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Então você quer se tornar um CR...

Como faço para começar?

Começar é fácil e há muitas coisas que você pode fazer mesmo sem ter acesso a uma grande comunidade CR ou a uma biblioteca de pesquisa.

Ler é muito importante para começar no CR. Conhecer a história dos povos Celtas ajuda a nos conectar àqueles lugares e épocas, e nos dá a base para entender o que os Deuses e Deusas estão nos dizendo. Comece com os livros introdutórios listados em Quais são os livros para alguém totalmente novato no CR? Estes são facilmente acessíveis e não são de intimidar ninguém. Comece a seguir a lista de leituras no seu ritmo, com tempo suficiente para absorver e integrar as idéias e começar a formular meios de praticá-las em sua vida.

Encontre um espaço em sua casa ou ao ar livre, perto de casa, e crie um altar ou santuário às Divindades, aos seus Ancestrais, ou aos Espíritos da terra. Faça oferendas a eles – água e porções pequenas de comida num prato servem, embora oferendas mais elaboradas sejam bem-vindas. Laticínios, pães e bolos, maçãs, bagas de sorveira, aveia e avelãs são itens tradicionais, mas muitos simplesmente oferecem a melhor porção de suas refeições.

Contemple o mundo como uma cosmologia de terra, mar e céu, presentes à sua volta em toda a parte. Sinta a sua conexão com os três reinos. Medite no poço e na árvore no centro dos mundos e que unem todas as coisas, e sobre os portais para o Outro Mundo que se abrem no centro ou nas bordas. Medite no fogo que irrompe do poço – assinalando a presença das Divindades, e o despertar da iomas (inspiração).

Se você já não começou, envolva-se com as culturas Celtas atuais. Procure por cursos de idiomas, seisiúns de histórias e músicas tradicionais, apresentações ou cursos de danças e artes marciais tradicionais, jogos das Terras Altas da Escócia ou outros festivais Celtas. Familiarize-se com as tradições sobreviventes nas nações Celtas e na diáspora, e medite nos modos pelos quais estas práticas predominantemente Cristãs são iguais ou diferentes da abordagem politeísta. Ouça música e rádios nas línguas das culturas Celtas que o atraem mais. Perceba como a linguagem molda o pensamento, e como a visão de uma cultura se revela na estrutura de sua língua.

Comunidade é um valor central no CR. Dedique algum tempo e energia para formar conexões com outros no mesmo caminho, em pessoa se possível e online se for a única opção disponível. Mesmo para aqueles de nós afortunados o bastante para pertencerem a comunidades “ao vivo”, o mundo da Internet é muito importante, por nos dar acesso a uma comunidade global de pesquisa e experiência compartilhadas. (Ver Existem organizações RC? Sites? Livros?).

Medite todos os dias nas Divindades Celtas que o escolheram, e ouça Suas vozes. Leia Suas histórias e medite sobre o que elas realmente querem dizer. Descubra meios de trazer Suas presenças para a sua vida por meio de imagens, música, ou cores que você associe a Elas. Ache locais na natureza que pareçam especiais para Elas, como uma praia ou floresta, um campo ou montanha ou poço, ou mesmo um pequeno lago ou árvore num parque na cidade. Passe algum tempo ali em meditação e faça oferendas. Esteja atento aos sinais da Sua presença em sua vida.

Em seu santuário doméstico, além das oferendas de comida e bebida, acenda velas e queime incenso ou ervas como oferendas às Divindades e Espíritos.

Preste atenção em seus sonhos e escreva-os. As Divindades e Espíritos freqüentemente se comunicam conosco por meio deles. Partilhe com outros em sua comunidade CR se seus sonhos e impressões gerarem questionamentos.

O zimbro era tradicionalmente usado como erva de purificação na Escócia e muitos CR Escoceses e Irlandeses o queimam para purificar a si mesmos e a seu espaço sagrado. Você pode queimar pequenas quantidades de zimbro, deixando-o arder num recipiente a prova de fogo. Muitos RCs fazem isso antes das oferendas, no início de rituais, ou como parte de suas meditações.

Celebre os festivais com um banquete e faça oferendas às Divindades, Ancestrais e Espíritos como parte dele. Mesmo se seus amigos e familiares não forem RCs, todo mundo gosta de se reunir em torno de uma boa refeição partilhada. Mesmo o mais austero dos Cristãos também apreciará os contos dos ancestrais, heróis e heroínas da História, e música e narração de histórias podem ser facilmente incorporadas aos festivais, religiosos ou não.

Saia ao ar livre e se conecte aos Espíritos da terra. Faça oferendas a eles e fale com eles. Mais importante, escute-os.

Respire. Ame. Ria.

Viva.


Eu tenho filhos. Como faço para incluí-los nisso tudo?

Embora às vezes pareça que a maioria dos RCs mais conhecidos não têm filhos, talvez isso seja porque os que não os têm simplesmente dispõem de mais tempo para discutir o RC. O RC é receptivo a crianças, devido a seu caráter cultural assim como religioso, com ritos celebratórios e não apenas “operativos”, e oferece muitas maneiras de se seguir o seu caminho. Isso permite aos pais incluir seus filhos, qualquer que seja o nível de interesse e capacidade de atenção que apresentem. Crianças aprendem bem por inclusão, assim, ao invés de lhes “ensinar” a religião, a maioria dos pais RCs simplesmente os inclui em atividades variadas e discute seus propósitos ao longo do caminho, e só entram em detalhes se as crianças perguntarem.

Como o contar histórias é parte importante das culturas Celtas e também uma atividade favorita de pais e filhos, esse é com freqüência o ponto de partida de muitos pais RCs. Alguns se sentem mais confortáveis simplesmente lendo as histórias com seus filhos, mas outros podem passar tempo memorizando-as para as contar de cor como um meio de compartilhar as histórias com seus filhos e de se familiarizar mais com os textos. Crianças mais velhas que tenham interesse nisso podem querer aprender a arte de contar histórias também.

Pais RCs geralmente incluem seus filhos na execução das oferendas rotineiras. A família pode se reunir no santuário doméstico, jardim ou local ao ar livre para ofertar às Divindades, Ancestrais e Espíritos. Em algumas famílias, inclusive, é tarefa das crianças fazer as oferendas, ou elas podem fazer as suas próprias enquanto outros familiares fazem as suas. As crianças podem ajudar a decorar os santuários e/ou ter os seus próprios em seus quartos. Estes podem ser algo bem geral, ou se a criança mostrar interesse em uma Divindade, Ancestral ou Espírito (geralmente nestes casos o interesse seria por um ente querido falecido do qual se recordem bem), objetos referentes a estes Seres podem ser incluídos ali.

Muitos grupos que incluem famílias deixam as crianças livres para ir e vir pela área ritual desde que um pai ou guardião fique de olho nelas para evitar que se percam fora dali ou cheguem muito perto do fogo. Muitas vezes as crianças são a prioridade na hora de escrever os rituais, o que pode tornar o rito mais interessante para os adultos de inclinação menos mística. Isso inclui dar às crianças papéis como ajudar nas oferendas, ou passar a comida e bebida que serão partilhadas no rito, ou repetir frases curtas. Dramas rituais e histórias referentes à estação sendo celebrada também ajudam as crianças, assim como os adultos, a se conectarem ao propósito da cerimônia. A única exceção para incluir crianças nas celebrações é a Oíche Shamhna, que é considerada por alguns RCs como sendo uma época perigosa, espacialmente para crianças. Além disso, grupos que fazem dramas rituais freqüentemente fazem coisas na Oíche Shamhna que podem ser intensas demais para crianças pequenas. Isso pode levar a uma festa-ritual para crianças dentro de casa com alguns dos pais, permitindo- lhes participar enquanto liberando os outros adultos para terem a intensidade da cerimônia, com uma grande festa depois para reunir a todos.

A cultura infantil pode revelar muitas pequenas coisas sobreviventes da tradição. Algumas das tradições foram preservadas como jogos, versinhos e danças. Costumes freqüentemente ignorados pelos adultos, ou desdenhados como superstições, às vezes são mantidos pelas crianças e passados adiante, das mais velhas às mais novas, de um modo informal ao longo de gerações. O que poderia ter sido um rito solene transforma-se numa festa de criança. Uma Divindade ou Ancestral tribal pode agora ser uma história de fantasma contada pelas garotas numa festa do pijama. “Jogos” divinatórios, em particular, preservaram alguns métodos antigos de interação com os Espíritos, e festividades à beira da fogueira na Oíche Shamhna e Lá Bealtaine fizeram parte da infância de alguns de nós. Com o advento da televisão, muito desta cultura infantil foi agora fragmentada, e precisa urgentemente de preservação. Mas alguns dos mais velhos da comunidade RC que cresceram em ambientes Celtas passaram por essas experiências como parte integrante da infância.

Como crianças tendem a aprender idiomas de modo mais fácil que adultos, alguns pais RCs expõem seus filhos à linguagem de sua cultura adotada. Para aqueles que não são fluentes, isso inclui gravações da língua falada e de canções desde cedo, e a possibilidade de cursos se as crianças mais velhas se interessarem.

Como muitos RCs adultos acham que as sociedades culturais Celtas oferecem muito para enriquecer sua conexão à cultura, muitas vezes essas organizações também oferecem atividades como grupos de teatro, aulas e cursos para crianças. A Highland Step e outras aulas de dança são mais fáceis de achar para crianças que para adultos e permitem uma conexão divertida com a cultura que poderá ser significativa para a criança à medida que ela crescer. Eventos culturais como os Jogos das Terras Altas ou os Festivais Irlandeses, com animais, música e outros entretenimentos, podem ter um bocado de atrativos para as crianças também.

Veja também Que livros são bons pra crianças?


Dizem que eu tenho de praticar a hospitalidade. O que quer dizer isso?

Hospitalidade é uma das virtudes máximas entre os povos Celtas, antigos e modernos. Sua prática pode ser tão simples como cuidar para que qualquer convidado em casa receba boas-vindas calorosas, uma xícara de chá e um petisco, ou tão elaborada como ter um espaço sempre reservado para hóspedes inesperados que porventura possam precisar de um lugar para ficar por um tempo. A arte da hospitalidade pode incluir culinária criativa para fazer a comida render para todos. Pode simplesmente incluir um ouvido aberto para um amigo que precise ser ouvido.

A maioria dos RCs, mesmo aqueles de nós que tendem a ser eremitas sociais, apreciam receber visitas e conversar com uma bebida quente nas mãos numa noite fria de Inverno. Muitas das Tríades da Irlanda abordam questões da hospitalidade. Aqui vão algumas:

Trí fuiric thige degduni: cuirm, fothrucud, tene mór.
Três preparativos do bom homem: bebida, um banho, uma grande fogueira.

Trí fuiric thige drochduni: debuid ar do chinn, athchosan frit, a chú dot gabáil.
Três preparativos do mau homem: discutir na sua frente, reclamar de você, seu cão morder você.

Trí fiada co n-anfhiad: gréss i nóentig fri muintir, uisce rothé dar cosa, bíad goirt cen dig.
As três piores boas-vindas: trabalho a fazer na mesma sala dos hóspedes, água fervente derramada nos seus pés, comida salgada sem uma bebida.

Trí fáilti coirmthige: immed 7 dúthracht 7 elathó.
Três boas-vindas numa taverna: abundância e gentileza e arte.

A hospitalidade, no entanto, funciona nos dois sentidos. Há deveres do hóspede, assim como os do anfitrião. Diz-se tradicionalmente “uma história do anfitrião, depois histórias do hóspede até o dia raiar”. Isso vem de um tempo quando as notícias chegavam com dificuldade, e qualquer viajante podia trazer informação sobre lugares distantes. Contos e canções eram partilhados, assim como fofocas e notícias importantes sobre o mundo fora da aldeia.

Embora seja razoável esperar, como hóspede, ser convidado se aparecer sem ser anunciado (a menos que os anfitriões estejam de saída), as boas maneiras do hóspede exigiriam que ele se fizesse anunciar com antecedência. Trazer um presente de algum tipo faz parte da boa hospitalidade, se você visita alguém que você vê raramente. Ser educado na casa dos outros, tratar bem as crianças, cônjuges e animais, e mostrar gratidão pela hospitalidade são coisas de valor. Como hóspede, espera-se que você não brigue com seu anfitrião, roube dele, ou deixe sua casa em condições piores do as que existiam antes de sua visita.

Na Internet, também existem deveres de hospitalidade em nossas listas de e-mail e comunidades eletrônicas. Espera-se que você seja educado com os outros e os moderadores, que você pesquise antes de perguntar sem necessidade, e que você fundamente suas declarações com documentação se isso lhe for pedido. Se existem regras para listas e comunidades, estas regras devem ser lidas e seguidas sempre que possível. Solicitações aos moderadores ou outros membros das listas são tratadas de modo mais favorável que exigências.


Se eu vou ser um RC, como devo usar o meu cabelo?

O Caminho do Penteado© é parte importante do Reconstrucionismo Celta. Você pode armar seu cabelo espetado com o Gel de Cabelo do Corpo do Pântano© (à venda em nosso site oficial). Como alternativa, você pode usar A Tonsura RC Oficial© , que envolve a raspagem de parte do cabelo quando você estiver entediado ou num profundo transe de devoção aos seus Deuses. Também é tradicional cortar ou raspar o cabelo em sinal de luto, o que deve ser feito com os lamentos, gritos e ranger de dentes adequados.

Há um movimento cismático que usa a tonsura junto com o cabelo espetado, seja com cal ou o Gel©, mas isso é um Mistério interno, não adequado para discussão pública. Outros crêem firmemente que nenhuma forma de penteado é oficialmente RC se não implicar em você trançar o cabelo e sair correndo pelos bosques enquanto as pessoas lhe atiram lanças, e então o enterram até a cintura enquanto você se defende das lanças dos atacantes. Este grupo é inabalável em sua convicção de que, se seu cabelo ficar embaraçado no processo, então não é digno de ser um Penteado RC Real©.

Os que adotaram A Tonsura RC Oficial© também devem tatuar, ou pintar diariamente, símbolos de sua fé na pele então exposta. Há muita controvérsia sobre isso, desde que os tatuados crêem que todos que usam A Tonsura RC Oficial © devem passar pela mesma dor que eles suportaram. Aqueles alérgicos à tinta da tatuagem devem encontrar outros modos de se causarem dor. Como, por exemplo, responder perguntas bizarras em fóruns online quando pessoas sensatas, em seu lugar, estariam dormindo. Ou é isso que eu ouvi por aí.

Quê?

A sério? Use o cabelo como preferir. Nós estamos brincando. Um pouco.
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