqueologia, mas sem treinamento em línguas Celtas, pode ser inestimável em termos de entender sítios sagrados, mas próximo do inútil em analisar a mitologia. Um zoólogo de nível Ph.D pode ser um ótimo autor em zoologia, mas não saber absolutamente nada sobre estudos Celtas ou mitologia comparativa. Se um autor não pode ler a língua original dos textos que ele está usando como fonte, na certa haverá falhas em sua interpretação. Similarmente, se um autor é treinado em mitologia Clássica e Européia, mas não é especialista nos Celtas Insulares, suas conclusões serão filtradas por lentes diferentes, e podem facilmente resultar em uma visão distorcida.

Nós não podemos acreditar em quaisquer autores que escrevem sobre assuntos Celtas se o que eles estão apresentando é baseado em nada mais do que suas próprias opiniões. Checar suas referências é absolutamente necessário se você não está certo quanto à precisão histórica do seu trabalho. Se você não puder encontrar fontes dignas de crédito com alguma prova do que é dito, é melhor tomar a informação com uma pitada de credulidade ou considerá-la como opinião pessoal, não fato. As fontes mais precisas sobre a historia e religião Celtas vêm dos arqueólogos, historiadores Celtas, e especialistas lingüísticos publicados por editoras acadêmicas, não autores ocultistas e New Age. Os livros podem ser mais difíceis de ler, mas a recompensa por fazê-lo é imensa.


Há uma certa era que vocês se focam em reconstruir? Por que e o que define essa era?

Como não somos uma sociedade de recreação histórica, não há uma “era” a focar. As tradições Celtas que buscamos como nossas fontes de material e inspiração surgiram no espaço de uma dúzia de séculos. Nos limitar a, digamos, as tradições fechadas dos Irlandeses não-Cristianizados do século VI nos impediria de buscar recursos vindo do De Bello Gallico, de Cesar, para modernos rituais populares em poços curativos. Nós estamos desenvolvendo uma tradição politeísta Celta como ela se pareceria se deixada principalmente com suas próprias qualidades através dos séculos, não uma réplica de museu de uma era passada.


Eu tenho de viver no campo para ser um RC?

Absolutamente não.

Embora a reverência pela natureza seja uma parte central da tradição Celta, e muitos RCs prefiram viver em áreas rurais, a maioria atualmente está vivendo em ambientes mais urbanizados. Há aspectos do RC que são mais fáceis se estivermos vivendo na natureza – é mais fácil se comunicar com espíritos naturais e formar um elo profundo com a terra se essas coisas estão bem em frente à porta de nossa casa. Alguns RCs sentem que cultivar sua própria comida, por exemplo, é uma parte integral de sua espiritualidade. Mas RCs urbanos terão um acesso mais provável a livrarias, cursos de linguagens e eventos culturais Celtas. Eles também, mais provavelmente, terão alguns RCs com quem trabalhar e socializar. RCs urbanos ainda fazem da conexão com a natureza uma parte de suas praticas, ao se familiarizarem com seus parques locais, arboretos e reservas naturais, respeitando a vida selvagem e a flora que partilham de seu ambiente urbano, cultivando um elo com a terra da cidade e seus atributos naturais e fazendo peregrinações regulares a cenários mais selvagens quando possível.

O ideal, em uma região com tanto RCs urbanos quanto rurais, seria os membros da comunidade se ajudarem uns aos outros – com RCs rurais provendo a terra para retiros rituais na natureza, e RCs urbanos hospedando convidados para eventos culturais na cidade. Dessa forma, a diversidade da comunidade resulta em uma experiência mais plena para todos os membros;


Vocês trabalham em grupos ou são solitários?

Ambos. No momento, há muito poucos grupos que são maiores que uma lareira ou casa, mas isso porque há muitos RCs fora deles. Grupos maiores tendem a se juntar para os principais festivais, para banquetear e fazer oferendas aos Deuses, ancestrais ou espíritos da terra. Esses grupos maiores, celebratórios, podem também incluir visitantes que não são RC no todo. Muitos de nós praticamos sozinhos pela necessidade, ao menos na maior parte do tempo. Mas com a crescente visibilidade e o trabalho na internet, mais grupos estão se desenvolvendo, quando pessoas se encontram em áreas locais, e descobrem outros que são dedicados às mesmas Deidades ou trabalham nos mesmos caminhos.


Como vocês chamam seus grupos?

Como muitas outras coisas no caminho RC, isso depende muito do grupo e seus objetivos, bem como seu foco cultural.

Um grupo familiar pode se chamar de Casa ou Lareira (ou um equivalente em língua Celta, como lion ti), e pode incluir amigos como parte dessa “família” estendida. Um grupo devotado ao estudo e erudição pode se referir a si mesmo como uma Escola das Sebes ou Colégio Druídico. Aqueles que se encontram principalmente para propósitos de culto podem se referir ao seu grupo como Bosque, Nemeton, Nemed (“templo, santuário”; Irlandês Moderno Naomheadh), ou Fidnemed (“santuário da floresta”; Irlandês Moderno Fiodh-Naomheadh). Grupos focados em sua dedicação a uma Deidade ou caminho cultural em particular podem se identificar como Ordens de Brighid ou bando guerreiros inspirados nos Fianna. Outros grupos podem ser coletivos soltos, não hierárquicos, que podem se identificar como “forasteiros” ou não sentirem nenhuma necessidade de um nome público permanente.

Alguns grupos maiores podem considerar se chamarem como um clann (“família estendida”) ou tuath (“tribo ou nação, e a terra que a tribo/nação habita”) De qualquer modo, RCs mais tradicionais vêem isso como inapropriado; qualquer grupo politeísta moderno usando esses termos os redefiniram radicalmente. Historicamente, e nas culturas vivas, esses termos implicam em grupos enormes: sejam aqueles que partilham um ancestral distante comum (como as organizações dos Clanns das Highlands), ou uma grande comunidade de milhares de pessoas baseada na terra. Mesmo uma “casa”, em termos antigos Irlandeses, era muito considerável – calculada em cerca de trinta pessoas por morada. A tríca cet era de aproximadamente três mil pessoas, e uma túath consistia de várias tríca céta aliadas.

Portanto, uma tuath só se aplica realmente a grupos maiores que seis mil pessoas. Em um sentido moderno, um clann descreveria mais precisamente uma enorme família de origem, estendida, bem como aqueles nascidos da família e parentes, todos até os primos mais distantes (novamente, como visto nos Clanns das Highlands). Tuath descreveria mais apropriadamente uma vila ou cidade pequena.

Atualmente, não há grandes grupos RCs organizados desse tamanho, embora muitos de nós incluam membros de nossas famílias de origem em nossas celebrações, rituais e eventos culturais, não há nenhum grupo moderno Celta politeísta que se adeque à definição histórica de clann ou tuath.

Os nomes dos grupos e de quaisquer oficiantes neles também serão influenciados pelas culturas e linguagens que os inspiram. Nomes de grupos baseados em tradições Galesas ou Gaulesas serão diferentes daqueles baseados nas tradições Gaélicas da Irlanda ou Escócia. Embora haja um respeito pelo contexto histórico, bem como pelo contemporâneo, ao nomear nossas convenções, não há regras fixas.


Vocês, RCs, têm uma distinção entre clero e leigos?

Sim e não. Em termos de culto caseiro, nós não necessitamos de nenhum clero externo ou intermediário – cada RC age como seu próprio condutor para a espiritualidade, fazendo oferendas em nossos altares ou santuários externos e nos conectando com os Deuses, ancestrais e espíritos da natureza como podemos. Às vezes o chefe de uma casa, ou o membro da casa com mais aptidão para o trabalho vai liderar esses tipos de rituais para seus amigos e família. Em casos onde alguns membros do grupo sejam experientes e habilitados, esses grupos poderão agir mais coletivamente dividindo a liderança entre todos os membros do grupo capazes de preencher um papel.

Dentro da grande comunidade há aqueles que escrevem e realizam rituais para grandes grupos nos festivais ou nos dias sagrados. Alguns entre nós são melhores em divinação ou cura, enquanto outros tendem a coisas como casamentos ou benção para crianças. Outros são bons ensinando as bases do RC a outros, enquanto outras pessoas, ainda, se especializam nas filosofias e teologias do RC. Aquelas pessoas que se engajam na pesquisa e filosofia, em rituais públicos e curas, ou em serviço divinatório para a comunidade podem ser considerados clero, enquanto aqueles que preferem agir apenas dentro de suas próprias casas tendem a cair mais na categoria de leigos. Nesse ponto do crescimento do RC, não há distinções firmes e rígidas e a maioria de nós age como clero em um ponto ou outro, por nenhuma razão que não a necessidade.


Os RCs são autônomos ou há algum tipo de órgão governante?

Há um bom acordo de autonomia no RC, e nós não temos qualquer tipo de corpo governante oficial. No entanto, aqueles que estiveram trabalhando juntos nos últimos quinze ou vinte anos para desenvolver a tradição e a comunidade RC tendem a ficar próximos uns dos outros e manter um olho em como a tradição está se desenvolvendo. Nós temos muita comunicação entre grupos e indivíduos, tanto antigos e novos, de acordo com os valores Celtas de respeito e hospitalidade. Nós agimos uns com os outros on-line e em pessoa, e trabalhamos através de nossas UPGs juntas para vir com moldes que se adeqüem através do espectro. Uma vez que ninguém fala pelo RC como um todo, nós contamos muito com as opiniões de outros RCs quando discutindo nossas tradições publicamente. Dito isso, organizações RC podem ter seus próprios corpos governantes que tratam de indivíduos dentro dessas organizações.

Veja também Quem é o líder do RC?, e Como vocês determinam quem são seus líderes espirituais se vocês não têm sempre uma hierarquia ordenada?


Como vocês determinam quem são seus líderes espirituais se vocês não têm sempre uma hierarquia ordenada?

Nós vemos o que os indivíduos em questão estão fazendo pela comunidade, o que eles estão produzindo e os resultados que seus trabalhos trazem para a comunidade. Eles se comportam com honra? Eles são pessoas honestas, éticas? O que seus estudantes e/ou professores dizem sobre eles? O que outros que os encontraram pessoalmente ou interagiram com eles por muito tempo on-line têm a dizer sobre eles? Que tipo de coisas eles ensinam, e quão próximas elas parecem estar do precedente espiritual histórico Celta? Eles trazem insights valiosos para discussões, dão um exemplo para emular com seu comportamento admirável, e produzem trabalho erudito, respeitado e inspirado? Eles ajudam a promover produtivamente um sentimento de comunidade e o desenvolvimento espiritual dentro dela? Suas inspirações parecem funcionar para uma variedade de pessoas dentro do espectro RC?

Em comunidades tradicionais, baseadas na terra, ninguém era (ou é) capaz de operar com a atual anonimidade provida pela internet ou pelo ocasional encontro festival de estranhos. Você saberia quem eram os avós, pais e irmãos mais velhos de alguém. Você conheceria os valores mantidos e os moldes de comportamento exibidos por sua família. Eles não poderiam escapar de sua própria reputação.

Em nosso mundo moderno, nós temos de encontrar meios de compensar essas falta de conhecimento. No RC nós não podemos julgar alguém por quaisquer títulos que ele tome para si. Até certo ponto, nós aprendemos sobre as pessoas pelo que elas fazem. Nós precisamos ser pacientes e ver como alguém se comporta na comunidade a longo prazo. Parte de ser um líder é a idade física real, bem como a sabedoria e experiência ganha por muitos anos de participação na tradição. Títulos não são facilmente dados, comprados ou autoproclamados. Eles são merecidos. Eles resultam do reconhecimento da comunidade, não de auto-engrandecimento ou ego. As pessoas que consideramos como líderes são aquelas que tiveram um impacto positivo em nossas práticas e que avançaram o RC como um todo através de seus ensinamentos.


Há alguma organização RC? Websites? Livros?

Existem algumas organizações RC, mas nenhuma fala pelo todo do movimento RC. Há também alguns websites onde podemos encontrar escritos e recursos RC. Alguns desses representam organizações e comunidades on-line, mas a maioria é de RCs individuais ou grupos de tamanho caseiro.

Quando esse artigo foi escrito, não havia um único livro introdutório ao RC e apenas um livro que a maioria dos RCs concorda ser sobre práticas RC (O “Circle of Stones” de E. Laurie). Isso vai mudar nos próximos anos. Agora, nós temos os mesmos materiais que todos os RCs confiaram até essa data: os velhos contos e manuscritos, os livros de praticas folclóricas, e a sabedoria coletiva da comunidade. Comunidades on-line e grupos de discussão variam em qualidade e abertura dependendo dos membros dessas listas e comunidades. Quando você se juntar a essas comunidades, esteja preparado para oferecer fontes para apoiar seus comentários quando perguntado, e se lembre que uma pergunta não é um desafio a você como pessoa, mas meramente um pedido de informação.

Abaixo estão algumas listas de e-mail, comunidades e grupos de discussão RC (n.t.: em inglês):

Grupos de Discussão:

LiveJournal Celtic Reconstructionist/Restorationist community: http://community.livejournal.com/cr_r/

LiveJournal Paganachd/Paganacht community: http://community.livejournal.com/paganacht/

LiveJournal Chicago Area RCs:
http://community.livejournal.com/chicagocelts/

LiveJournal Northeast RCs:
http://community.livejournal.com/ne_cr/

LiveJournal Puget Sound RCs: http://community.livejournal.com/puget_sound_crs/

The Imbas email list:
http://groups.yahoo.com/group/imbas-public/

The Multicultural Polytheistic Hearth board:
http://www.cyberpict.net/mph/

The Nemeton email list:
http://technovate.org/web/nemeton/

Outros Recursos:

CAORANN: http://www.bandia.net/caorann — Celts Against Oppression, Racism and Neo-Nazism.

Imbas website: http://www.imbas.org/imbas/index.html — Archive of articles.

Paganachd.com: http://www.paganachd.com — “A Celtic Reconstructionist Gateway.” Links to articles, traditions, websites, and host of the “mother version” of The RC FAQ.

Websites Contribuintes:

Bandia.net — http://www.bandia.net

Dùn Sgàthan — http://www.cyberpict.net/

The Preserving Shrine — http://www.seanet.com/~inisglas


O que RCs comem?

A cozinha oficial do RC é a Comida Indiana. Ninguém sabe o porquê.

Sério agora, uma vez que não há tabus de comida pan-RC, há muitos indivíduos que usam escolhas ou comportamentos alimentícios para aprofundar sua conexão espiritual com o RC. Há uma forte tradição de banquetes tanto como celebração como oferecimento de hospitalidade, e há tradições que pedem que a um convidado seja oferecido comida, bebida e a chance de se banhar ao chegar. Muitos RCs estendem isso a um contexto moderno, e irão oferecer hospitalidade a seus convidados.

Comidas específicas podem ser deliberadamente consumidas ou evitadas para evocar efeito espiritual. Alguns RCs vão escolher consumir salmão e/ou avelãs como um esforço de conseguir sabedoria para si, carne de vaca como uma forma de apreciar a abundância, e leitão ou porco para evocar banquetes, plenitude e uma possível conexão com o Outro Mundo. Muitos irão buscar comida cultivada e produzida localmente e consumi-la tendo em mente comungar com seus espíritos da terra locais. Algumas Deidades Celtas têm associações especificas com comida, como a bem conhecida associação de Brighid com o leite e produtos lácteos. Essa conhecida associação pode ser levada para um ritual, partilhando um copo de leite ou ofertando um. Nos materiais Irlandeses, Manannán mac Lír e Goibhniu estavam envolvidos em dar o Banquete das Eras, que dava a imortalidade às Tuatha Dé Danann. O rito envolvia o sacrifício de um javali que retornava à vida no dia seguinte e o consumo do hidromel feito por Goibhniu. Alguns RCs fazem festas em comemoração a isso envolvendo porco e cerveja ou hidromel.

Em adição, indivíduos podem ter requerimentos comportamentais pessoais chamados geasa, cujo descumprimento era um sério erro que muitas vezes levava à ruína. Muitos desses eram relacionados à comida. O antigo herói Irlandês Fergus nunca poderia se recusar a ir a um banquete em sua honra, e Cu Chulainn era proibido de comer a carne de cachorros enquanto ao mesmo tempo era incapaz de recusar comida oferecida por uma mulher. Alguns RCs acreditam que tem geasa similares, e vão evitar comidas a que são pessoalmente proibidos.
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